Ibovespa opera em leve alta com mercado “dividido” após dado dos EUA; dólar sobe

Enquanto criação de empregos decepcionou, sinalizando juros baixos, salários mais elevados nos EUA trazem "confusão" entre os investidores

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SÃO PAULO – Indicador mais esperado pelo mercado nesta sexta-feira (5), o payroll norte-americano trouxe volatilidade ao mercado, após mostrar a adição de 151 mil novos empregos em janeiro, conforme apontou o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos. Os dados vieram abaixo das expectativas do mercado, que eram de que viesse um acréscimo de 188 mil vagas, conforme apontava o Briefing. A taxa de desemprego ficou em 4,9% no período, o seu menor nível desde 2008.

O Ibovespa reagiu aos dados com uma forte volatilidade, e agora opera em leve alta, com os investidores divididos entre os que olharam a queda da criação de vagas e ficou otimista pela possibilidade do Federal Reserve não elevar os juros e aqueles que olharam para dois indicadores menos observados. São estes a própria taxa de desemprego e o aumento dos ganhos salariais, que veio bem acima do esperado pelo mercado. Os hourly earnings registraram alta de 0,5% em janeiro, ante expectativas de elevação de 0,3%. Os dois indicadores apontam para uma melhora da economia norte-americana e podem pesar mais na balança do Fed do que a criação de vagas. 

Às 14h59 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira registrava alta de 0,18%, a 40.894 pontos. Já o dólar comercial vira para alta de 0,60% a R$ 3,9173 na venda, enquanto o dólar futuro para março sobe 0,50% a R$ 3,937.

O economista da Leme Investimentos João Pedro Brugger acrescenta que o impacto do indicador já estava nos preços, o que contribuiria para o movimento observado. Os títulos americanos com vencimento para dez anos subiam 2,18% no mesmo horário.

IPCA de janeiro decepciona
No radar doméstico, os dados de inflação pelo IPCA e IGP-DI chamam a atenção. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) avançou 1,27% em janeiro e ficou 0,31 ponto percentual acima da taxa de 0,96% registrada no mês de dezembro, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (5). Trata-se da taxa mensal mais alta para o mês de janeiro desde 2003, quando atingiu 2,25%. O resultado ficou acima do esperado pelo mercado, uma vez que a estimativa mediana em pesquisa Bloomberg era de avanço de 1,1% na comparação mensal.

Os números da inflação mexeram com os juros futuros. No mesmo horário, os DIs curtos, com vencimento em janeiro de 2017 subiam para 14,62%, enquanto os longos, com vencimento em janeiro de 2021, iam a 16,03%. Nesse cenário de inflação, subindo mais que o esperado, ao mesmo tempo em que o Banco Central indicava resistência em elevar juros, a imprevisibilidade do cenário para a Selic cresce.

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No noticiário doméstico, ainda chama atenção a informação de que o governo pode antecipar para este ano a reforma que inclui teto para gasto, banda fiscal e alongamento da dívida dos estados em 10 anos, o que reduz a possibilidade de que a meta de superávit primário, fixada em 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto), seja alcançada neste ano. O mercado também aguarda decisão do ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, sobre cortes no orçamento de 2016 na semana que vem, que tende a ser menor que a do ano passado: R$ 50 bilhões ante 69,9 bilhões.

Ainda na agenda do dia, fica no radar a notícia de que economistas ligados ao Senado que acompanham contas públicas apresentaram estudo sobre a participação do Banco Central nas chamadas “pedalaras fiscais”, emprestando dinheiro ao Tesouro — o que é proibido por lei no Brasil. O relatório, obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo, mostra que o remanejamento de R$ 50 bilhões do Banco Central foi indispensável para o governo fechar a conta e pagar as pedaladas.

Ações em destaque
As ações de siderúrgicas têm fortes altas hoje depois de notícia positiva para o setor ontem. O Conselho Estatal da China, ou gabinete, anunciou que planeja cortar a capacidade da produção de aço bruto do país entre 100 milhões e 150 milhões de toneladas nos próximos anos. O montante equivale entre 12% e 15% da produção total de 2015 ou 14% a 22% do excedente de produção global. 

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Na Bolsa, os papéis da Gerdau (GGBR4, R$ 4,31, +4,87%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 1,39, +6,92%), Usiminas (USIM5, R$ 1,03, +0,98%) e CSN (CSNA3, R$ 4,43, +6,49%) figuram novamente entre as maiores altas do Ibovespa. Considerando esses últimos dois pregões, esses papéis já sobem até 15%, com Gerdau liderando os ganhos. Usiminas avança 10%, enquanto CSN sobe 13% no período.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 RUMO3 RUMO LOG ON 2,29 +21,16
 CMIG4 CEMIG PN 6,07 +10,97
 GOAU4 GERDAU MET PN 1,40 +7,69
 CSNA3 SID NACIONALON 4,43 +6,49
 CPLE6 COPEL PNB 24,09 +6,12

Já as ações da Petrobras (PETR3, R$ 6,61, -0,90%; PETR4, R$ 4,63, -2,11%) operam em queda. Pressionando os papéis está a baixa das cotações do petróleo, que cai 2,11% a US$ 31,04 o barril do WTI (West Texas Intermediate) e 0,99% a US$ 34,12 o barril do Brent. 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 LREN3 LOJAS RENNERON 16,82 -5,51
 CIEL3 CIELO ON 31,30 -5,30
 TIMP3 TIM PART S/AON 6,07 -4,71
 OIBR4 OI PN 1,69 -2,87
 LAME4 LOJAS AMERICPN 17,22 -2,38

Europa e Ásia
As ações chinesas recuaram nesta sexta-feira com a visão do mercado de que os movimentos para aumentar os tetos de investimento para estrangeiros não vão levar a um aumento imediato da compra de ações chinesas, enquanto no restante da região as bolsas não tiveram uma trajetória definida, antes do aguardado relatório de emprego dos Estados Unidos. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 0,7%, enquanto o índice de Xangai teve queda de 0,6%.

Na Europa, o dia é de ganhos após quatro sessões de queda. O movimento de correção do mercado “ignora” os dados de pedidos às indústias na Alemanha, que recuaram acima do previsto: 0,7% ante expectativas de 0,2%. O resultado foi comprometido pelas encomendas domésticas, que recuaram 2,5% em dezembro ante o mês anterior. As encomendas estrangeiras, por outro lado, avançaram 0,6%. Na comparação anual, as encomendas à indústria alemã registraram baixa de 1,0% em dezembro, desconsiderando-se ajustes, informou o Ministério da Economia do país.

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