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Ibovespa resiste a pressão do exterior e fecha em alta pelo 4º pregão consecutivo; dólar sobe 5% na semana

Mercado termina a sessão e a semana com ganhos

SÃO PAULO – O Ibovespa resistiu à pressão das bolsas americanas nesta sexta-feira (19) e fechou em alta pelo quarto pregão consecutivo, acumulando ganhos de 4,07% na semana. O principal driver dos últimos dias foi a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de cortar a Selic em 0,75 ponto percentual e deixar a porta entreaberta para mais uma redução na taxa na próxima reunião.

Com isso, os investimentos em Bolsa ganharam ainda mais atratividade em relação à renda fixa, o custo de capital das empresas caiu e o diferencial de juros entre o que pagam os títulos públicos e privados brasileiros e o que pagam os títulos de países desenvolvidos como os Estados Unidos diminuiu.

Isso apesar de estimular a Bolsa gerou uma forte pressão sobre o câmbio, que resultou em uma valorização de 5,41% do dólar sobre o real na semana.

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Falando especificamente desta sexta, o Ibovespa subiu apesar da queda das bolsas americanas. Os índices Dow Jones e S&P 500 recuaram 0,8% e 0,56% respectivamente em meio a notícias de que a Apple está fechando novamente lojas na Florida e no Arizona por conta dos temores com a segunda onda do coronavírus.

Por outro lado, os investidores repercutiram de maneira positiva a reunião dos líderes das 27 economias da União Europeia para discutir um programa de estímulo de 750 bilhões de euros (equivalente a US$ 840 bilhões) para ajudar no processo de recuperação econômica das economias da região.

Não houve consenso sobre um acordo. Porém, Michel Michel, chefe da Comissão Europeia, disse que a primeira discussão foi bastante positiva e que muitos líderes destacaram que um acordo será atingido em breve, até agosto.

O Ibovespa teve hoje leve alta de 0,46% a 96.572 pontos com volume financeiro negociado de R$ 35,555 bilhões.

Enquanto isso, o dólar comercial caiu 0,99% a R$ 5,3167 na compra e a R$ 5,3182 na venda. Já o dólar futuro para julho opera em queda de 1,29% a R$ 5,312 no after-market.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 caiu oito pontos-base a 3,02%, o DI para janeiro de 2023 teve queda de oito pontos-base a 4,16% e o DI para janeiro de 2025 recuou um ponto-base a 5,86%.

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Ainda em destaque estiveram as notícias sobre as negociações entre EUA-China. Na quinta-feira, o presidente americano, Donald Trump, ameaçou mais uma vez cortar os laços com a China, embora o próprio representante comercial dos Estados Unidos, tenha sugerido que isso seria uma medida inviável.

Por outro lado, a China disse que planeja acelerar compras de produtos agrícolas americanos para cumprir o acordo comercial da primeira fase, o que repercutiu positivamente nos índices futuros americanos.

Também lá fora, o mercado americano teve hoje o vencimento quádruplo de futuros e opções de índices e ações, o que gerou volatilidade nas bolsas.

No Brasil, o cenário político foi dominado pela repercussão da prisão ontem de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), em Atibaia (SP). Também ontem o ministro da Educação, Abraham Weintraub, anunciou sua demissão e foi indicado para a vaga brasileira no Banco Mundial.

Âncora fiscal

O Ministério da Economia prepara um plano para estabelecer mais uma âncora fiscal para o país. Dessa vez, seria a vez do endividamento público, segundo reportagem do jornal “Folha de S.Paulo“.

A ideia será apresentada pela equipe econômica a Paulo Guedes. O Brasil já conta hoje com duas âncoras fiscais: as metas de inflação e a meta de resultado primário.

O objetivo é sinalizar a investidores que o governo segue empenhado com o ajuste fiscal. O endividamento deve terminar o ano em torno de 92% do PIB. A ideia é estabelecer formas de reduzir essa dívida a partir do próximo ano.

Tensão política

O governo de Jair Bolsonaro precisa lidar com mais uma crise que levou para dentro do Palácio do Planalto. Dessa vez, encarar o envolvimento do advogado da família, Frederick Wassef, com Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flavio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e suspeito de envolvimento em um esquema de “rachadinhas” na Assembleia Legislativa.

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Queiroz foi preso na quinta pela manhã em um imóvel de Wassef, onde estaria há mais de um ano.

Na noite de quinta-feira, em transmissão pela internet, Bolsonaro afirmou que Queiroz não estava foragido e não havia mandado de prisão contra ele e que, por isso, a prisão do ex-assessor do filho havia sido “espetaculosa”.

Junto a essa crise, o governo lida ainda com o inquérito das fake news em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), os pedidos de cassação da chapa, investigações sobre a interferência na Polícia Federal e o avanço do coronavírus no país, quando o número de casos confirmados se aproxima da marca de 1 milhão e o de mortes já totaliza mais de 47 mil. Há mais de um mês o Ministério da Saúde está sem ministro.

Panorama corporativo

Mais uma oferta de ações está em preparação. A Metalfrio anunciou, na quinta-feira à noite, que considera realizar uma oferta pública de ações.

O BTG Pactual, Santander, Bradesco BBI e BB Banco de Investimentos foram contratados para atuarem como coordenadores. Ainda não há definição sobre volume ou o cronograma da oferta.

E apesar do avanço do coronavírus no país, a CVC espera retomar 100% das suas atividades a partir de 1º de julho. Segundo o jornal “Valor Econômico”, Leonel Andrade, presidente da CVC, disse que o grupo aproveitou a quarentena para acelerar a digitalização da companhia.

A companhia também prepara um plano de capitalização que, segundo estimativas de mercado, pode chegar a R$ 1 bilhão. Andrade espera ter uma conclusão desse plano nos próximos 15 dias. A CVC começou a reabrir lojas neste mês. Na quarta-feira, eram 928. Ao todo, são 1.400.

Maiores altas

AtivoVariação %Valor (R$)
MRVE36.3766417.85
HAPV35.6384763.7
QUAL34.7292429.01
SULA114.4810245.7
PCAR33.7333768.63

Maiores baixas

AtivoVariação %Valor (R$)
CSNA3-3.7768211.21
FLRY3-3.4230825.11
BRDT3-2.8846222.22
BRAP4-2.827936.08
MRFG3-2.8210813.09

Já o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), anunciou na quinta-feira que o novo marco regulatório do saneamento básico deverá ser votado, em plenário virtual, na próxima quarta-feira.

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O projeto abre caminho para a privatização do serviço e estabelece metas a serem cumpridas para os próximos anos. O texto já foi aprovado pela Câmara.

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