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SÃO PAULO – Em sessão de cautela pré-feriado e no aguardo dos dados dos payrolls nos Estados Unidos, o Ibovespa opera volátil, entre perdas e ganhos nesta sexta-feira (5). Às 10h16 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira acumulava leves ganhos de 0,08%, a 40.885 pontos. Enquanto as ações ordinárias da Petrobras (PETR3) e os papéis do Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC3; BBDC4) e siderúrgicas subiam, as ações preferenciais da estatal (PETR4), os ativos da Vale (VALE3; VALE5) e da Cielo (CIEL3) recuavam, contribuindo para a indefinição do índice.
No radar dos investidores estão as expectativas pelos dados do primeiro payroll mensal de 2016 nos Estados Unidos, marcado paras as 11h30 (horário de Brasília). O indicador vem após dados fracos na maior economia do mundo fazerem o mercado reduzir apostas para alta de juros pelo Federal Reserve. Enquanto até a semana passada apostas ainda apontavam alta no 2º semestre, agora o mercado vê apenas 47% de chance de alta em dezembro; probabilidades são ainda menores nos meses anteriores, conforme aponta a Bloomberg.
Por aqui, os dados de inflação pelo IPCA e IGP-DI chamam a atenção. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) avançou 1,27% em janeiro e ficou 0,31 ponto percentual acima da taxa de 0,96% registrada no mês de dezembro, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (5). Trata-se da taxa mensal mais alta para o mês de janeiro desde 2003, quando atingiu 2,25%. O resultado ficou acima do esperado pelo mercado, uma vez que a estimativa mediana em pesquisa Bloomberg era de avanço de 1,1% na comparação mensal.
Os números do IPCA mexeram com os juros futuros. No mesmo horário, os DIs curtos, com vencimento em janeiro de 2017 subiam 0,12 pontos percentuais, para 14,66%, enquanto os longos, com vencimento em janeiro de 2021, apresentavam movimento mais expressivo: alta de 0,23 pontos, a 16,19%. Nesse cenário de inflação, subindo mais que o esperado, ao mesmo tempo em que o Banco Central indicava resistência em elevar juros, a imprevisibilidade do cenário para a Selic cresce.
No noticiário doméstico, ainda chama atenção a informação de que o governo pode antecipar para este ano a reforma que inclui teto para gasto, banda fiscal e alongamento da dívida dos estados em 10 anos, o que reduz a possibilidade de que a meta de superávit primário, fixada em 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto), seja alcançada neste ano. O mercado também aguarda decisão do ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, sobre cortes no orçamento de 2016 na semana que vem, que tende a ser menor que a do ano passado: R$ 50 bilhões ante 69,9 bilhões.
Ainda na agenda do dia, fica no radar a notícia de que economistas que acompanham as contas públicas apresentaram estudo sobre a participação do Banco Central nas chamadas “pedalaras fiscais”, emprestando dinheiro ao Tesouro — o que é proibido por lei no Brasil. Em dezembro, o tal repasse teria sido decisivo para quitar “pedaladas”, jargão usado para débitos protelados pelo Tesouro nos bancos públicos e autarquias. O governo negou a estratégia, mas levantamento de um grupo de economistas ligados ao Senado, obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo, sustenta que a operação ocorreu. Para eles, o remanejamento de R$ 50 bilhões do Banco Central foi indispensável para o governo fechar a conta e pagar as pedaladas. A sutileza da operação está no fato de o dinheiro do Banco Central não ter sido usado diretamente nas pedaladas. O que ocorreu foi uma triangulação de recursos.
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