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Ibovespa engata forte queda seguindo bolsas internacionais em meio a dado de emprego dos EUA; dólar avança

Mercado mostra perdas azedando após o horário do almoço em meio à piora em ações de techs nos EUA

The businesswoman in glasses standing near the display
(Artem Peretiatko/ Getty Images)
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SÃO PAULO – O Ibovespa engata queda nesta quinta-feira (23) seguindo as bolsas dos Estados Unidos, que passaram a cair forte à tarde depois dos investidores digerirem mal o aumento nos pedidos por auxílio-desemprego no país. Isso ocorre enquanto o número de novos casos de coronavírus bate recorde no Brasil.

O Brasil ontem teve 65.339 novos casos da Covid-19, um novo recorde de infecções em 24 horas. As mortes foram 1.293.

Entre os indicadores, os EUA tiveram 1,416 milhão de pedidos por seguro-desemprego na semana passada, mostrou o Departamento de Trabalho do país. A expectativa mediana dos economistas compilada no consenso Bloomberg era de 1,3 milhão de requisições do benefício durante o período. Na semana anterior os EUA tiveram 1,3 milhão de pedidos por auxílio-desemprego.

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Já na política brasileira, o presidente Jair Bolsonaro retirou a deputada aliada Bia Kicis da vice-liderança do governo no Congresso Nacional.

Às 15h07 (horário de Brasília) o Ibovespa tinha leve queda de 1,88% a 102.332 pontos. Lá fora, os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq recuam mais de 1% pressionados principalmente pelas ações de empresas de alta tecnologia como Microsoft e Apple.

Enquanto isso, o dólar comercial sobe 1,53%, a R$ 5,1912 na compra e R$ 5,1926 na venda. O dólar futuro para agosto tem valorização de 1,5% a R$ 5,198.

O câmbio dos EUA acelerou ganhos em relação ao real depois que o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, disse que o país irá proteger sua moeda, que é reserva mundial.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 registra perdas de três pontos-base a 2,96%, o DI para janeiro de 2023 tem queda de dois pontos-base a 4,06% e o DI para janeiro de 2025 recua um ponto-base a 5,56%.

Mais cedo, ainda havia algum otimismo devido às expectativas de que os EUA lancem um pacote de estímulos contra os impactos econômicos do coronavírus aos moldes do que foi feito na União Europeia, mas a falta de novidades a respeito do assunto hoje desanimou os mais positivos.

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Ontem, parlamentares do partido Republicano afirmaram que avaliam mais incentivos ao crescimento da economia americana para enfrentar a crise provocada pela pandemia e irão apresentar a proposta aos colegas Democratas.

Já a relação entre Estados Unidos e China segue cada vez mais desgastada. A expectativa é que a tensão aumento com a proximidade das eleições americanas.

Outro assunto no radar é a temporada dos resultados corporativos. Os investidores querem saber como as empresas foram afetadas no segundo trimestre pelas medidas de distanciamento social e as sinalizações de recuperação. O resultado da Tesla foi acima do esperado, enquanto houve frustração com os dados de computação em nuvem da Microsoft.

Radar político

O presidente Jair Bolsonaro retirou da vice-liderança do governo no Congresso Nacional a deputada federal Bia Kicis (PSL-DF), uma de suas aliadas mais leais. Não foi explicado o motivo da retirada e a justificativa também não consta da mensagem publicada no “Diário Oficial” da União.

A mudança ocorre um dia após a aprovação da renovação do Fundo de Desenvolvimento da Educação (Fundeb) pela Câmara. Às vésperas da votação, ocorrida na terça-feira à noite, o Planalto tentou alterar o parecer da relatora Dorinha Seabra (DEM-TO) para garantir a destinação de parte dos recursos da educação básica para um novo programa de transferência de renda e a postergação da vigência da renovação do fundo para 2022.

As alterações não foram aceitas pelo deputado, que mantiveram o texto da relatora. Apenas seis parlamentares votaram contra (Bia Kicis e outros seis da base aliada de Bolsonaro). Para minimizar o efeito da derrota, Bolsonaro, na quarta-feira, passou a atribuir a aprovação do Fundeb ao seu governo.

A retirada de Kicis também ocorre no momento em que o Planalto se aproxima do núcleo conhecido como Centrão.

Panorama corporativo

A Oi informou na noite de quarta-feira que fechou um acordo de exclusividade com a americana Highline para negociar a venda de suas operações de telefonia celular. A operadora em recuperação judicial afirmou que a proposta ficou acima do preço mínimo de R$ 15 bilhões definido para essa unidade de negócio.

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Um consórcio entre Claro, Tim e Vivo já havia comunicado interesse nesse ativo e o benefício de cobrir outras ofertas que se mostrassem mais atrativas para a Oi. No entanto, ao ter o acordo de exclusividade, é a Highline quem tem o direito de cobrir outras propostas recebidas ao longo da disputa. O acordo tem um período de vigência previsto até o próximo dia 3 de agosto, mas pode ser prorrogado.

A Highline é controlada pela gestora americana Digital Colony e já tinha feito nesta semana uma proposta para comprar por R$ 1,076 bilhão pela unidade de torres da Oi, outro ativo à venda.

A Assembleia Geral Ordinária (AGO) da Petrobras aprovou o pagamento de dividendos aos acionistas referentes ao exercício de 2019, no valor de cerca de R$ 1,7 bilhão aos detentores de ações ordinárias e de R$ 2,5 milhões aos preferencialistas.

O pagamento está previsto para ocorrer em 15 de dezembro de 2020, conforme fato relevante. Esse desembolso foi adiado em função das incertezas relacionadas à pandemia da Covid-19.

Os valores foram atualizados pela variação da taxa básica de juros (Selic) do período de 31/12/2019 até 22/07/2020, o que representou um acréscimo nas ações ordinárias de R$ 0,004420 por ação ordinária e R$ 0,000008 por cada preferencial. Desta forma, o valor total distribuído aos acionistas será de 0,238069 centavo por ação ordinária e 0,000457 centavo por ação preferencial.

Já o Conselho de Administração da Vale aprovou a criação de um “comitê de nomeação”, que terá como objetivo propor melhorias à estrutura do próprio colegiado e indicar os próximos conselheiros que serão eleitos em assembleia em abril de 2021, prevista para ser a primeira sem o acordo de acionistas.

Vão integrar esse comitê o ex-presidente da Petrobras e ex-ministro Pedro Parente, atualmente presidente do conselho de administração da BRF; e o presidente do conselho de administração da Embraer, Alexandre Gonçalves Silva. O presidente do conselho, que atualmente é José Maurício Coelho, presidente do fundo de pensão Previ, um dos principais acionistas da mineradora.

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