Histórico

Ibovespa: os 6 meses de recuperação desde a mínima do ano de 63 mil pontos – e o que esperar agora

Reveja o desempenho do índice desde o auge do pânico com a pandemia

(Getty Images)
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SÃO PAULO – O Ibovespa completa nesta quarta-feira (23) seis meses desde que atingiu a sua mínima do ano, nos 62.161 pontos – terminou a sessão em 63.569 pontos. Na época, a Bolsa passava por uma sequência de circuit breakers, no auge do pânico com o coronavírus.

Depois disso, o benchmark teve uma caminhada praticamente em linha reta até os 100 mil pontos, recuperados em 10 de julho, dia em que o Ibovespa fechou nos 100.031 pontos.

Essa melhora no desempenho do índice foi impulsionada pelos estímulos monetários e fiscais adotados por países do mundo todo e também pelas perspectivas de desenvolvimento de uma vacina contra a Covid-19. O índice atingiu sua máxima nesta trajetória de alta no dia 29 de julho, aos 105.703 pontos – fechou em 105.605 pontos.

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A partir daí, a Bolsa no Brasil não conseguiu mais acompanhar a disparada registrada pelos mercados internacionais. A grande virada ocorreu no dia 11 de agosto, quando os secretários especiais de Desestatização e Privatização, Salim Mattar, e o de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Paulo Uebel, pediram demissão do Ministério da Economia.

Colocando mais lenha na fogueira, o presidente Jair Bolsonaro afirmou em 26 de agosto que a proposta do Ministério da Economia para o programa Renda Brasil está suspensa. Embora o fim do programa reduza a pressão sobre o Orçamento, há temores acerca do que o governo irá colocar no lugar do Auxílio Emergencial, cujo prazo de validade acaba no fim do ano.

Além disso, a forma como o presidente anunciou o sepultamento da proposta trouxe renovadas especulações a respeito de um enfraquecimento da equipe econômica, que estaria perdendo a queda de braço com a ala militar e desenvolvimentista do Planalto.

Para Ari Santos, trader da H.Commcor, as movimentações do governo em questões como Orçamento e gastos acabaram causando uma deterioração nos mercados. “Balanços foram negativos, mas era inevitável. Na virada de agosto, os investidores ficaram mais receosos. A grande preocupação é que o governo precise derrubar o teto de gastos.”

Se não bastasse a questão fiscal, o exterior também se tornou foco de preocupação com um sell-off nas ações de empresas de alta tecnologia dos EUA que começou em 3 de setembro. Naquele pregão, o Ibovespa caiu 1,2%. Em Nova York, as ações da Apple despencaram 8,01%, enquanto Netflix, Amazon e Alphabet (controladora do Google), recuaram 5%.

Outro problema vindo de fora é a segunda onda do coronavírus que atinge a Europa. Foram 300 mil novos casos na última semana, levando países que saíram de suas quarentenas a adotarem novas medidas de restrição.

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Na Espanha, o governo adotou restrições de entrada e saída em oito bairros da zona sul de Madri, que tem 858 mil habitantes. As pessoas dessa região só podem sair de seus bairros para trabalhar, ir ao médico ou levar os filhos para a escola.

Já o Reino Unido irá multar em até 10 mil libras quem testar positivo para Covid-19 e não se isolar.

Essa segunda onda do coronavírus, junto com o escândalo revelado pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) de que alguns dos maiores bancos do mundo descumpriram leis contra a lavagem de dinheiro e transferiram US$ 2 trilhões oriundas de atividades criminosas, fez com que o Ibovespa caísse 1,32% no último dia 31 aos 96.990 pontos.

Hoje, o principal índice da B3 cai 0,88% aos 96.409 pontos, em uma continuidade do movimento.

Veja no gráfico abaixo o histórico do Ibovespa desde a mínima do ano.

Perspectivas

Luiz Eduardo Portella, sócio da Novus Capital, entende que houve um ajuste técnico nas bolsas tanto aqui quanto lá fora. “O mercado está se protegendo antes das eleições americanas, com o sell-off das big techs americanas resultando em uma forte correção daquele rali que ocorreu depois de março”, avalia.

De acordo com Portella, o patamar atual da Bolsa traz uma relação risco-retorno assimétrica pois, depois que passarem as eleições nos EUA o que vai restar no cenário macroeconômico são os estímulos promovidos pelo Federal Reserve, a chegada de uma vacina contra o coronavírus e o andamento das reformas no Brasil.

“Estamos dependendo de uma notícia positiva no âmbito fiscal, eventualmente o relatório do [senador Márcio] Bittar [(MDB-AC), relator do Orçamento de 2021]. Depois da fala do Bolsonaro sobre ‘cartão vermelho’ [para quem falasse em Renda Brasil] voltamos um passo atrás no andamento da agenda reformista”, argumenta.

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Para o sócio da Novus, essas questões devem ter uma resolução nas próximas semanas, com encaminhamento das reformas Tributária e Administrativa e um Orçamento que respeite o Teto de Gastos.

Já Roberto Indech, estrategista-chefe da Clear Corretora, entende que uma reeleição do presidente Donald Trump favoreceria a Bolsa, pois é um cenário sobre o qual existe mais clareza para os investidores. “Se o [candidato Democrata Joe] Biden ganhar, é possível que implemente uma plataforma de aumento de impostos, o que seria recebido de forma negativa por Wall Street”, destaca.

Por outro lado, o estrategista vê um risco sério de quedas no mercado se houver novas saídas de membros importantes do governo como o próprio ministro Paulo Guedes, mas não só ele. “Tem muita gente importante e qualificada dentro do governo que faria falta se saísse”, diz.

Indech reforça ainda a importância de se observar de perto os resultados das empresas no terceiro trimestre deste ano.

“Seria um bom gatilho verificarmos uma continuidade nos desempenhos positivos de exportadoras de commodities e varejistas. No trimestre que passou era importante saber o tamanho do impacto da quarentena imposta em abril, agora precisamos saber como foi a recuperação para cada companhia.” Confira mais análises clicando aqui. 

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