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SÃO PAULO – Digerindo uma rodada movimentada de resultados trimestrais corporativos e com os investidores precificando uma mudança de cenário para a economia, o Ibovespa opera nesta quarta-feira (6) em queda. Perdendo forças no início da tarde, o índice cai 1,03% por volta das 13h35 (horário de Brasília), 53.276 pontos.
Desde a última semana de outubro até agora, o índice está congestionado entre 55.000 e 53.500 pontos, mostrando certa indefinição dos investidores em relação ao “novo cenário” que está se formando na economia tanto brasileira quanto norte-americana. Por aqui, a deterioração das contas públicas brasileiras colocando a nota de crédito soberano do País em xeque e a perspectiva de uma Selic cada vez mais alta tem ficado em evidência. Já nos EUA, espera-se o resultado de importantes indicadores econômicos nesta semana para saber quando o Federal Reserve iniciará a retirada do programa de estímulos econômicos.
Se na Bovespa o cenário ainda mostra indefinição, o mesmo não é visto em outros mercados. No câmbio, o dólar comercial segue firme a sua escalada e fechou a última terça-feira (5) a R$ 2,2893 na venda – alta de 1,98% -, voltando a se aproximar dos R$ 2,30 – patamar não atingido desde 11 de setembro deste ano. Enquanto isso, os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2017 viram suas taxas saltarem de 11,62% para 11,87% nos últimos dias.
Imobiliárias em destaque
Na pauta de resultados, destaque para os balanços do setor imobiliário, que trouxeram reações exatamente opostas para duas grandes companhias do setor: Gafisa (GFSA3) e PDG (PDGR3). Enquanto a primeira vê suas ações subirem neste momento 3,46%, a R$ 2,99, a segunda aparece como uma das maiores quedas do índice – variação negativa de 6,40%, a R$ 1,90 cada papel.
A Gafisa divulgou um lucro líquido de R$ 15,78 milhões no terceiro trimestre, 225,9% acima do registrado no mesmo período do ano passado. Segundo a XP Investimentos, o bom crescimento do Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) e da receita na comparação com o 2º trimestre deste ano foram vistos de maneira positiva, embora o resultado do segmento Tenda continue pressionando o grupo – este segmento reportou prejuízo de R$ 60,95 milhões entre julho e setembro, informa a Gafisa.
A PDG Realty, por sua vez, reverteu o lucro de um ano atrás e registrou prejuízo líquido de R$ 129,97 milhões no terceiro trimestre. Enquanto isso, a receita caiu 33,7%, para R$ 1,07 bilhão. Os números da companhia continuando trazendo preocupações aos investidores, avalia o Credit Suisse em relatório divulgado após o balanço.
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Os mercados brasileiros seguem na expectativa pelo resultado da Vale (VALE3;VALE5), a ser divulgado após o fechamento do mercado; os analistas esperam que a mineradora, que possui uma das maioresparticipações na carteira teórica do índice, deve mostrar um forte crescimento de lucro líquido tanto na comparação anual como trimestral.
Expectativa nos EUA, na China…
Nos Estados Unidos, os investidores seguem no aguardo de sinalizações sobre quando o Federal Reserve deverá começar a redação do programa de compras mensais de títulos públicos de até US$ 85 bilhões, conhecido como QE3 (Quantitative Easing 3). Na agenda local, será divulgado na quinta-feira o PIB (Produto Interno Bruto) do 3º trimestre, enquanto na sexta-feira sairá o relatório de emprego de outubro.
Já no próximo sábado, destaque para o início da reunião do Partido Comunista Chinês, que será um importante vetor para determinar os rumos da economia do gigante asiático. Vale destacar que, na véspera, após o fechamento do mercado, o Banco do Povo da China alertou em seu relatório trimestral da política monetária que os preços ao consumidor devem subir mais do que o esperado no quarto trimestre.
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… e na Europa
Na Europa, enquanto avaliam o resultado negativo do Índice de Gerentes de Compras (PMIs, na sigla em inglês), que “levanta preocupações de que a retomada esteja falhando e coloca mais pressão sobre o BCE (Banco Central Europeu) para revigorar a recuperação”, aponta o Markit Economics. Com isso, cresce a expectativa de que o BCE, que iniciará a reunião de política monetária nesta data e a encerrará na próxima data, corte a taxa de juros. A desaceleração da inflação para 0,7% em outubro, perto da mínima em quatro anos e bem abaixo de sua meta de perto de 2%, colabora para essa percepção. O BoE (Banco da Inglaterra) também encerrará sua reunião na próxima quinta-feira.
Na Alemanha, boas notícias: o aumento das novas encomendas ajudou o setor privado a crescer pelo sexto mês seguido em outubro, em um sinal de que a maior economia da Europa está se expandindo de forma estável no quarto trimestre. Já as vendas do varejo da zona do euro caíram 0,6% em setembro na comparação com agosto, numa queda acima da esperada pelo mercado, que esperava uma baixa de 0,4%.