Comentário diário

Ibovespa reverte alta pressionado por Operação Greenfield e em meio a feriado nos EUA

Mercado mostra volatilidade em dia de feriado nos EUA e após subir mais de 2% no último pregão

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SÃO PAULO – O Ibovespa zera ganhos nesta segunda-feira (5) entre a forte alta da Petrobras e as quedas expressivas de Vale e JBS. Mais cedo, o índice subia estendendo os ganhos da sexta-feira, quando o benchmark disparou mais de 2% com a redução das expectativas de dois aumentos de juros nos Estados Unidos e as notícias de investimentos bilionários dos chineses no Brasil. O pregão, no entanto, tem liquidez limitada, já que hoje é feriado de Dia do Trabalho nos EUA, de modo que as bolsas norte-americanas estão fechadas. Por aqui, a Operação Greenfield, da Polícia Federal, afeta grandes empresas como JBS e Bradesco.  

Às 15h32 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira caía 0,12%, a 59.545 pontos. Já o dólar comercial tem variação positiva de 0,54% a R$ 3,2708 na venda, enquanto o dólar futuro para outubro tem leve alta de 0,38% a R$ 3,297. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2018 opera estável a 12,54%, ao passo que o DI para janeiro de 2022 apresenta queda de 2 pontos-base a 11,93%. 

Segundo o economista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger, o cenário político hoje pesa do lado da Operação Greenfield da Polícia Federal, que traz um pouco de mau humor para o mercado. “De médio a longo prazo isso é muito bom para o País, mas é negativo no curto prazo porque pode frear a recuperação econômica por impactar grandes empresas”, afirma. Na avaliação de Brugger, isso se coaduna à estabilidade do cenário externo, quase sem notícias por conta do feriado nos EUA. “A semana está cheia de indicadores importantes, então os investidores ficam em compasso de espera”, afirma. 

Ações em destaque
A maior queda do pregão fica com os papéis da JBS (JBSS3, R$ 11,93, -4,18%). No radar, a Polícia Federal deflagrou na manhã desta segunda-feira a Operação Greenfield, que investiga supostos desvios nos quatro maiores fundos de pensão do Brasil. Os alvos são quatro dos maiores fundos de pensão do país: Funcef, Petros, Previ e Postalis, além da sede da Eldorado Brasil – empresa do grupo J&F – em São Paulo. Os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da J&F, holding que é proprietária da JBS, foram alvos de busca e apreensão e condução coercitiva. Até o momento, a assessoria de imprensa da empresa não se manifestou. As ações da JBS afundam na Bolsa hoje em meio à notícia.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 JBSS3 JBS ON11,93-4,18
 BRAP4 BRADESPAR PN10,65-1,66
 VALE3 VALE ON17,96-1,54
 CYRE3 CYRELA REALTON10,64-1,48
 MRVE3 MRV ON12,10-1,39

 

 

As ações da Vale (VALE3, R$ 17,95, -1,59%; VALE5, R$ 15,28, -1,36%), por sua vez, passam a registrar leves quedas após relatório do UBS, que cortou a recomendação da companhia de neutra para venda. Os ADRs (American Depositary Receipts) possuem o preço-alvo de US$ 4,20 por ativo. O movimento é seguido pelos papéis da Bradespar (BRAP4, R$ 10,65, -1,66%) – holding que detém participação na mineradora. Eles também são pressionados pela queda do minério de ferro (-0,25%) nesta sessão. A commodity cotada no porto de Qingdao, na China, encerrou o pregão a US$ 59,24 a tonelada.

Os analistas do UBS citam cinco razões para a correção dos preços do minério: desaceleração do apoio ao crédito, construção e demanda sazonalemnte mais baixas, oferta sazonalmente mais alta do minério, custo marginal maior e maior estoque. A expectativa é de que os preços do minério saiam dos US$ 59 a tonelada atuais para US$ 50 a tonelada no quarto trimestre deste ano e US$ 46 no quarto trimestre no ano que vem. A Vale também é afetada pelo real mais forte e menores ganhos no segmento de fertilizantes.

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As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 PETR3PETROBRAS ON16,06+2,75
 PETR4PETROBRAS PN13,83+1,92
 GGBR4GERDAU PN9,65+1,90
 USIM5USIMINAS PNA3,85+1,58
 RUMO3RUMO LOG ON7,32+1,53

 

Por outro lado, mais importante alta do dia, as ações da Petrobras (PETR3, R$ 16,06, +2,75%;PETR4, R$ 13,83, +1,92%) registram ganhos com a alta do petróleo estando o barril do WTI (West Texas Intermediate) com alta de 1,73% a US$ 45,21 ao mesmo tempo em que o contrato futuro para novembro do barril do Brent avança 1,50% a US$ 47,52. Além disso, o fundador de um dos maiores grupos de energia e infraestrutura do Brasil, o empresário Rubens Ometto Silveira Mello, presidente do conselho de administração do grupo Cosan (CSAN3, R$ 38,20, +0,45%), não descarta comprar ativos da Petrobras que sejam complementares aos seus negócios.

Sócio da Shell na Raízen (terceira maior distribuidora de combustíveis do País), controlador da Comgás (maior companhia de gás canalizado) e dono da Rumo ALL (maior ferrovia nacional), o empresário disse que “tem interesse em tudo” e está aguardando os planos de desinvestimentos da estatal para saber quais empresas poderiam ser negociadas.

Tudo, nesse caso, seriam ativos da área de distribuição de combustíveis – BR Distribuidora, líder nesse segmento -, logística e gás. “Refinaria é mais complexo. Estou esperando (a Petrobrás) divulgar o plano de desinvestimento estruturado para saber exatamente qual tipo de ativo vai ser vendido”, disse o empresário. A compra da BR Distribuidora, alvo de cobiça da Cosan e de outros grupos, teria um complicador: o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), por causa da concentração de mercado.

Manifestações 
Os protestos contra o governo do presidente Michel Temer reuniram 100 mil pessoas só na Avenida Paulista segundo os organizadores do movimento. Diante do tamanho da mobilização, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, admitiu que o protesto foi “substancial”, mas que representa uma parcela minoritária da população. “Já tivemos manifestações muito maiores, já tivemos manifestação de 1 milhão de pessoas”, declarou o ministro em entrevista na China, onde participou de reunião do G-20.

Apesar disso, as imagens do número de manifestantes e da repressão violenta da Polícia Militar de São Paulo aumentam a pressão, com o discurso do “golpe” ganhando adesão no exterior. Já há analistas que vejam a força do discurso dessa nova oposição como um empecilho para o avanço nas reformas econômicas.

O ajuste fiscal defendido por Meirelles encontra grande resistência em grupos do chamado “centrão”, sendo mais uma bandeira de partidos como o PSDB e o DEM, que aproveitaram a consumação do impeachment como oportunidade para endurecer o discurso contra as “liberalidades” a que o governo Temer se permitiu na questão fiscal desde que assumiu o poder. 

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Agenda política
Vale destacar também a ida do agora presidente Michel Temer à China. Temer fez no domingo, 4, sua estreia no cenário internacional com um discurso no qual exaltou a força das instituições democráticas do Brasil e o histórico de tolerância do país, que nos últimos dias viu protestos contra seu governo. Em encontro dos líderes das 20 maiores economias do mundo, Temer apresentou sua agenda de reformas e disse que o desafio mais urgente de sua gestão é o ajuste fiscal. Ele afirmou que o cenário internacional está “repleto de incertezas” que deprimem o crescimento. Entre elas, Temer mencionou a evolução do preço das commodities, o impacto de políticas monetárias de países desenvolvidos e a volatilidade dos mercados financeiros, além da ameaça do terrorismo.

Relatório Focus
Também tinha algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2016 foi de uma contração de 3,16% para uma maior, de 3,20%, mas foi elevada para 2017 de um avanço de 1,23% para 1,30%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 7,34% este ano, estável em relação ao projetado na semana passada.

O mercado também manteve as projeções para a taxa Selic no fim de 2016 em 13,75%. Para 2017, a expectativa é de que os juros básicos da nossa economia fechem o ano em 11%, contra 11,25% projetados anteriormente.

Rating do Brasil no fundo do poço
“Sob a nossa perspectiva, acreditamos que o rating provavelmente atingiu o fundo do poço”, disse James McCormack, chefe global de grupo soberano e supranacional da Fitch, em entrevista.

“Estamos esperançosos” de que o rating BB do Brasil esteja tão baixo quanto ele possa estar, afirmou McCormack em Cingapura.

Nova carteira do Ibovespa
Entra em vigor nesta segunda-feira a nova carteira do Ibovespa, que marca a saída da Cesp do índice. Além desta alteração, o IBrX 100 terá a retirada da Anima e da Linx, enquanto passarão a integrar o índice a Alpargatas PN, Fleury, Metal Leve e Tupy. Já no IBrX 50 a Bradespar e a TIM deixarão a carteira teórica enquanto a Energias do Brasil e a Rumo entram no índice.

Indicadores
A semana terá uma série de importantes indicadores, desta vez se distanciando um pouco dos Estados Unidos, que passam a esperar a reunião do Federal Reserve no fim do mês. Por aqui, na terça-feira será apresentada a ata da última reunião do Copom, que apesar de manter os juros começou a dar sinais sobre o primeiro corte na Selic. Além disso, na sexta-feira teremos os dados de inflação medidos pelo IPCA, que para os analistas consultados pela LCA Consultores deve recuar para 0,44% em agosto, contra 0,52% no mês anterior. No exterior, o destaque fica para o resultado do PIB do segundo trimestre na Zona do Euro na terça-feira (6) e para o Livro Bege nos EUA na quarta-feira (7).

A semana promete pode ser marcada por um volume mais fraco por conta de dois feriados. O primeiro já nesta segunda-feira, quando as bolsas nos EUA ficam fechadas por conta do feriado de Dia do Trabalho. Enquanto isso, aqui no Brasil o mercado não abrirá na quarta-feira por conta do dia da Independência.

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Cenário externo
Os mercados mundiais registram uma sessão de menor liquidez nesta segunda-feira por conta do feriado nos Estados Unidos do Dia do Trabalho; as bolsas por lá ficarão fechadas. Porém, as bolsas, principalmente as asiáticas, seguiram repercutindo os dados do mercado de trabalho dos EUA mais fracos do que o esperado divulgados na última sexta-feira, o que esfriou a aposta de corte de juros. Destaque ainda para os dados da China: após o PMI industrial chinês ficar levemente positivo, o PMI Caixin de serviços saiu neste domingo e ficou levemente acima do previsto: o indicador subiu para 52,1 em agosto, ante 51,7 em julho.

Já o PMI do setor de serviços do Reino Unido subiu para 52,9 em agosto, de 47,4 em julho, atingindo o maior nível desde maio, segundo dados publicados hoje pela Markit Economics em parceria com a CIPS. O avanço mensal de 5,5 pontos, é o maior na série histórica de 20 anos do indicador e a leitura acima de 50,0 mostra que o setor de serviços britânico voltou a se expandir no mês passado. Enquanto isso, o japonês Nikkei tem ganhos após Haruhiko Kuroda, presidente do BOJ, dizer no domingo que não deve haver redução dos estímulos e que novas ideias não devem ser descartadas. O grande destaque, contudo, fica para a forte alta dos preços do petróleo, que avançam enquanto Arábia Saudita se prepara para anúncio “significativo” após discussões com Rússia sobre estabilização do mercado.