Ibovespa reverte tendência e passa a subir, com dados dos EUA e alta da Petrobras

Indicadores dos EUA fomentam alta das bolsas externas; China e noticiário doméstico também estão no radar neste pregão

Publicidade

SÃO PAULO – No início da tarde desta sexta-feira (14) o Ibovespa reverte a tendência negativa observada na abertura e passa a operar no campo positivo, definindo uma trajetória de alta. O benchmark acompanha o início dos ganhos nos Estados Unidos após divulgação de indicadores de sua economia. Além disso, a Petrobras sobe mais de 1% e também ajuda a fomentar a virada de sinal do índice.

Nesta sessão os investidores avaliam principalmente a agenda norte-americana, farta de indicadores. Favoravelmente, a produção industrial dos EUA apresentou alta de 0,8% em dezembro, superando as expectativas do mercado, que previam um avanço de 0,4%. Por sua vez, índice que mede a evolução dos preços ao consumidor nos EUA avançou 0,5% no mesmo período, também ficando acima do que o mercado esperava.

Já a prévia da confiança do consumidor norte-americano medida pela Universidade de Michigan foi menor do que a esperada em janeiro: os números do Michigan Sentiment apontaram 72,7 pontos, resultado inferior às expectativas do mercado, que indicavam 75,5 pontos. Além desses números o investidor também acompanha de perto os resultados corporativos de importantes bancos, como do JP Morgan que anunciou lucro trimestral de US$ 4,8 bilhões, frente aos US$ 3,3 bilhões do ano anterior – suas ações sobem mais de 2% na NYSE.

No entanto, ainda pesa sobre os mercados o anúncio da autoridade monetária chinesa. Mais cedo, o PBoC (Banco Popular da China) decidiu elevar a exigência de reservas dos bancos, como forma de combater as pressões inflacionárias na economia do país. Segundo o comunicado divulgado pelo PBoC, a partir da próxima quinta-feira (20), as exigências de reservas serão elevadas em 0,50 ponto percentual. A medida combate a inflação ao limitar a oferta de crédito dos bancos.

Ibovespa em alta
O Ibovespa apresenta alta de 0,61% nesta tarde e atinge 71.151 pontos. O volume financeiro é de R$ 2,332 bilhões.

O principal destaque positivo fica com as ações PORTX ON (PRTX3), que registram valorização de 4,96% e são cotadas a R$ 3,81. Com essa variação, a alta acumulada desde o início do ano chega a 2,70%.

Continua depois da publicidade

Quem também aparece entre as maiores altas do dia é a Embraer ON (EMBR3), refletindo principalmente a elevação da recomendação do banco de investimentos Goldman Sachs. Os ADRs (American Depositary Receipts) da empresa foram colocados na lista de “Conviction Buy”, com preço-alvo estimado em US$ 30, o que implica upside (potencial teórico de valorização) de aproximadamente 30% frente ao último fechamento.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 PRTX3 PORTX ON 3,81 +4,96 +2,70 2,83M
 TCSL3 TIM PART S/A ON 7,59 +4,69 +11,45 1,06M
 EMBR3 EMBRAER ON 12,81 +4,40 +8,56 11,92M
 TCSL4 TIM PART S/A PN 6,10 +3,21 +10,71 10,24M
 ELET6 ELETROBRAS PNB ES 28,67 +2,94 +7,31 10,38M

Por outro lado, o pior desempenho fica com os papéis PDG REALT ON (PDGR3), que são cotados a R$ 10,24 e apresentam baixa de 2,01%. Quem também aparece na ponta negativa do Ibovespa nesta tarde é a Telemar Norte Leste (TMAR5), com os investidores realizando lucros após a alta da véspera, quando foi aprovada a aquisição da Invitel, holding detentora da Brasil Telecom (BRTO4).

Continua depois da publicidade

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 PDGR3 PDG REALT ON 10,24 -2,01 +0,79 37,60M
 AMBV4 AMBEV PN 47,10 -1,28 -6,77 38,41M
 CCRO3 CCR RODOVIAS ON 46,39 -0,98 -1,09 5,32M
 PCAR5 P.ACUCAR-CBD PNA 67,45 -0,90 -2,67 15,30M
 MRVE3 MRV ON 16,12 -0,86 +3,27 8,38M

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

Europa
Na Europa, números provenientes da Espanha e da Alemanha desanimam nesta sexta-feira. Primeiramente, a inflação anual espanhola subiu de 2,3% em novembro para 3% em dezembro, tendo atingindo o maior patamar desde outubro de 2008. Já na Alemanha, CPI fechou o ano passado com elevação de 1,1% na comparação com 2009. Essa taxa é bem superior à inflação registrada entre 2008 e 2009, quando o indicador marcou alta de 0,4%.

Continua depois da publicidade

Brasil: orçamento
Com uma agenda interna sem indicadores relevantes, o destaque fica com as declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega sobre o corte orçamentário. Mantega afirmou a jornalistas nesta sexta-feira que o Ministério ainda não apresentou uma proposta para os cortes de orçamento prometidos no início do governo de Dilma Rousseff.

O ministro rebatia a reportagem da Folha de São Paulo que afirmava que o Ministério teria sugerido à presidente que a redução fosse de mais de R$ 40 bilhões, podendo atingir R$ 50 bilhões.

“Não há nenhum número. Os números não foram construídos ainda, portanto não procedem esses números que aparecem na imprensa. Não é R$ 20, nem R$ 30, nem R$ 40, nem R$ 50 [bilhões]. Quem falou pela Fazenda não está autorizado a fazer isso”, afirmou o ministro.

Continua depois da publicidade

Câmbio e renda fixa
O dólar comercial segue operando com forte alta de 1,02% nesta sexta-feira, cotado a R$ 1,686 na venda, com o mercado avaliando o leilão de swap cambial reverso do Banco Central e também o noticiário interno e externo.

Nesta sessão, o BC realizou um leilão de contratos de swap cambial reverso, modalidade que basicamente significa uma compra de dólar no mercado futuro. Todos os 20 mil contratos oferecidos foram vendidos. A medida vem de encontro às declarações do ministro da Fazenda Guido Mantega, que recentemente afirmou que o foco do Governo para o mercado de câmbio continuaria, mas direcionado para o mercado futuro.

Já os principais contratos de juros futuros da BM&F Bovespa operam em alta. Destaque para a expectativa interna que volta a mirar um aumento do juro básico na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que acontece na próxima semana.