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Ibovespa mergulha ‘nos acréscimos’ com derrocada de blue chips; dólar cai a R$ 3,11

Índice começa a semana em baixa, com investidores esperando IPCA e ata do Copom ficam no radar; Vale, bancos e Ambev terminam nas mínimas

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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em leve queda nesta segunda-feira (8), mergulhando nos minutos finais depois de uma sessão perto da estabilidade. Ambev, Vale e bancos, fecharam nas mínimas, enquanto Petrobras caiu forte da sua máxima perto do fechamento. Juntas, essas ações correspondem a 44% do Ibovespa. 

O benchmark da Bolsa brasileira fechou em queda de 0,31%, a 52.809 pontos. Ao mesmo tempo, o dólar comercial teve queda de 1,29%, a R$ 3,1079 na compra e a R$ 3,1099 na venda, enquanto o dólar futuro para julho cai 1,14%, a R$ 3,135. No mercado de juros futuros, o contrato DI para janeiro de 2017 cai 0,10 ponto percentual, a 13,55%, ao passo que o DI para janeiro de 2020 cai 0,08 p.p., a 12,62%. O volume financeiro negociado foi de R$ 5,037 bilhões. 

O movimento do dólar ocorreu após um membro da comitiva francesa no G7 comentar que Obama acredita que o câmbio forte é um problema. A queda, no entanto, passou a ser limitada após a Casa Branca negar que a moeda forte seja uma questão tão grave assim. Neste pregão, o dollar index – que mede a variação da moeda americana em relação a uma cesta de moedas – recuou, enquanto o euro avançou. 

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Lá fora, as outras bolsas de mercados emergentes recuram pelo 11º dia seguido após a queda acima do previsto das importações chinesas, enquanto por aqui, ainda ficaram no radar as declarações da presidente Dilma Rousseff em entrevista exclusiva ao Estado de S. Paulo defendendo o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, antes do Congresso do PT. 

O analista da Walpires Corretora, Angelo Larozi, disse que o Ibovespa está em compasso de espera, com investidores procurando uma definição para questões como o ajuste fiscal e a elevação de juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve. Além disso, a situação da Grécia também preocupa e encontra-se indefinida. 

O mercado ainda refletiu a divulgação do Relatório Focus, que mostrou elevação nas projeções de inflação e redução na expectativa para o PIB (Produto Interno Bruto). Nesta semana os investidores ficarão de olho no IPCA que sairá na quarta-feira, assim como na ata do Copom (Comitê de Política Monetária), que será divulgada na quinta. A expectativa é que a ata traga mais indicações acerca dos próximos passos do aperto monetário que vem sendo realizado pelo Banco Central. Na reunião da última quarta o BC elevou a Selic de 13,25% a 13,75% ao ano.

Os investidores ainda esperam por mais detalhes sobre o novo plano de concessões de infraestrutura do governo. A ampliação do valor do plano, que ainda poderá sofrer revisão, foi discutida neste final de semana em reunião da presidente com ministros envolvidos na elaboração do pacote, que é a aposta do governo para estimular o crescimento da economia.

Segundo relatório ao mercado da XP Investimentos, A estimativa originalmente em discussão estava em torno de R$ 134 bi, mas na reunião deste domingo (7), que durou quase cinco horas, foi definida uma turbinada dos investimentos. O valor deve crescer em mais R$ 54 bi com a inclusão no plano do acordo internacional para a construção da ferrovia bioceânica (entre o Peru e o Brasil com participação chinesa), a Rio-Vitória e os processos já iniciados em 2014 de Manifestação de Interesses (PMIs), no qual as empresas interessadas nas concessões se candidatam a elaborar o projeto.

Hoje, além do Relatório Focus, também foram divulgados os indicadores antecedentes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que apontaram para um enfraquecimento econômico no Brasil, na China, nos Estados Unidos e no Canadá. No caso do Brasil, o dado recuou para 99,0 em abril, de 99,1 em março, sinalizando “perda de ímpeto no crescimento”, enquanto na Rússia o resultado avançou para 99,6, de 99,3, sugerindo uma “mudança positiva do ímpeto de crescimento”, de acordo com pesquisa mensal da OCDE. Na China, a leitura declinou para 97,5, de 97,7, com “amenização” da expansão.

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Ações em destaque
Os bancos Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 33,01, -0,42%), Bradesco (BBDC3, R$ 26,00, +0,31%BBDC4, R$ 27,58, +0,15%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 22,23, -0,45%) fecharam entre altas e baixas. É vetor de alta a notícia de que o julgamento dos planos econômicos no Supremo Tribunal Federal (STF), tema que preocupa o governo em razão do impacto no sistema financeiro, só deve ocorrer assim que o 11º ministro da Corte, Luiz Edson Fachin, se disser apto a julgar o caso, segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo.

Além disso, segundo informações da agência de notícias Bloomberg, o Bradesco é o mais provável comprador do HSBC no Brasil, por um valor entre R$ 10 bilhões e R$ 14 bilhões, de acordo com fontes. Para a Bloomberg, o Bradesco teria mais facilidade de integrar os ativos do HSBC e de obter aprovação do governo do que um banco estrangeiro como o Santander, que também fez uma oferta, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas porque as negociações são privadas. O Bradesco estaria disposto a pagar em dinheiro.

A discussão sobre a constitucionalidade dos planos econômicos nas décadas de 80 e 90, que teriam provocado perdas no rendimento das cadernetas de poupança, está parada há mais de um ano por falta do quórum mínimo de oito ministros para análise do tema.

Já os papéis da Petrobras (PETR3, R$ 13,55, +0,22%PETR4, R$ 12,57, +0,08%) viraram para alta. O noticiário segue movimentado nesta segunda-feira, também repercutindo o que foi revelado no último final de semana.  Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo do último final de semana, um documento da Petrobras indica que o ex-diretor de abastecimento Paulo Roberto Costa viajou a Brasília, em 2006, para se reunir com o então presidente Lula, com a finalidade de tratar da refinaria Pasadena, nos Estados Unidos. O encontro teria ocorrido um mês antes da compra da planta de refino ser autorizada. 

Ao mesmo tempo, empresas ligadas à infraestrutura como as concessionárias de ferrovias e rodovias Rumo (RUMO3, R$ 1,39, +4,51%), Ecorodovias (ECOR3, R$ 8,38, +3,71%) e CCR (CCRO3, R$ 15,67, +0,71%) registraram fortes ganhos hoje. O movimento ocorreu em meio às expectativas para ser anúncio do programa de concessões em infraestrutura do governo. 

Em meio aos dados fracos da China, a Vale (VALE3, R$ 20,10, -2,43%VALE5, R$ 17,05, -3,18%) registrou queda hoje. As exportações da China caíram menos que o esperado no mês passado, mas as importações recuaram a um ritmo mais forte, aumentando receios acerca de uma desaceleração da economia e dando a Pequim novos motivos para adotar mais medidas de estímulo. As exportações da China em maio caíram 2,5% em dólares na comparação com o ano anterior, uma queda menor do que a esperada pelo mercado, enquanto as importações tombaram 17,6%. 

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 OIBR4 OI PN6,17-6,37-28,34
 BRAP4 BRADESPAR PN11,31-4,23-16,80
 MRFG3 MARFRIG ON3,86-3,74-36,72
 FIBR3 FIBRIA ON42,84-3,32+32,61
 VALE5 VALE PNA17,05-3,18-7,84

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As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 RUMO3 RUMO LOG ON1,39+4,51-20,39
 ECOR3 ECORODOVIAS ON8,38+3,71-17,31
 NATU3 NATURA ON30,75+2,50+0,20
 LREN3 LOJAS RENNER ON109,40+2,15+44,79
 BBSE3 BBSEGURIDADE ON34,67+1,97+10,69

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED33,01-0,42427,94M
 VALE5 VALE PNA17,05-3,18319,23M
 PETR4 PETROBRAS PN12,57+0,08296,63M
 ABEV3 AMBEV S/A ON EJ18,53-0,64233,12M
 BBDC4 BRADESCO PN EJ27,58+0,15151,60M
 BBSE3 BBSEGURIDADE ON34,67+1,97146,10M
 ITSA4 ITAUSA PN ED8,63+0,35143,53M
 BRFS3 BRF SA ON66,30-0,15141,75M
 VIVT4 TELEF BRASIL PN42,43-2,30136,63M
 JBSS3 JBS ON15,88+0,13123,16M

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

Grécia e Rússia preocupam G7
Na Europa, o dia foi de perdas enquanto as tensões geopolíticas seguem eliminando o apetite por riscos por parte do mercado. No plano geopolítico, mexem com o humor dos mercados a notícia de que líderes do G7 decidiram manter sanções contra a Rússia enquanto o presidente Vladimir Putin e os separatistas por ele apoiados não firmarem um termo de paz com a Ucrânia, além do clima de tensão quanto à capacidade da Grécia honrar o pagamento de suas dívidas. As expectativas são de que novas negociações tomem posto nesta semana. 

Os credores internacionais da Grécia sugeriram estender o programa de resgate do país até o fim de março de 2016, mas divergências sobre as condições atreladas à continuação do suporte e sobre o que pode acontecer em seguida colocaram o plano sob risco. As informações são de três pessoas com conhecimento das negociações.

A parte da zona do euro no programa de resgate de 245 bilhões de euros (US$ 272 bilhões) da Grécia termina no fim de junho, o que tem levantado questões sobre como Atenas vai pagar as dívidas depois deste mês e se o país permanecerá na zona do euro. Para garantir que a Grécia não fique sem dinheiro até o fim de março, o governo teria acesso a cerca de 10,9 bilhões de euros que haviam sido separados para recapitalização dos bancos, de acordo com as fontes.

As tensões sobre a natureza prolongada das negociações veio à tona domingo, quando o presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker acusou o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras de distorcer propostas de reforma por parte dos credores da Grécia e de arrastar os pés em oferecer um plano alternativo.

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(Com Agência Estado e Reuters)