Ibovespa renova máxima histórica e “risco-calote” atinge menor patamar desde setembro de 2014

Mercado reage com alta das blue chips, mas investidores acompanham de perto o futuro do quadro fiscal

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SÃO PAULO – Depois de iniciar o dia em baixa, o Ibovespa voltou a ganhar força no começo da tarde e renovou sua máxima histórica por volta das 13h30 (horário de Brasília), agora cravada em 79.220 pontos, marcando ligeira alta de 0,05%, aos 79.095 pontos às 13h53, movimento guiado pela alta das blue chips, em especial do setor siderúrgico e de Vale (VALE3) em vista da alta do minério de ferro.

Em meio ao clima de menor aversão ao risco e a fluxo dos investidores estrangeiros, que já acumulam neste ano saldo positivo de R$ 1,2 bilhão na bolsa, o CDS (Credit Default Swaps) de 5 anos, um dos mais importantes índices de risco do mercado financeiro, segue com sua trajetória de queda e acumula nesta segunda-feira (8) a 12ª queda consecutiva, atingindo 146 pontos e caminhando para o menor patamar desde setembro de 2014. Caso consolidada, essa será a maior sequência de baixa desde 2012.

Confira os destaques do Guia Onde Investir desta segunda-feira:
GUIA INFOMONEY: As 11 ações para investir neste começo de 2018
A boa e a má notícia para o Brasil em 2018, segundo Zeina, Loyola, Figueiredo e Kawall

Quer saber quais são as perspectivas para esse ano? Confira o guia Onde Investir 2018. Para ver o nosso conteúdo completo, clique aqui.

Na prática, CDS é percepção de risco. E quando estamos falando de um país, essa cesta engloba, basicamente, as perspectivas econômicas do mercado, comportamento futuro do câmbio e taxa de juro, como a capacidade de honrar as dívidas. Daí a analogia de “risco-calote” e sua importância para os investidores, em especial aos estrangeiros, fatia importante no nosso mercado.

Um Risco-País baixo, que é o caso do Brasil neste momento, reduz os temores sobre todas as variáveis listadas no primeiro parágrafo e altera (positivamente) o humor do investidor estrangeiro, fatia importante na B3. Nesse momento, com o “risco-calote” nas mínimas, a interpretação é de que investir no Brasil tornou-se menos arriscado e isso abre espaço para uma melhor de percepção sobre o rumo do País, refletindo, diretamente no comportamento das ações e do Ibovespa, assim como no câmbio, que recua em vista do maior fluxo pelos investidores estrangeiros.

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De olho na Previdência
Em busca de mais apoio e tentar reverter pelo menos dez votos de deputados que se disseram indecisos com a aprovação da reforma, Temer avalia igualar as regras de aposentadoria dos agentes penitenciários às dos policiais federais e legislativos. Na nova norma os agentes penitenciários passariam a ter idade mínima de 55 anos para aposentadoria, em proposta que já foi discutida em maio na Câmara, mas não avançou. Pelas flexibilizações feitas até o momento, a economia prevista com a reforma será de 60% do valor original, ao passo que uma nova mudança deixaria ainda mais enxuta a proposta e levanta dúvidas sobre sua eficiência em aliviar as contas do governo, condição importante para o futuro do rating brasileiro.

Além disso, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou ser contrário a suspensão pura e simples da “regra de ouro”, enquanto o governo prepara uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) para alterar a norma. Como já anunciado durante a semana, Meirelles defende a criação de mecanismos que sejam autorreguláveis, como cortes de despesas, subsídios e congelamento de gastos. Como Meirelles afirma que haverá o cumprimento da regra de ouro em 2018, a flexibilização seria válida para o próximo presidente, a partir de 2019.

A proposta em discussão entre técnicos da equipe econômica e da Câmara prevê uma suspensão temporária da regra, mas em troca haveria vedações de gastos, como a renovação de incentivos fiscais, além de reajustes e novas contratações de servidores. Segundo a Folha, esta manifestação de Meirelles irritou Rodrigo Maia, que afirmou que não haverá debate da regra de ouro na Câmara este ano. A “regra de ouro” proíbe que o governo faça operações de crédito – empréstimos – para bancar despesas correntes, como é o caso de custeio da máquina pública; descumprimento implica crime de responsabilidade do presidente e pode resultar em impeachment.

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Destaques do mercado

Do lado negativo, destaque para as ações da Kroton (KROT3), que recuam depois de acumular quatro semanas consecutivas de alta, enquanto os papéis do setor siderúrgico lideram as altas na esteira do minério de ferro e ainda refletindo o reajuste de até 23% no preço do aço para o setor automobilístico na última quinta-feira (4)

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CSNA3 SID NACIONALON 9,88 +4,11 +17,90 81,31M
 SUZB3 SUZANO PAPELON 19,17 +2,79 +2,57 33,73M
 CPFE3 CPFL ENERGIAON 19,13 +2,08 -1,14 8,26M
 FIBR3 FIBRIA ON 48,34 +1,77 +1,02 76,42M
 VALE3 VALE ON 42,94 +1,54 +6,66 327,76M

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 KROT3 KROTON ON 18,12 -3,15 -1,52 41,51M
 PCAR4 P.ACUCAR-CBDPN 75,77 -2,31 -4,00 33,01M
 FLRY3 FLEURY ON EJ 28,24 -2,01 -4,20 7,86M
 QUAL3 QUALICORP ON 31,02 -1,99 +0,06 29,54M
 MRFG3 MARFRIG ON 7,14 -1,92 -2,46 3,16M
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Agenda de indicadores
No Brasil, o destaque da semana fica por conta do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que será divulgado na quarta-feira (10) às 9h. Segundo a GO Associados, o dado deve ficar em 0,28% em dezembro e encerrando o ano em 2,79%, inferior ao piso da meta do Banco Central de 3%. Se isso ocorrer, será o menor nível da inflação no País desde 1998, quando terminou o ano em 1,65%.

Entre os outros que serão apresentados, haverá ainda o indicador de vendas no varejo na terça-feira (9) às 9h. A projeção é que novembro mostre estabilidade em relação ao mês anterior, enquanto para os dados do setor de serviços, que saem na sexta-feira (12), a expectativa é de avanço na passagem mensal, influenciado pela recuperação da indústria.

Nos Estados Unidos, os destaques são os dados de inflação ao consumidor e vendas no varejo referentes ao mês de dezembro, ambos divulgados na sexta-feira (12). Segundo a GO Associados, a combinação entre um bom crescimento econômico, aliado a uma baixa taxa de inflação, tem aumentado a confiança dos investidores e sustentando o otimismo das bolsas. A expectativa é que os dados de dezembro reforcem este cenário, fato que mantém a perspectiva de aumento gradual dos juros.

Já na Zona do Euro, também serão divulgados vários dados de atividade ao longo da semana. Na segunda-feira serão revelados o desempenho do setor de varejo, enquanto no dia seguinte será publicada a taxa de desemprego, sendo que na quinta-feira (11) teremso a produção industrial, todos dados de dezembro. A região também tem mostrado recuperação da atividade, dessa forma, os dados que serão divulgados ao longo da semana são importantes para calibrar a velocidade de crescimento no bloco econômico, afirma a GO.

Noticiário político

O noticiário político é bastante movimentado. Em destaque, está a repercussão sobre a ida do presidenciável Jair Bolsonaro ao PSL, enquanto os liberais do Livres abandonaram a sigla. Além disso, no último fim de semana, ganhou destaque a notícia da Folha de S. Paulo sobre o patrimônio de R$ 15 milhões dos Bolsonaros, incluindo o deputado e seus três filhos. O deputado rebateu a notícia usando o parecer de Rodrigo Janot. Em 2015, a Procuradoria-Geral da República recebeu uma denúncia questionando os valores informados por Bolsonaro em relação às suas duas casas da Barra, no Rio de Janeiro. O então procurador-geral arquivou expediente dizendo que os valores eram os mesmos do Imposto de Renda.

Ainda em destaque, a Folha de S. Paulo ressalta que o  governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), reforçou sua posição como candidato à presidência do campo governista, mas precisa emplacar entre 10% e 15% até abril nas pesquisas de intenção de voto para deslanchar a sua campanha, segundo avaliação de estrategistas tucanos e de siglas aliadas ao governo.

Atenção ainda aos esforços do governo para aprovar a reforma da previdência. A coluna Painel, da Folha, destaca que Temer vai a programas do SBT para explicar a proposta. Contudo, apesar dos esforços, dirigentes de legendas da base aliada apontam que será  difícil aprovar a reforma em fevereiro. Segundo o jornal, eles calculam que faltam 30 votos que o governo não tem de onde tirar.

Bolsas mundiais

Na Ásia, a sessão foi novamente de ganhos, estendendo o rali que teve início na semana passada com expectativas de que a economia global se manterá em sólida trajetória de recuperação este ano. No começo dos negócios, porém, os mercados chineses ficaram pressionados depois de Pequim anunciar regras mais duras para o setor bancário para evitar uma bolha de crédito. Nos EUA, as bolsas registram ligeira queda, realizando os ganhos recentes.

Pela manhã, por volta das 10h00 (horário de Brasília), um incêndio atingiu o topo da Trump Tower, em Nova York, arranha-céu de propriedade de Donald Trump e alterou o rumo do mercado, que consolidou o movimento de queda. De acordo com a polícia de Nova York, as chamas já estão controladas e não foram registrados feridos, sendo que o presidente dos EUA está na Casa Branca neste momento. O edifício do presidente dos EUA tem 58 andares e justamente na cobertura do prédio fica a residência não oficial de Trump.

No mercado de commodities, o petróleo negociado em Nova York permanece acima de US$ 61 com baixa das perfurações nos EUA reforçando otimismo sobre redução da oferta, enquanto os contratos futuros de minério de ferro negociados na China avançaram, impulsionando as ações do setor de mineração em Londres.

Às 13h53, este era o desempenho dos principais índices:

*Dow Jones (EUA) -0,15%

*S&P 500 (EUA) -0,06%

*Nasdaq (EUA) +0,08%

*CAC-40 (França) +0,33%

*FTSE (Reino Unido) -0,35%

*DAX (Alemanha) +0,35% 

*FTSE MIB (Itália) +0,06%

*Hang Seng (Hong Kong) +0,28% (fechado)

*Xangai (China) +0,54% (fechado)

*Nikkei (Japão) +0,89% (fechado)

*Petróleo WTI +0,54%, a US$ 61,77 o barril

*Petróleo brent +0,24%, a US$ 67,78 o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian +2,97%, a 555,5 iuanes (nas últimas 24 horas)

*Bitcoin -8,84%, a R$ 51.050 (confira a cotação da moeda em tempo real)

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