Ibovespa registra nova queda, em meio à pressão da China e EUA

Enquanto China aponta para cautela em possíveis novos estímulos, pressão nas bolsas dos EUA aumenta com forte venda de ações do setor de tecnologia; Petrobras e Vale caem novamente
(Shutterstock)
(Shutterstock)

Publicidade

SÃO PAULO – O Ibovespa abre em queda pela sua quarta sessão seguida, com China e EUA no radar. O índice registra, às 10h04 (horário de Brasília) queda de 0,71%, a 50.763 pontos, pressionado pelos dados nada animadores da China e pelas expectativas de que não haverá novos estímulos tão cedo no país e também pela forte baixa dos índices norte-americanos.

Além disso, a ata do Copom (Comitê de Política Monetária) divulgada na véspera indicando manutenção da Selic enquanto inflação segue pressionada segue repercutindo. A expectativa é de que, após a divulgação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de março, o Copom mude o discurso. Com isso, imobiliárias registram perdas. Destaque ainda para a Petrobras (PETR3;PETR4), que possui uma das maiores perdas do índice, com queda de 1,91% para os ativos ON e de 1,47% para os papéis PN. 

No mercado externo, os principais índices acionários do mundo têm queda após vendas generalizadas nas bolsas norte-americanas na véspera, com a Nasdaq vendo baixas com as fortes vendas de ações do setor de tecnologia, que também se espalhou para os outros setores, em meio ao início da temporada de resultados do quarto trimestre. Os números do banco JPMorgan não animaram e devem registrar expressiva queda, enquanto os resultados do Wells Fargo animaram. 

Na China, dados econômicos, com destaque para o índice de preços, também não animaram os investidores neste pregão. Os preços ao consumidor no gigante asiático cresceram 2,4% em relação ao mês anterior, ficando em linha com as expectativas. Mas os preços ao produtor atingiram queda de 2,3% no ano. Porém, o grande vetor desta sessão fica para a fala do vice presidente do Banco Central da China, Yi Gang, que afirmou que o governo chinês e o banco central devem ser “muito cautelosos” ao implementar qualquer programa de estímulo. Com isso, as ações de mineradoras e siderúrgicas registram baixa nesta sessão. Os ativos da Vale (VALE3;VALE5) têm baixa de cerca de 1%, enquanto CSN (CSNA3, R$ 9,04, -0,88%) e Usiminas (USIM5, R$ 9,02, -0,88%).

Já no noticiário corporativo brasileiro, destaque para o fim da temporada de resultados no Brasil. A Brookfield Incorporações (BISA3), que está em processo de OPA (Oferta Pública de Aquisição) registrou o quinto trimestre consecutivo de prejuízo, pior do que a estimativa de analistas por uma larga margem, continuando a lutar com cancelamento de vendas e depreciação de ativos no quarto trimestre. A construtora e incorporadora divulgou na noite de quinta-feira um prejuízo líquido de R$ 425 milhões no quarto trimestre, em comparação com uma perda revisada de R$ 29,6 milhões um ano antes. As ações da companhia registram queda de 1,43%, a R$ 1,38. 

Chama atenção ainda as perdas da Sabesp (SBSP3), com queda de 4,11%, a R$ 20,04, após a Arsesp ter cancelado a publicação da revisão tarifária, conforme era previsto pelo cronograma oficial.

Continua depois da publicidade

Também vale ficar de olho nas ações do setor de energia, que registram leve alta. Cabe ressaltar que a PSR, uma das principais consultorias do setor elétrico do País, recomenda que o Brasil implemente um racionamento de 8% da demanda de energia entre maio e novembro deste ano, caso a previsão atual do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) sobre chuvas para o final de abril se concretize. 

A consultoria, que reviu mais uma vez o risco de racionamento, em relatório encomendado pelo Brasil Plural, trabalha com um volume projetado de chuvas para este mês de 74% da média histórica, com base em previsões do ONS. Entretanto, o banco alerta que esse cenário pode ser ainda pior. Na primeira semana de abril, o nível já estava em 72% e a tendência de chuva ao longo do mês deve refletir gradualmente a um declínio (a segundo metade de abril deve ficar 20% abaixo da média da primeira), comentaram os analistas Francisco Navarrete, Tatiane Shibata e Arthur Pereira. 

Nikkei e Europa em baixa
O Nikkei, benchmark do Japão, caiu 2,3% e encerrou abaixo dos 14 mil pontos pela primeira vez desde de outubro. O iene mais forte frente ao dólar também ajudou para queda na bolsa japonesa, com as empresas exportadoras sendo pressionadas. O índice de Shangai Composto terminou com queda menos acentuada e registrou perdas de 0,2%. O benchmark tinha atingindo seu maior nível em quase dois anos no pregão anterior.

Continua depois da publicidade

Na Europa, os índices acionários iniciam o dia seguindo as perdas das bolsas norte-americanas e asiáticas, depois de um grande “Sell Off” no setor de tecnologia. Dados econômicos divulgados na Alemanha, mostrando que o índice de inflação ficou em linha com as estimativas do mercado, porém não deixou os investidores otimistas.