Bolsa

Ibovespa reduz baixa após chegar a perder os 100 mil pontos com coronavírus; dólar sobe mesmo com atuação do BC

Mercado mostra desempenho extremamente volátil após dois pregões de queda forte

(Shutterstock)
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SÃO PAULO – O Ibovespa reduz as perdas nesta sexta-feira (28) após o índice chegar a perder o nível dos 100 mil pontos. Os investidores estão atentos aos desdobramentos do noticiário sobre coronavírus no mundo.

Nova Zelândia e Nigéria reportaram os primeiros casos confirmados da doença, enquanto a Coreia do Sul ultrapassou hoje a marca de 2,3 mil pessoas infectadas, com 571 novos casos em 24 horas. No Oriente Médio, o Irã é o país mais afetado, com 245 casos confirmados e 26 mortes, informa a agência estatal de notícias Fars.

Na Europa, a Itália tem o maior surto, com 650 casos confirmados e 17 mortes, reporta o jornal Corriere della Sera. O número de casos na Alemanha, contudo, saltou de 10 para 32 hoje, a maioria no Estado da Renânia-Westfalia.

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A China, foco original do surto, tem 78.824 pessoas contaminadas, com 2.788 mortes. O número de mortos pelo Covid-19 está em queda na China, hoje ocorreram apenas 29 óbitos. No total, o mundo registra na manhã de hoje mais de 82 mil casos do Covid-19.

Às 13h53 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 1,02%, aos 101.841 pontos, após chegar a recuar 2,95% na mínima, em 99.950 pontos.

Enquanto isso, o dólar futuro com vencimento em março tinha leve alta de 0,23%, a R$ 4,499. O dólar comercial tem alta de 0,35%, a R$ 4,489 na compra e R$ 4,491 na venda. O Banco Central atuou novamente no câmbio nessa sexta, vendendo 20 mil contratos de swap.

Já entre os juros futuros, o contrato com vencimento em janeiro de 2022 tem queda de dois pontos-base a 4,68%, enquanto o de vencimento em janeiro de 2023 recua três pontos-base a 5,31%, seguido pela baixa de dois pontos-base do vencimento em janeiro de 2025, a 6,17%.

Os efeitos econômicos são cada vez mais sentidos, a Hyundai fechou sua fábrica de carros na cidade de Ulsan, na Coreia do Sul, após um trabalhador ter o diagnóstico positivo do coronavírus. A agência de notícias Yonhap informa que o governo de Seul pediu a todas as igrejas e templos no país que suspendam cerimônias para evitar a propagação do vírus.

Ontem, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou para a possibilidade de o avanço do coronavírus se tornar uma pandemia, mas ponderou que o surto ainda pode ser contido. “Estamos em um ponto decisivo”, afirmou durante entrevista coletiva em Genebra, na Suíça.

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Entre os indicadores, hoje a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) mostrou que o desemprego ficou em 11,2% no trimestre até janeiro deste ano contra 11% no trimestre até dezembro e 12% ante o trimestre até janeiro de 2019. A estimativa mediana dos economistas de acordo com o consenso Bloomberg era de 11,3%.

Política 

Em sua live semanal na Internet, o presidente Jair Bolsonaro cobrou do Congresso a aprovação das reformas enviadas pelo governo, mas negou que tenha incitado a população a ir às ruas em manifestação contra o Legislativo. Sob críticas de parlamentares e do Judiciário, Bolsonaro é pressionado a aplacar uma crise política que ele mesmo provocou, ao compartilhar vídeos em apoio a uma manifestação contra o Congresso marcada para 15 de março.

Ele pediu “serenidade” e “responsabilidade” e refutou informações de que estaria apoiando atos que teriam, entre as pautas anunciadas, de acordo com as notícias, pedidos de fechamento do Legislativo e do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Eu não vi nenhum presidente de Poder falar sobre essa questão do dia 15, que eu estaria estimulando um movimento contra o Congresso e contra o Judiciário, não existe isso. Não falaram porque não existe isso. Agora, nós não podemos nos envenenar com essa mídia podre que nós temos aí, em grande parte, podre que nós temos ai. Eu apelo a todo mundo, serenidade, patriotismo, responsabilidade, verdade. Nós podemos mudar o destino do Brasil. Não vou falar bem do meu governo, você que julga na ponta da linha. Pode ter certeza que, cada vez mais, os chefes de Poderes vão se ajustando, porque a nossa união, são quatro homens, quanto mais ajustados nós tivermos, nós juntos podemos fazer um Brasil melhor para 210 milhões de pessoas”, afirmou.

Sobre a alta do dólar, Bolsonaro diz que não interfere no BC: “no Brasil, o dólar está R$ 4,44 e nós lamentamos, porque isso, mais cedo ou mais tarde, vai influenciar naquilo que nós importamos, até no pão, no trigo”.

PIB 

O Ministério da Economia deve revisar a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) até a próxima semana, informa o jornal O Estado de S. Paulo. A revisão ocorre por causa do avanço do surto do coronavírus no mundo, principalmente na China, de onde o Brasil importa grande parte dos produtos manufaturados e peças para a indústria. A falta de componentes industriais vindos da China faz com que fábricas brasileiras, principalmente de eletroeletrônicos, deem férias coletivas e adiem o lançamento de produtos.

Na véspera, o Bank of America reduziu, por conta do coronavírus, pela segunda vez no mês, a projeção de crescimento do Brasil em 2020, que passou de 2,2% para 1,9%. Na quarta, o JP Morgan cortou a estimativa para o PIB brasileiro neste ano de 1,9% para 1,8%.

Noticiário corporativo 

A Petrobras anunciou na noite de ontem uma série de desinvestimentos, o mais aguardado dos quais é a venda dos 51% restantes que possui de participação na Gaspetro. A estatal publicou o teaser para a venda da sua participação na distribuidora de gás natural, que possui mais de 10 mil quilômetros de gasodutos no Brasil. A Japonesa Mitsui é dona dos 49% restantes na Gaspetro. Em outro negócio, a Neoenergia aprovou a emissão de debêntures no valor de R$ 300 milhões e com vencimentos em 2045.

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Já a Vale pediu à Petrobras cessão de navios para eventual vazamento. A mineradora divulgou comunicado sobre incidente com o navio MV Stellar Banner, de propriedade e operado pela empresa sul- coreana Polaris. A embarcação está encalhada a cerca de 100 quilômetros da costa de São Luís (MA), fora do canal de acesso do Terminal Marítimo Ponta da Madeira, de onde partiu na última segunda-feira.

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