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SÃO PAULO – Volatilidade: esta palavra nunca explicou tão bem o desempenho da bolsa brasileira como nesta segunda-feira (8). Das 10h às 12h40 (horário de Brasília), o Ibovespa já mudou de sinal por 10 vezes, tendo chegado a subir 0,67% e cair 0,82% na sua máxima e mínima do dia – quando bateu nos 45.511 e 44.838 pontos, respectivamente. Neste momento, o principal índice de ações da BM&FBovespa mostra variação positiva de 0,49%, a 45.432 pontos.
Além do noticiário bastante movimentado no front internacional e das importantes referências que estão agendadas para esta semana – dentre elas a ata do Fomc (Federal Open Market Committee) nos EUA e a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) -, o analista João Pedro Brugger, da Leme Investimentos, aponta mais dois fatores para explicar porque a instabilidade do Ibovespa vista hoje é “normal”: a véspera do feriado em São Paulo e a proximidade dos 45.000 pontos.
“O índice encontra-se graficamente entre um suporte intermediário entre 44.000 e 45.000 pontos, o que deve trazer mais oscilação no mercado”, explica Brugger. Na semana passada, o Ibovespa mostrou força compradora sempre que ameaçou romper para baixo a zona dos 45.000 pontos, sinalizando a solidez deste suporte. No entanto, a perda deste patamar pode abrir espaço para quedas ainda mais fortes para o benchmark brasileiro. O analista da Leme aponta os 40.000 pontos como próximo suporte.
Proteção ao feriado
O outro evento que serve como combustível para a volatilidade do Ibovespa é o feriado da Revolução Constitucionalista de 1932 em São Paulo, que manterá a BM&FBovespa fechada nesta terça-feira. “Como o mercado já vem muito instável, um dia sem pregão gera um desconforto nos investidores, que tendem a ajustar suas posições nesta tarde”, explica o analista.
Para evitar dores de cabeça, o investidor muitas vezes prefere desfazer de suas posições antes do feriado, protegendo-se assim de qualquer má notícia que afete os mercados internacionais durante o recesso na Bovespa – e que terá reflexo por aqui apenas no pregão pós-feriado.
Uma boa forma de tentar prever como o Ibovespa voltará do feriado é acompanhando os ADRs (American Deposiraty Receipts) brasileiros negociados em Wall Street. Por serem “recibos” das ações negociadas aqui no Brasil, o movimento destes ADRs naturalmente é reproduzido nos primeiros minutos do pregão local logo após a volta do feriado.
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OCDE, China e Europa: novos ingredientes para a volatilidade
Na semana que marca a mudança nos horários de negociação na BM&FBovespa – a partir desta segunda, a Bovespa volta a ter trinta minutos a menos de negociação, indo das 10h às 17h -, os investidores já se deparam com um noticiário bastante movimentado. Por aqui, o Boletim Focus do Banco Central trouxe uma expectativa menor para a inflação em 2013, que caiu de 5,87% para 5,81% na passagem semanal, enquanto o crescimento previsto para o PIB (Produto Interno Bruto) neste ano foi de 2,40% para 2,34%. A Selic foi mantida para 9,25% ao ano.
O dia ainda contou com um indicador da OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico) que indicou que as economias emergentes em geral apresentaram estabilização ou desaceleração na atividade. No caso do Brasil, o índice desacelerou para 99,1 em maio, ante 99,3 em abril. Enquanto a China perdeu mais velocidade com uma leitura de 99,5, ante 99,6, enquanto a leitura para a Rússia caiu para 98,9, ante 99,2.
Já dentre os desenvolvidos, o indicador volta a mostrar que estes países estão em continuada recuperação. O Japão, beneficiando-se de uma forte rodada de estímulo monetário, liderou entre os países desenvolvidos com uma leitura de 101,3, ante 101,1 em abril, Enquanto nos EUA a leitura ficou inalterada em maio em 101,0, o que segundo a OCDE sinaliza crescimento firme. A zona do euro, que há tempos luta para sair da crise de dívida, viu melhora com sua leitura subindo para 100,3 ante 100,1.
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Reforçando as más notícias dentre os emergentes, o governo chinês afirmou que não estenderá crédito aos setores que estão com excesso de capacidade, em mais uma sinalização de que a atividade econômica do país apresentará em 2013 níveis bem abaixo do que o mercado se acostumou a ver. A semana começou com quedas de mais de 1% para os principais índices acionários da Ásia, com destaque para o Shangai Composite, que caiu 2,45%.
Na Europa, os principais índices acionários tiveram altas de mais de 1%, refletindo os melhores sinais vindos do continente. Na Grécia, oficiais da comissão europeia disseram ter chego a um acordo com as autoridades gregas sobre as necessidades econômicas e financeiras do país para garantir que o plano de ajuda atinja os objetivos almejados. Já em Portugal, um acordo entre dois parceiros do partido de coligação e o primeiro-ministro foi anunciado com o intuito de remodelar o gabinete do governo, que na última semana viu dois ministros renunciarem.
As notícias ofuscaram as referências negativas da Alemanha, principal economia da Europa, que voltou a mostrar que tem enfrentado dificuldades. A produção industrial alemã recuou 1% em maio, queda mais acentuada desde outubro do ano passado, além de também ter vindo pior do que esperavam os analistas, que estimavam recuo de 0,5%. Já as exportações do país caíram em maio ao ritmo mais forte visto desde o fim de 2009.
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Alcoa: “ponta pé” inicial nos resultados dos EUA
Hoje após o fechamento do mercado dos EUA, será divulgado o resultado do segundo trimestre da Alcoa, considerado como um “ponta pé não oficial” da temporada de balanços do país – diferente daqui, onde há um prazo para as empresas apresentarem seus números trimestrais, a divulgação de resultados corporativos nos EUA é quase que constante.
Projeções consultadas pela Reuters estimam que a siderúrgica apresente um lucro por ação de US$ 0,10, enquanto as receitas devem cair de US$ 6 bilhões para US$ 5,8 bilhões na comparação com o 2º quarto de 2012. No entanto, a expectativa para a temporada de balanços em si mostra-se bastante negativa por parte do mercado: uma pesquisa feita pela mesma Reuters mostra que a relação entre resultados positivos e negativos esperados é a pior desde 2001.