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Ibovespa perde 450 pontos em duas horas, mas fecha em alta; dólar sobe 1% e vai a R$ 3,23

Índice perdeu força no fim do pregão, mas conseguiu sustentar ganhos de 0,4% por conta da forte alta de Petrobras

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SÃO PAULO – O Ibovespa perdeu força no fim do pregão desta terça-feira (23)  e se distanciou dos ganhos de 1,41% atingidos na máxima do dia. Desde às 14h50 até o fechamento, o índice perdeu 450 pontos, pressionado pelas ações da Vale, que neste mesmo intervalo recuaram 2%. Mais cedo, o benchmark tinha fortes ganhos puxado pela alta petróleo após o Irã dar sinais de que apoiará um acordo da Opep para sustentar os preços da commodity. Com isso, o petróleo brent registrou avanço de 1,31%, a US$ 50,21, e puxou a alta de 3% dos ativos da Petrobras.

O benchmark da Bovespa fechou esta sessão com ganhos de 0,41%, aos 58.020 pontos, com o volume financeiro atingindo R$ 6,502 bilhões. Já o dólar comercial virou para forte alta durante a tarde e fechou com ganhos de 1,00%, a R$ 3,2320 na compra e R$ 3,2335 na venda, após chegar a R$ 3,1882 na mínima da sessão.

A moeda norte-americana reverteu as perdas da manhã após dados mais fortes que o esperado de vendas de moradia nos Estados Unidos, que ficaram em 654 mil em julho, contra estimativa de 580 mil. Por aqui, prejudicou ainda o real o cancelamento da sessão da CAE que ouviria o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, além da aprovação, na mesma comissão, do aumento para defensores públicos. 

Mais cedo, o mercado registrava ganhos seguindo o dia de recuperação das bolsas mundiais, que repercutiam dados econômicos da Europa e corrigem as perdas em meio a novas atenções à possibilidade de alta nos juros americanos. No continente europeu, os ganhos são guiados pelos dados do PMI composto da zona do euro, que mede a atividade nos setores industrial e de serviços.

O índice subiu levemente em agosto, a 53,3, de 53,2 em julho, mas atingiu o maior nível em sete meses, segundo dados preliminares publicados hoje pela Markit Economics. O resultado do PMI composto surpreendeu analistas consultados pela Dow Jones Newswires, que previam queda do indicador a 53,0. O avanço acima da marca de 50,0 sugere que a atividade do bloco vem se expandindo em ritmo um pouco mais forte este mês.

Além disso, o mercado seguia de olho na agenda política brasileira, que é pautada por importantes votações no Congresso. Vale destacar que, durante a manhã, foi destaque nos jornais a notícia de que o governo de Michel Temer estaria reagindo e parando de ceder as pressões mesmo antes do impeachment, com destaque para a estratégia de “segurar” o reajuste a servidores. A definição sobre o reajuste do STF ficará para depois da definição sobre o processo de impeachment.

Destaques de ações
Após um dia de forte queda, as siderúrgicas registraram recuperação, enquanto as ações da Vale subiram cerca de 2% em uma sessão de leve recuperação para o minério de ferro, que subiu 0,85%, a US$ 61,72 a tonelada. Depois da baixa de 4% na véspera com os preços do petróleo, os ativos da Petrobras também tiveram ganhos.

Já a Fibria (FIBR3, R$ 21,75, +6,77%), que abriu em queda após dados do Foex que mostraram uma queda de 0,82% na celulose, a US$ 490,20 a tonelada e certa estabilidade na Europa, com leve baixa de 0,12% para US$ 670,4 a tonelada, mas virou para fortes ganhos. A Suzano também registrou ganhos superiores a 4,5%.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 FIBR3 FIBRIA ON21,75+6,77-57,34127,75M
 SUZB5 SUZANO PAPELPNA9,99+4,61-45,3987,06M
 BRKM5 BRASKEM PNA22,35+3,71-14,4479,48M
 USIM5 USIMINAS PNA3,73+3,32+140,6585,69M
 PETR3 PETROBRAS ON14,93+3,18+74,21141,80M

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As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 LREN3 LOJAS RENNERON24,55-4,10+45,71137,11M
 QUAL3 QUALICORP ON22,20-3,14+65,9813,94M
 HYPE3 HYPERMARCAS ON26,36-2,73+23,5699,73M
 BRML3 BR MALLS PARON12,43-2,13+45,5859,45M
 EGIE3 ENGIE BRASILON39,15-1,76+20,7229,82M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1Vol 30d1Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN ATZ12,67+2,59770,32M583,29M25.664 
 BBDC4 BRADESCO PN28,32-1,08342,15M261,64M22.797 
 VALE5 VALE PNA15,81+1,54329,78M321,13M16.001 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN EJ35,58-0,17281,89M402,21M19.189 
 BBAS3 BRASIL ON EJ22,58+1,75262,75M186,38M16.015 
 ABEV3 AMBEV S/A ON19,58-0,05239,52M232,09M17.993 
 GGBR4 GERDAU PN ED9,72+0,83182,22M152,49M18.836 
 ITSA4 ITAUSA PN EJ8,55+0,12172,94M158,57M18.422 
 PETR3 PETROBRAS ON14,93+3,18141,80M135,83M13.864 
 GOAU4 GERDAU MET PN3,87+2,11141,62M114,00M14.116 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
 

Votações no Congresso
Pela terceira vez, senadores e deputados tentam votar o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o ano de 2017. Desde 11h30, os parlamentares estão reunidos em sessão do Congresso Nacional para limpar a pauta, que tem oito vetos presidenciais a serem apreciados antes de qualquer outra votação. O esforço para apreciar os vetos foi redobrado nos últimos dias, já que a LDO é prioritária para o governo interino de Michel Temer que quer dar sinais de credibilidade ao mercado financeiro.

O texto da LDO, elaborado pela equipe econômica de Temer, já tinha sido aprovado pela Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO), que acatou a permissão de déficit primário de R$ 139 bilhões como meta fiscal do governo federal para o ano que vem e manteve o limite de crescimento dos gastos à inflação do ano anterior. O projeto ainda estabeleceu a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 1,2%. Cenário diferente do previsto anteriormente pela equipe da presidenta afastada Dilma Rousseff, que previa um déficit de R$ 65 bilhões para a União em 2017.

Outra previsão da LDO é a orientação para que o Executivo priorize obras com pelo menos 50% de conclusão no rol do orçamento para investimentos em infraestrutura. O texto ainda proíbe que o governo inclua a expectativa de arrecadação a partir de impostos que ainda não foram criados na previsão de receitas da Lei Orçamentária Anual (LOA).