Publicidade
SÃO PAULO – O rebaixamento dos rating das dívidas soberanas de Portugal e Grécia pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s no início da semana foi mal recebido pelos investidores mundo afora, em meio a percepção de que uma procrastinação da ajuda à Grécia poderia levar o problema fiscal do país a contagiar outras nações da Zona do Euro.
Assim, a Alemanha, que mostrava reticência em enfim chancelar um plano de resgate ao país, foi pressionada a agilizar as tratativas. Uma reportagem do jornal Financial Times indica que a Grécia teria aceitado medidas austeras em troca de uma ajuda de € 24 bilhões estabelecida pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) e pela União Europeia. Fica a expectativa pelo desenrolar do caso no final de semana.
Por que uma descrição tão detalhada do evento? Porque, de acordo com a opinião de David Riesinger, assessor de investimentos da Geral Corretora, é necessário ficar muito atento à Europa. Embora acredite que a tendência é positiva para essa semana, Brusque salienta que é apenas uma “melhoradinha”, pois reitera a continuação da instabilidade no mercado, lembrando que a ajuda ainda não resolve todo o problema de endividamento da Grécia.
A tendência é que a volatilidade permaneça elevada no curto prazo, concorda João Pedro Brugger, analista da Leme Investimentos, embora também acredite que, ao menos no curto prazo, um pacote de ajuda que satisfaça as necessidades de financiamento da dívida do país deve trazer tendência positiva.
Grécia e Brasil
A desconfiança, na opinião de Riesinger, deve-se ao momento tenso e ao fato de que o Ibovespa entrou numa tendência de baixa, ao menos enquanto este problema de déficit fiscal na Europa não se resolver. O assessor também aponta para a realização de lucros entre os investidores estrangeiros recentemente, pois “o movimento deles é o que dita o mercado”, explica.
Mas existe correlação direta entre a crise fiscal europeia e o Brasil? No médio e longo prazo, não, já que “a situação é bem melhor do que já foi anteriormente, mais confortável” salienta o analista da Leme Investimentos. Mas o problema afeta em um primeiro momento, analisa Brugger, porque aumenta a aversão ao risco e os mercados emergentes sofrem um pouco mais com a saída de investidores estrangeiros.
Continua depois da publicidade
Mercado de trabalho precisa mostrar recuperação
Por outro lado, para David Riesinger, uma leve melhora no curto prazo pode ser puxada também por indicadores econômicos que serão divulgados nos Estados Unidos, caso venham acima do patamar esperado pelos acionistas. Para Brugger, dados do mercado de trabalho norte-americano, que é o que ainda está deteriorado quando comparado a outros indicadores, podem dar um ânimo novo para os mercados. O Employment Report, na sexta-feira (7), ganha um grande peso, portanto.
Resultados: observe Vale e Gerdau
No Brasil, os resultados corporativos começam a ter um papel maior entre os destaques. “Os resultados podem ser um parâmetro para a bolsa brasileira no curto prazo”, avalia Brugger, da Leme Investimentos. A Gerdau (GGBR4), por exemplo, esteve um pouco atrás das siderúrgicas, em função de sua maior exposição à economia norte-americana, aponta o analista da Leme Investimentos. Com a recuperação mostrada pelos dados divulgados no país recentemente, o resultado da empresa deve ser beneficiado.
Já a Vale (VALE5) deve ser impulsionada pelo reajuste do preço do minério de ferro e a manutenção ou até melhora do volume de venda, o que pode puxar os papéis no curto prazo, principalmente após o reajuste observado ao longo dessa semana, indica Brugger.
Continua depois da publicidade
E por último, o setor bancário é um dos destaques na opinião do assessor de investimentos da Geral Corretora. No entanto, em sua avaliação, a elevação em 75 pontos-base da Selic deve ser um fator mais preponderante para a melhora de performance do que o resultados das instituições em si.