Ibovespa recua 1,99% e atinge menor pontuação desde 9 de setembro

Índice sente peso dos dados desfavoráveis da inflação doméstica e do PIB nos EUA, além de protestos no Egito

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SÃO PAULO – Acompanhando o clima negativo dos principais mercados internacionais, o Ibovespa fechou esta sexta-feira (28) em baixa de 1,99%, aos 66.697 pontos – menor pontuação desde 9 de setembro. O giro financeiro do pregão foi de R$ 7,58 bilhões. Com esta performance, o benchmark brasileiro acumulou queda semanal de 3,52%, marcando sua segunda semana consecutiva de perdas.

Afetou a confiança dos investodores nesta sexta-feira o resultado abaixo do esperado do PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos no quarto trimestre de 2010. Depois de grande expectativa, os números prévios anualizados do Departamento de Comércio dos EUA indicaram que a economia norte-americana avançou 3,2% no período. O desempenho ficou abaixo do esperado pelo mercado, que aguardava uma expansão de 3,7%.

Outra notícia desfavorável em pauta nesta sessão veio da agência de classificação de risco Moody´s, que declarou estar analisando atribuir uma perspectiva negativa para o rating dos Estados Unidos mais cedo do que o previsto. Vale destacar que a sinalização veio logo após outra importante agência de classificação de risco, a Standard & Poor’s, ter cortado a nota para a dívida soberana japonesa.

Além disso, o temor com a inflação e as possíveis medidas para combater a alta dos preços também influenciaram o mercado doméstico. O IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) apontou inflação de 0,79% em janeiro, taxa 0,10 ponto percentual superior frente do mês anterior. Segundo o relatório do Focus do Banco Central publicado no último dia 24, a mediana das expectativas para o resultado mensal do índice era de 0,62%.

Destaques do Pregão
As ações ordinárias da Usiminas lideraram os ganhos do Ibovespa na sessão. Cabe destacar que apenas quatro papéis que compõem o índice registraram ganhos neste dia – além da Usiminas, foram as ações ordinárias da MRV Engenharia, Embraer e Eletrobras.

O papel da Usiminas ainda repercutiu o noticiário da última quinta-feira (27), onde a CSN elevou sua participação no capital da empresa e deu sinais de que está avaliando comprar uma fatia ainda maior. A empresa adquiriu novas ações ordinárias da Usiminas, elevando sua participação direta e indireta de 4,99% para 5,03% dos papéis ON.

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As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 USIM3 USIMINAS ON 23,12 +4,76 +8,29 52,71M
 EMBR3 EMBRAER ON 13,52 +0,52 +14,58 24,55M
 ELET3 ELETROBRAS ON 22,23 +0,45 -0,01 22,75M
 MRVE3 MRV ON 14,10 +0,21 -9,67 68,81M

 As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MRFG3 MARFRIG ON 13,35 -6,05 -13,31 63,20M
 LAME4 LOJAS AMERIC PN INT 13,55 -5,11 -11,44 37,53M
 JBSS3 JBS ON 6,42 -4,89 -10,46 25,38M
 ALLL3 ALL AMER LAT ON 14,14 -4,78 -5,73 41,50M
 BTOW3 B2W VAREJO ON 28,00 -4,44 -11,11 26,69M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

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 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 51,05 -2,02 1,01B 706,34M 25.483 
 PETR4 PETROBRAS PN 26,67 -0,74 746,64M 615,32M 24.550 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 36,29 -2,18 349,48M 219,48M 20.833 
 OGXP3 OGX PETROLEO ON 17,96 -1,26 292,97M 289,97M 17.377 
 BBAS3 BRASIL ON 30,36 -2,06 256,54M 125,17M 12.743 
 BBDC4 BRADESCO PN 31,27 -2,37 248,19M 154,97M 16.962 
 VALE3 VALE ON 57,07 -2,88 213,24M 175,21M 7.862 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 11,88 -1,33 184,77M 169,05M 9.549 
 GGBR4 GERDAU PN 21,00 -3,23 179,12M 125,10M 13.479 
 USIM5 USIMINAS PNA 18,70 -1,06 165,80M 117,25M 12.209 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

PanAmericano
No noticiário corporativo, os rumores voltam a ganhar destaque. Silvio Santos teria sido informado de que o rombo do banco PanAmericano é de R$ 4 bilhões, ao mesmo tempo em que o BTG Pactual teria realizado uma oferta de compra da instituição, segundo reportagem do jornal Valor Econômico. Na última sessão, após rumores de que o rombo seria maior que o divulgado anteriormente, as ações da empresa despencaram 9,28%.

Em nota, o Banco PanAmericano reconheceu a manutenção de conversas com outras instituições financeiras, mas não confirmou quais instituições estariam interessadas, uma vez que nenhum acordo formal foi fechado. Ainda de acordo com fato relevante, a revisão das inconsistências contábeis ainda não foi concluída, tanto internamente quanto por consultorias externas contratadas.

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Embora não haja valores definitivos, o PanAmericano reforçou que divulgará os dados na próxima semana. A assessoria de imprensa do BTG Pactual reforçou à InfoMoney que não comenta rumores de mercado. As ações BPNM4 operaram a maior parte do dia no azul, mas cederam no final e terminaram em queda de 0,23%.

FMI e Mantega
O FMI (Fundo Monetário Internacional) divulgou relatório afirmando que o Brasil teve uma deterioração ‘brusca” nas contas fiscais, impedindo o País de atingir a meta do superávit primário. “Espera-se que o governo não alcance sua metal fiscal por ampla margem”, mostrou o Monitor Fiscal do FMI, que analisa dívidas e déficits globais. Para o diretor do Departamento de Assuntos Fiscais do FMI, Carlo Cottarelli, dada a evolução dos preços das commodities, taxas de juros e a atividade econômica, as posições de países como o Brasil deveriam ser mais fortes do que são atualmente.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reagiu às críticas feitas pela instituição. Para ele, a conclusão é equivocada e deve ter sido feita por um “velho ortodoxo”. “O diretor gerente do FMI deve ter saído de férias e aí algum daqueles velhos ortodoxos do Fundo Monetário escreveu esse monitor e falou essas bobagens em relação ao Brasil”, disse. Segundo ele, o fato de o Governo Central ter conseguido cumprir a meta de superávit primário fixada para 2010 é uma prova que a política fiscal brasileira caminha no sentido certo.

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Tombini e Dilma
O presidente do BC, Alexandre Tombini, afirmou, durante painel sobre o Brasil no Fórum Econômico Mundial, que o País possui as ferramentas necessárias para manter a estabilidade monetária, tendo afirmado que a valorização do real “é uma situação temporária, reflexo do ambiente externo”.

O mercado também analisou o discurso da presidente Dilma Rousseff que, na noite da véspera, prometeu que irá manter o controle da inflação. O medo de uma espiral inflacionária é fortalecido após um dos principais medidores da inflação, o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), ter apontado inflação de 0,79% em janeiro, superando as projeções de analistas.

Agenda
Por aqui, além do IGP-M, teve também a divulgação dos resultados do Governo Central, que inclui Banco Central, Tesouro Nacional e Previdência Social. O Governo apresentou superávit primário de R$ 78,966 bilhões em 2010, equivalente a 2,16% do PIB – em linha com a meta oficial, de 2,15% do produto nacional.

O montante ficou acima do observado em 2009, quando o saldo foi positivo em R$ 39,436 bilhões, o que corresponde a 1,24% do PIB.

Referência nos EUA
Os investidores também se atentaram para dados norte-americanos. Por lá, além do PIB, o mercado repercutiu a confiança do consumidor dos EUA medida pela Universidade de Michigan, que veio melhor do que o esperado em janeiro. Os números do Michigan Sentiment apontaram 74,2 pontos, resultado superior às expectativas do mercado, que indicavam 73,2 pontos. Vale ressaltar que o indicador também ficou acima da medição anterior, quando havia atingido 72,7 pontos.

Somado a isso, o custo da mão-de-obra nos EUA ficou em linha com o esperado no quarto trimestre de 2010. Os dados foram divulgados pelo Departamento de Trabalho norte-americano. No período, foi registrada alta de 0,4% no Employment Cost Index, patamar igual ao projetado pelos analistas. Além disso, o resultado é o mesmo da apuração no trimestre anterior, que também mostrou avanço de 0,4%.

Fórum Econômico Mundial
Timothy Geithner, secretário do tesouro norte-americano, falou durante o Fórum Econômico Mundial que a economia norte-americana não se encontra em forte expansão, no entanto, sua recuperação está ocorrendo de forma sustentável, uma vez que se busca um consenso político com o objetivo de sanar os problemas da dívida pública.

Já o presidente francês Nicolas Sarkozy afirmou em Davos que o Euro tem seu completo apoio e de Ângela Merkel, chanceler alemã, enquanto o primeiro-ministro grego, George Papandreou, afirmou que a Europa deve desenvolver um modelo de governança que seja sustentável, justo e que no fim humanize a economia global.

Ainda em Davos, John Lipsky, diretor do FMI (Fundo Monetário Internacional) afirmou que outro resgate pode ocorrer na Zona do Euro, caso os países periféricos falhem em se reestruturar. Vale lembrar que a União Europeia e o FMI já aprovaram, no ano passado, pacotes de resgate a Grécia e Irlanda.

Egito
A onda de manifestações continuou no Egito, chegando ao seu terceiro dia seguido, que já resultou em centenas de presos e feridos em confrontos policiais, e ao menos cinco mortos já confirmados. O alto índice do desemprego, a inflação, a corrupção e o autoritarismo do presidente Hosni Mubarak, que já completa 30 anos no poder, são os principais motivos para a ira dos manifestantes. O estopim para essa mobilização, no entanto, veio com a revolta popular que derrubou o governo da Tunísia nesse começo de ano. Além do Egito, a Argélia e o Iêmen também têm enfrentado protestos da população.

Dólar
O dólar comercial fechou em alta de 0,36%, cotado a R$ 1,685 na venda, com várias referências nacionais e internacionais. O Banco Central anunciou que na próxima segunda-feira (31) realizará os três primeiros leilões a termo de sua história, com datas de liquidação em 9, 16 e 23 de fevereiro.

O BC também aproveitou para manter suas intervenções diárias, realizando dois leilões de compra à vista. A primeira operação de acordo com o Depin (Departamento de Operações de Reservas Internacionais), ocorreu entre às 12h24 (horário de Brasília) e às 12h29. A taxa de corte foi aceita em R$ 1,6743. A segunda operação teve início às 15h34 e terminou às 15h39. A taxa foi aceita em R$ 1,6840.

Renda Fixa
No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, os principais contratos fecharam em queda. O contrato de juros de maior liquidez nesta sexta-feira, com vencimento em janeiro de 2013, registrou uma taxa de 12,85%, 0,08 ponto percentual abaixo do fechamento de quinta-feira.

No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou em baixa de 0,26% em relação ao fechamento anterior, a 134,70% do valor de face. Já o indicador de risco-País teve alta de 12 pontos-base em relação ao fechamento anterior, encerrando o dia em 183 pontos.

Bolsas Internacionais
O índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia norte-americanas, fechou em baixa de 2,48% e atingiu 2.687 pontos. Seguindo esta tendência, o índice S&P 500 desvalorizou-se 1,78% a 1.276 pontos, da mesma forma, o índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, caiu 1,39% a 11.824 pontos.

Na Europa, o índice CAC 40 da bolsa de Paris registrou baixa de 1,41% e atingiu 4.002 pontos; no mesmo sentido, o índice FTSE 100 da bolsa de Londres desvalorizou-se 1,40% chegando a 5.881 pontos e o DAX 30, da bolsa de Frankfurt, caiu 0,74% a 7.103 pontos.

Confira os eventos previstos para segunda-feira
Na próxima sessão, o mercado vai repercutir as novas projeções trazidas pelo Relatório Focus, do Banco Central, assim como as notas de Política Fiscal e de Mercado Aberto referentes ao mês de dezembro. Ainda por aqui, atenção também para a Sondagem Industrial de janeiro.

Nos Estados Unidos, os investidores deverão repercutir índices de preços, como o Núcleo do PCE, além do Personal Income e Personal Spending referentes ao último mês de 2010. Somado a isso, o Chicago PMI vai trazer ao mercado os dados da atividade industrial da região de Chicago durante janeiro.