Ibovespa “quebra” 1ª sequência de altas de 2014 com opções e alta na Selic

Índice fecha com queda de 0,82% e volta a ficar abaixo dos 50 mil pontos; proximidade do vencimento dos derivativos na Bovespa trouxeram volatilidade para Petrobras e Vale

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SÃO PAULO – A primeira sequência de altas do Ibovespa em 2014 durou apenas 2 pregões. Após subir na terça e quarta-feira, o benchmark da bolsa brasileira terminou esta quinta-feira (16) com queda de 0,82%, a 49.696 pontos, repercutindo a proximidade do vencimento de opções sobre ações na Bovespa – que trouxe forte volatilidade para as suas principais blue chips – e a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de elevar para a Selic para 10,5% ao ano. O giro financeiro negociado na Bovespa foi de R$ 5,63 bilhões.

Nesta quinta, o grande destaque ficou com a repercussão da decisão do Copom, que na noite anterior optou por manter o ciclo de aperto monetário ao elevar a taxa de juros brasileira em 0,5 ponto percentual – boa parte do mercado esperava por um aumento de 0,25 p.p.. Embora não tenha tido um impacto imediato na bolsa logo no começo do pregão (a alta dos juros acaba deixando o rendimento de alguns investimentos de renda fixa mais atrativos, contribuindo para uma migração de investimentos que estavam na renda variável), a notícia parece ter tido reflexo no mercado de juros futuros, que subiram consideravelmente nesta sessão. Todos os contratos com vencimento em 2014 subiram no mínimo 1%, enquanto os contratos de janeiro de 2015 subiram para o patamar de 10,9%, sinalizando que os investidores da BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) apostava em um aumento mais tímido na Selic.

Já o dólar comercial fechou a quinta com valorização de 0,35%, a R$ 2,3657 na venda, revertendo a trajetória vista na abertura da sessão, quando chegou a cair 0,5% diante da expectativa de que uma Selic maior aumentaria a aumentaria a entrada de investimentos estrangeiros no País em busca de uma maior rentabilidade. No entanto, a tendência primária de alta da divisa norte-americana – refletindo tanto a deterioração da economia brasileira e a retirada de estímulos nos EUA – prevaleceu nesta quinta.

Opções agitam Petrobras e Vale
Além da decisão do Copom, também contribuiu para a volatilidade do mercado a proximidade do vencimento de opções sobre ações negociadas na Bovespa, que ocorrerá na segunda-feira (20). Com isso, os investidores terão até amanhã para negociarem suas “calls” (opções de compra) e “puts” (opções de venda) antes do exercício delas. Esses dias pré-vencimento costumam resultar em volatilidade no preço das ações das principais blue chips da bolsa brasileira, com os grandes investidores exercendo maior pressão para que seus contratos de derivativos possam ser exercidos com lucro, impedindo que eles “virem pó” – expressão usada no mercado de opções para designar os contratos que perderam valor no dia do vencimento.

Com isso, muitos investidores já começaram a zerar suas posições nesta quinta-feira, temendo que falte liquidez na próxima sessão. Tal comportamento teve impacto forte nas duas ações com maior liquidez no mercado de opções da Bovespa, Petrobras (PETR3, R$ 14,71, -2,71%; PETR4, R$ 15,59, -2,81%) e Vale (VALE3, R$ 32,83, +1,17%; VALE5, R$ 30,29, +0,20%), que apresentaram forte volatilidade nesta sessão. As duas companhias respondem por 23,61% de composição sobre a carteira teórica do Ibovespa. Do lado da estatal, também vale destacar também o fato do governo ter negado um possível reajuste nos preços dos combustíveis em junho, fato bastante especulado na última sessão. 

Destaques do pregão
Junto com a Petrobras, a ponta de baixo desta sessão contou também com as ações da BRF (BRFS3, R$ 43,34, -3,06%), que acumulam perdas de 10,14% no ano e atingiram o menor patamar desde junho de 2013. Na semana passada, operadores alertaram que o papel estaria sofrendo forte pressão vendedora dos investidores estrangeiros. 
Ainda entre as maiores perdas do dia, também chamaram atenção os papéis da Eletrobras (ELET3, R$ 5,42, -4,07%; ELET6, R$ 9,17, -4,18%), dando sequência ao movimento de queda da véspera.

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Já na ponta de cima, o destaque ficou por conta das ações de CCR (CCRO3, R$ 16,43, +1,92%), Marfrig (MRFG3, R$ 4,50, +1,58%), com a última em recuperação desde que a companhia anunciou acordo com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para conversão de debêntures.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ELET6 ELETROBRAS PNB 9,17 -4,18 -7,65 31,42M
 ELET3 ELETROBRAS ON 5,42 -4,07 -7,67 10,15M
 BRFS3 BRF SA ON 43,34 -3,06 -11,24 120,95M
 PETR4 PETROBRAS PN 15,59 -2,81 -8,72 515,19M
 PETR3 PETROBRAS ON 14,71 -2,71 -8,01 186,67M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CCRO3 CCR SA ON 16,43 +1,92 -7,54 60,13M
 MRFG3 MARFRIG ON 4,50 +1,58 +12,50 16,53M
 CMIG4 CEMIG PN 13,47 +1,28 -3,85 25,38M
 EMBR3 EMBRAER ON 20,30 +1,25 +7,46 56,56M
 CTIP3 CETIP ON 23,70 +1,24 -2,07 33,42M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 30,29 +0,20 596,74M 411,91M 26.660 
 PETR4 PETROBRAS PN 15,59 -2,81 515,19M 337,58M 40.151 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 30,60 -2,08 456,24M 332,47M 18.872 
 PETR3 PETROBRAS ON 14,71 -2,71 186,67M 130,78M 21.493 
 BBDC4 BRADESCO PN 27,43 -1,44 178,75M 184,13M 13.179 
 VALE3 VALE ON 32,83 +1,17 133,16M 137,26M 8.883 
 BBSE3 BBSEGURIDADE ON 24,15 +0,79 130,18M 111,23M 9.815 
 BBAS3 BRASIL ON 23,00 -0,73 124,02M 144,00M 8.863 
 BRFS3 BRF SA ON 43,34 -3,06 120,95M 107,58M 8.575 
 GGBR4 GERDAU PN 17,44 -0,06 108,40M 107,50M 9.764 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

EUA: emprego e Bernanke
Já no exterior, chamaram a atenção do mercado nesta data os dados de emprego nos EUA, que revelou uma queda dos pedidos de auxílio-desemprego para 326 mil, ante expectativa de 331 mil pedidos, enquanto os dados de inflação do consumidor registraram alta de 0,3% em dezembro ante novembro, conforme previsto pelo mercado. Vale lembrar que, na véspera, o Fed divulgou o livro Bege, melhorando a avaliação sobre a economia do país e apontando para um cenário mais promissor, com os gastos dos consumidores se elevando e com uma recuperação dos setores de manufatura e imobiliário. 

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O dia também marcou o último discurso do chairman do Federal Reserve, Bem Bernanke, que, em fevereiro, já será substituído pela primeira mulher a assumir o cargo: Janet Yellen. No pronunciamento, o líder da autoridade monetária americana defendeu a importância do Quantitative Easing e a redução da taxa de juros para a recuperação americana, medidas que, na teoria não fariam tanto sentido a ideologias mais ortodoxas, mas na prática “foram úteis”, segundo ele.

China assusta mercados
Na Ásia, destaque mais uma vez para o índice japonês Nikkei, que fechou em baixa de 0,39% com os investidores realizando os lucros após o forte rali da sessão anterior. Contudo, a alta do dólar frente ao iene limitou as perdas da bolsa de Tóquio, impulsionando as ações de empresas exportadoras. Por lá, o Banco do Japão elevou a visão da maioria das economias locais, como sinalização de que a atividade do país deve ganhar forças.

A China também chamou a atenção. As bolsas por lá fecharam perto da estabilidade em meio a uma bateria de indicadores. O Ministério do Comércio chinês revelou que o país atraiu US$ 12,08 bilhões em IED (Investimento Estrangeiro Direto) em dezembro de 2013, alta de 3,3% na base de comparação anual. No ano, o IED subiu 5,25% em relação a 2012, para US$ 117,59 bilhões.

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No entanto, o porta-voz do ministério do comércio chinês ressaltou que o comércio exterior deve enfrentar sérios desafios neste ano, em meio à lentidão da demanda externa.

Europa
Já na Europa, o dia foi de leves quedas em meio às perdas do setor de varejo, repercutindo também os indicadores de inflação da zona do euro. Esses números são particularmente importantes, uma vez que, em meio ao cenário de recuperação lenta da economia, qualquer dado que aponte desaceleração do índice de preços pode levar a uma perspectiva ainda menos promissora para a atividade do bloco. Os dados de inflação apontaram para uma alta de 0,3% dos preços ao consumidor em dezembro ante novembro, em linha com o esperado pelo mercado.

Vale lembrar que a Alemanha, maior economia do bloco, divulgou o índice de preços ao consumidor, que subiu 0,4% em dezembro ante novembro, em linha com o esperado pelo mercado.

No noticiário corporativo, chamou a atenção o Carrefour, que divulgou os dados de venda do quarto trimestre. Entre outubro e dezembro, as vendas somaram 22,2 bilhões de euros, abaixo dos 22,85 bilhões de euros registrados no mesmo período de 2012.


Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.