Ibovespa opera em queda com atenções voltadas para front externo

Alta no rendimento de títulos públicos europeus preocupa mercado, que digere o PIB dos EUA e aguarda a ata do Fomc

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SÃO PAULO – Após iniciar o pregão desta terça-feira (22) com leve valorização, o Ibovespa inverteu o sinal e opera no campo negativo, ao registrar queda de 0,51%, aos 55.995 pontos, com as atenções do mercado ainda voltadas para a Europa – com a alta no rendimento de títulos públicos dos principais países da Zona do Euro – e para os Estados Unidos, após a S&P e Moodys´s reafirmarem o rating do país.

No entanto, a incapacidade do “supercomitê” norte-americano designado para definir os cortes nos gastos públicos em avançar numa negociação fez a Fitch alertar que pretende revisar as projeções de déficit público para o país, o que pode vir a mudar a nota de crédito dos EUA. Jason Vieira, da Cruzeiro do Sul Corretora, critica a postura do governo em estimular a economia no curto prazo e não resolver os problemas fiscais.

Na Europa, a Espanha voltou a pagar prêmios recordes em uma emissão de € 2,98 bilhões em títulos públicos de três e seis meses – antes visto apenas em 1997, antes da criação da Zona do Euro. Com isso, “a cautela continuará prevalecendo, mantendo os investidores na defensiva e a aversão ao risco elevada nos mercados internacionais e locais”, afirma Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora.

Ações em destaque
Entre os maiores ganhos do Ibovespa neste início de pregão, destaque para as ações de JBS (JBSS3, R$ 5,74, +2,14%), Vanguarda Agro (VAGR3, R$ 0,56, +1,82%), Marfrig  (MRFG3, R$ 7,84, +1,55%), Gafisa  (GFSA3, R$ 5,34, +1,52%) e LLX (LLXL3, R$ 3,51, +1,45%). 

Análises
O analista gráfico da Gradual Investimentos, Régis Chinchila, afirma que após fechar mais um dia em baixa no pregão anterior, o Ibovespa mostrou recuperação ao testar o suporte de 56.100 pontos. “Somente o rompimento desse patamar acentuará a pressão vendedora, com apoio intermediário em 55 mil pontos e importante em 53.100 pontos”.

Já o diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, Octavio de Barros, acredita que o mercado doméstico irá se comportar como as bolsas internacionais nesta sessão, devolvendo parte das perdas do pregão anterior. 

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Indicadores no radar
Os investidores aguardam ansiosos pela divulgação da ata da última reunião do Fomc (Federal Open Market Committee). Além disso, o mercado digere os números decepcionantes do PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano no terceiro trimestre, que registrou avanço de 2,0%, frente às projeções de alta de 2,5%.

Além do relatório do Fomc e do PIB norte-americano, o radar do mercado ainda deve seguir o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) comunicado nesta manhã. A inflação foi de 0,40% na segunda leitura de novembro, enquanto no mês anterior o avanço havia sido de 0,50%.

Por último, o Banco Central vai publicar a Nota do Setor Externo, que mostra dados sobre o balanço de pagamentos e reservas cambiais detidas pelo Brasil durante o mês de outubro.