Ibovespa opera no zero a zero, sem agenda e de olho no fiscal, apesar de alta externa

O movimento acontece a despeito das incertezas com a política monetária de economias desenvolvidas

Estadão Conteúdo

(Shutterstock)

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O Ibovespa abriu perto da estabilidade nesta segunda-feira, 22, e continua operando perto do zero a zero, apesar do otimismo moderado no exterior. Os mercados ecoam os sinais positivos do setor de tecnologia que levaram Wall Street a fechar com recordes na sexta-feira, o que impulsiona hoje a Europa e os índices futuros de ações de Nova York. O movimento acontece a despeito das incertezas com a política monetária de economias desenvolvidas.

Mesmo com o fechamento recorde em Nova York na sexta-feira, o Ibovespa subiu apenas 0,25%, aos 127.635,65 pontos. Por aqui, seguem as preocupações fiscais, em meio a dificuldades do governo em zerar o déficit nas contas públicas em 2024.

Nesta segunda-feira, haverá a sanção do Orçamento de 2024. Como mostrou o Broadcast Político (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), o presidente deve vetar em torno de R$ 5 bilhões do total de R$ 16,6 bilhões que foram destinados às emendas de comissão na aprovação da LOA. As discussões em torno da MP da reoneração da folha de pagamentos seguem no radar.

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Também nesta segunda, o governo anunciará a nova política industrial. Conforme observa em nota o economista Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria, as diretrizes remontam ações intervencionistas promovidas no passado.

Apesar da valorização das commodities, as ações da Vale e da Petrobras caem operam com instabilidade. As da mineradora cediam 0,35% e as da estatal ficaram entre leve alta e baixa.

O recuo dos papéis da mineradora ocorre a despeito da elevação de 0,53% do minério de ferro em Dalian, na China. Por lá, o Banco do Povo deixou seus juros inalterados pelo quinto mês consecutivo, apesar da persistente crise no setor imobiliário do país e sinais de fraqueza no consumo. O petróleo também sobe moderadamente no exterior, em torno der 0,30%.

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Com a agenda esvaziada de indicadores internamente e no exterior, os investidores monitoram eventuais sinais de política monetária de economias desenvolvidas a alguns dias antes da decisão sobre juros nos Estados Unidos. A expectativa é que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) mantenha as taxas no nível atual, com uma possível queda ocorrendo somente em maio.

Será uma semana que conta com indicadores relevantes de atividade, principalmente os PMIs, cita a economista-chefe do TC, Marianna Costa, em relatório. Segundo ela, à medida que a agenda avança, vai se tornando mais importante, um vez que no próximo dia 31 haverá a decisão sobre juros nos EUA e no Brasil, “e a divulgação dos dados sobre mercado de trabalho mensal nos EUA, o payroll.”

Nesta semana, o foco fica nas decisões do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês). Hoje, fica no radar a presidente do BCE, Christine Lagarde, que participa de evento na Alemanha, após indicar que uma queda dos juros poderá ocorrer no verão europeu.

Além disso, destaca Rose Duarte, analista da Toro Investimentos, sairão o PIB americano e o PCE, o indicador de inflação mais acompanhado pelo Fed. “Tem ainda o PMI nos EUA e na Europa, que podem trazer alguma volatilidade ao mercado”, diz, reforçando que os mercados ficarão também atentos ao PCE americano, que mostra “a evolução dos preços dos bens e serviços adquiridos pelos consumidores, excluindo alimentos e energia que são considerados mais voláteis”. No Brasil, sairá o IPCA-15 de janeiro, na sexta.

Às 10h49, o Ibovespa subia 0,05%, aos 127.696,04 pontos, após alta de 0,15%, na máxima aos 127.829,01 pontos, ante mínima aos 127.161,92 pontos (-0,37%).