Ibovespa recua e dólar sobe com Trump voltando a assustar o mercado

Após renúncia de assessor da Casa Branca, mercado voltou a ficar assustado com possível guerra comercial

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SÃO PAULO – O Ibovespa recuava 0,22%, aos 85.465 pontos, às 10h36 (horário de Brasília) desta quarta-feira (7), acompanhando o movimento de correção das bolsas internacionais, com plano do presidente norte-americano Donald Trump de sobretaxação do aço e alumínio voltando a assustar o mercado após o assessor econômico da Casa Branca, Gary Cohn, renunciar do cargo. Destaque também para as ações da Smiles (SMLS3), que recuam forte após corte de dividendos.

Cohn é defensor do livre comércio e sua saída foi interpretada como um indício de que Trump deve levar adiante a proposta protecionista, o que eleva o risco de “guerra comercial”.  Além disso, segundo fontes próximas do presidente, Trump considera controles sobre investimentos chineses nos EUA, como também de importações pelo gigante asiático.

Com a maior aversão ao risco do mercado, o dólar futuro com vencimento em abril registrava valorização de 0,57%, aos R$ 3,236. Já os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2019 recuavam 0,31%, a 6,44%, ao passo que os de 2021 operavam em alta de 0,36% a 8,28%, respectivamente, na expectativa pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), a ser divulgado na próxima sexta-feira (9).

Destaques do mercado

O principal destaque negativo nesta abertura é da Smiles (SMLE3), que cai forte após anunciar que distribuirá apenas 25% do lucro em 2019, sendo que a empresa é conhecida por pagar 100% de lucro para seus acionistas (veja mais aqui). Com a proposta de Trump voltando à pauta, as ações do setor siderúrgico estão entre os destaques de baixa do mercado, exceto Gerdau (GGBR4), cujos papéis sobem nesta manhã uma vez que as taxas não se aplicariam à empresa por conta de sua subsidiária nos EUA.


As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 SMLS3 SMILES ON 74,63 -6,71 -1,67 3,78M
 LAME4 LOJAS AMERICPN 16,24 -3,68 -4,31 4,38M
 USIM5 USIMINAS PNA 11,24 -3,10 +23,52 11,99M
 BRAP4 BRADESPAR PN 31,94 -1,72 +11,21 1,93M
 CSAN3 COSAN ON 43,64 -1,51 +5,16 771,59K

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

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Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BRFS3 BRF SA ON 24,91 +3,19 -31,94 33,80M
 GGBR4 GERDAU PN 16,59 +1,65 +34,01 9,65M
 TIMP3 TIM PART S/AON 14,27 +1,49 +8,93 705,07K
 GOAU4 GERDAU MET PN 7,73 +1,05 +33,51 9,68M
 IGTA3 IGUATEMI ON 39,63 +0,76 +0,61 272,56K
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Agenda de indicadores

Nos EUA, atenção para os dados do ADP de fevereiro, com o setor privado criando 235 mil vagas de trabalho frente janeiro, enquanto o mercado esperava por 200 mil postos. Às 12h30, serão revelados os dados de estoque de petróleo semanal, enquanto às 16h00 o Federal Reserve divulga o Livro Bege, relatório elaborado pelas sedes locais da autoridade americana e que indica a percepção deles em relação a economia do país. Os investidores estão especialmente de olho nas projeções econômicas, já que um aumento da percepção de crescimento elevará as apostas de aumento de juros pelo BC dos EUA.

Na Ásia, às 20h50, será divulgado o PIB (Produto Interno Bruto) de 2017 do Japão, enquanto na madrugada teremos a balança comercial da China, importante indicador para as ações da Vale, já que a China é o principal destino de seus produtos. 

Noticiário político
O grande destaque do radar político fica para a repercussão da decisão do STJ de negar por unanimidade habeas corpus de Lula, colocando foco no STF e o debate sobre a prisão pós-2ª instância. De acordo com o jornal O Globo, Lula pode ser preso ainda este mês, após serem julgados os recursos no TRF-4. Assim, a pressão aumenta sobre a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, para pautar o debate.

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, determinou ontem a abertura de investigação para apurar o vazamento de sua decisão que determinou a quebra do sigilo fiscal do presidente Michel Temer e demais investigados no inquérito que trata do suposto favorecimento de empresas, por meio da edição do chamado Decreto dos Portos (Decreto 9.048/2017), assinado pelo governo em maio do ano passado. A defesa do presidente refutou o vazamento e afirmou que obteve acesso a dados em consulta ao site do próprio Supremo. 

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