Ibovespa respira com alta de 0,56%, com bancos e construtoras “vencendo” siderúrgicas

Apesar do avanço, tendência do índice ainda é de queda no curto prazo; Oi sobe 2,8% após aprovação do Cade, enquanto Petrobras tem novo dia de perdas

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SÃO PAULO – Após mais um dia de perdas na véspera, o Ibovespa voltou a respirar nesta terça-feira (14), ao fechar com alta de 0,56%, a 49.703 pontos, impulsionado sobretudo pelas altas das empresas dos setores financeiro e imobiliário, que venceram a queda de braço com as siderúrgicas que tiveram um dia negativo. O benchmark da bolsa brasileira acompanhou o desempenho das principais bolsas do exterior, que também tiveram um dia de ganhos. Esta sessão marca ainda o primeiro dos dois dias de reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que definirá sobre o novo patamar da taxa de juros. O volume financeiro negociado nesta sessão foi de R$ 5,47 bilhões na Bovespa.

Para o assessor de investimentos da Monte Bravo Investimentos, Bruno Madruga, apesar da alta, o índice segue em tendência de queda. “A tendência do Ibovespa é claramente baixista, com perdas de fundos importantes para a análise técnica do mercado. O que vemos nesta sessão é mais um repique após a queda da véspera”, observou. Mesmo com o avanço de hoje, o Ibovespa ainda acumula queda de 3,5% em 2014, além de também já ter recuado 15,5% nos 12 meses do ano passado.

Em Wall Street, os três principais índices acionários registram alta, com os investidores também repercutindo o acordo firmado com o congresso dos EUA para financiar o governo federal até 30 de setembro. Vale destacar que, na véspera, as bolsas do país tiveram o seu pior desempenho desde setembro, com os investidores ainda digerindo os dados de emprego fraco e à espera por mais resultados corporativos.

Copom deve elevar Selic – de novo
No radar doméstico, destaque para o início da reunião do Copom, que deve definir uma nova alta para a Selic já na próxima quarta-feira (15), atualmente em 10% ao ano, além dos números do emprego industrial no país, que fica estável em novembro ante outubro. Segundo Madruga, a expectativa de um novo aumento na taxa básica de juros já está refletida na bolsa brasileira. “A ata do Copom já está precificada. A expectativa do mercado é de aumento de 0,5 ponto percentual, para 10,5% ao ano”, afirmou.

A expectativa refletiu nos contratos de DI, em alta por 5 dias seguidos: de 10,52% para 10,77%. Embora uma Selic maior possa atrair mais dólares para o país – o que poderia configurar um cenário que queda para a divisa -, a moeda americana segue em movimento de alta, uma vez que a tendência de retirada da política de etímulos do Federal Reserve reduz a liquidez do dólar e inibe a manutenção do fluxo de investimentos em países emergentes, como o Brasil. Além disso, a iminente alta na taxa de juros americana contribui para uma inversão nos investimentos estrangeiros, que devem ter volume reduzido por aqui.

Bancos e imobiliárias vencem braço de ferro com siderúrgicas
No pregão, contribuindo para a alta do índice apareceram as ações de Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,27, +2,51%), Itaú (ITUB4, R$ 31,18, +1,30%) e Santander (SANB11, R$ 14,22, +1,43%), além das imobiliárias Cyrela (CYRE3, R$ 15,00, +3,66%) – respondendo os bons dados operacionais do quarto trimestre, assim como a Even (EVEN3, R$ 7,92, +2,19%) – e Rossi (RSID3, R$ 1,92, +2,13%).

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Ainda na ponta de cima, também merecem destaque a alta das ações do setor de telefonia, em meio ao noticiário movimentado para o setor. As ações da Oi (OIBR4, R$ 4,40, +2,80%) são destaque de alta do Ibovespa, após o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovar, sem restrições, a fusão da companhia com a Portugal Telecom. Enquanto isso, a TIM Participações (TIMP3) registrou alta de 0,68%, a R$ 13,39, após a agência de notícias italiana Ansa informar que o bilionário mexicano Carlos Slim, controlador da América Móvil, pode fazer uma oferta pela companhia.

A Estácio (ESTC3, R$ 19,80, +3,13%) também se destacou como uma das maiores altas em meio ao descredenciamento de duas universidades concorrentes no Rio de Janeiro, o que deve impulsionar a demanda pelos serviços prestados pela companhia.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CYRE3 CYRELA REALT ON 15,02 +3,80 +4,31 91,02M
 QUAL3 QUALICORP ON 20,90 +3,47 -7,11 44,35M
 CSAN3 COSAN ON 38,74 +3,22 -2,12 37,50M
 BBAS3 BRASIL ON 23,42 +3,17 -4,02 111,79M
 ESTC3 ESTACIO PART ON 19,80 +3,13 -2,99 45,04M

Por outro lado, as ações de blue chips, como Petrobras (PETR3, R$ 14,65, -0,41%; PETR4, R$ 15,70, -0,44%) e siderúrgicas registraram queda. As ações da Gerdau (GGBR4, R$ 17,18, -2,66%) foram um dos destaques do setor, seguidas pela CSN (CSNA3, R$ 13,67, -1,73%) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 21,66, -2,12%). As siderúrgicas repercutiram os dados das exportadoras americanas, que assustaram os investidores brasileiros no setor, além do recuo do dólar e a recuada no preço do minério, conforme apontou o analista Bruno Madruga.

Outra em leve queda foi vista nas ações da a Petrobras (PETR3, R$ 14,68, -0,20%; PETR4, R$ 15,75, -0,13%), que juntamente com a Vale (VALE3, R$ 32,02, -0,06%; VALE5, R$ 29,80, 0,00%) contribuem para o cenário de tendência de queda da bolsa brasileira, segundo Madruga.

As maiores perdas do dia foram vistas nos papéis da ALL Logística (ALLL3, R$ 6,81, -2,71%), em queda, após uma forte sequência de altas com o possível venda do controle da companhia para a Rumo Logística, controlada da Cosan (CSAN3, R$ 38,74, +3,22%).

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As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ALLL3 ALL AMER LAT ON 6,81 -2,71 +3,81 27,50M
 GGBR4 GERDAU PN 17,20 -2,55 -6,22 184,37M
 CSNA3 SID NACIONAL ON 13,63 -2,01 -5,22 72,76M
 GOAU4 GERDAU MET PN 21,78 -1,58 -6,92 24,09M
 FIBR3 FIBRIA ON 26,13 -1,21 -5,50 29,78M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 29,80 0,00 456,53M 410,96M 20.044 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 31,24 +1,49 401,73M 329,08M 18.009 
 PETR4 PETROBRAS PN 15,70 -0,44 253,98M 338,46M 20.090 
 SANB11 SANTANDER BR UNT N2 14,28 +1,85 212,21M 35,88M 23.076 
 CIEL3 CIELO ON 66,70 -0,99 188,85M 120,00M 4.545 
 GGBR4 GERDAU PN 17,20 -2,55 184,37M 102,23M 17.924 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 27,67 +0,91 173,09M 187,61M 12.648 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 10,23 +1,39 165,42M 135,95M 20.236 
 VALE3 VALE ON 32,02 -0,06 139,16M 136,23M 10.800 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 17,25 +1,23 121,93M 155,48M 15.785 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

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Ásia e Europa
Na Ásia, o grande destaque ficou para o índice Nikkei, do Japão, que recuou para baixo de 15.400 pontos pela primeira vez desde 18 de dezembro e fechou com queda de 3,1%, a maior baixa diária desde agosto. Vale ressaltar que a bolsa japonesa esteve fechada na véspera por conta de um feriado nacional, passando a repercutir nesta data os dados fracos da economia norte-americana.

Porém, o grande fator para a queda do índice japonês deve-se ao fortalecimento da moeda nacional, o iene, frente ao dólar, prejudicando assim as ações de empresas exportadoras. Além disso, destaque para o déficit comercial recorde do país em novembro, que também teve influência negativa para os investidores.

Na contramão, as bolsas chinesas fecharam em alta após sessões seguidas de queda em um movimento técnico. O índice Shangai Composto teve ganhos de 0,9% e o Shenzen Composto, alta de 2%.

Na Europa, os dados de inflação ao consumidor no Reino Unido chamaram atenção, com alta de 0,4% em dezembro ante novembro, abaixo do esperado, de 0,6%. O grande destaque, contudo, fica com os dados da indústria da zona do euro, que foram destaque positivo ao registrar alta de 1,8% em novembro ante outubro, acima da expectativa de alta de 1,4%. Chama atenção ainda a intensificação da temporada de resultados, com destaque para o francês Casino.

Na França, o presidente Francois Hollande participará de uma conferência, onde é esperado que ele apresente mais planos para impulsionar a economia do país, que anda a um ritmo bastante lento.


Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.