Ibovespa mantém-se no território positivo pela tarde guiado por Vale e imobiliárias

Wall Street sobe puxada por bancos, mas indicador ruim ainda preocupa; união entre Sadia e Perdigão também chama atenção

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SÃO PAULO – Depois de certa instabilidade pela manhã após os expressivos ganhos da véspera, os mercados experimentam uma tarde mais amena. Wall Street tenta se firmar no campo positivo com ajuda do setor financeiro, mas fracos indicadores ainda trazem certa cautela. Aqui dentro, o Ibovespa olha novamente para o ganho no valor das commodities e, guiado por Vale e incorporadoras imobiliárias, registra valorização pelo segundo pregão consecutivo.

Preocupados com a reputação nos mercados e a fim de dissipar qualquer chance de influência do Estado em seu gerenciamento, os bancos Goldman Sachs, Morgan Stanley e JPMorgan Chase almejam pagar o quanto antes os empréstimos do programa TARP (Troubled Asset Reflief Program) ao Tesouro dos EUA, conforme noticiado pela mídia internacional. Em resposta, os papéis do setor ajudam a sustentar o movimento positivo de Wall Street.

Em contrapartida, depois do índice de confiança no setor imobiliário agradar o mercado na véspera, o Housing Starts, indicador que mede o número de casas em início de construção nos EUA, veio abaixo do esperado no anualizado de abril e renovou as tensões com o setor. Também pesando para o lado negativo, a Home Depot mostrou que tanto suas vendas quanto receitas mostraram declínios próximos de 10%.

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À beira da concordata, a General Motors possui quatorze dias para concretizar seu plano de reestruturação, de acordo com o prazo estipulado pela administração de Barack Obama. A montadora de Detroit visa diminuir suas dívidas de US$ 27 bilhões, via realização de concessões atingidas junto ao UAW (United Auto Workers) e fechamento de 40% das concessionárias nos EUA. As ações da montadora disparam 6% nesta tarde.

Vale e imobiliárias

Estendendo os ganhos da véspera, o Ibovespa avança com fôlego extra de Vale e incorporadoras imobiliárias. Por aqui, o mercado também observa de perto a união entre Sadia e Perdigão, que criará uma gigante da indústria de alimentos, denominada BRF (Brasil Foods).

Diante das especulações de que as melhorias verificadas nos mercados de crédito irão contribuir para a recuperação da economia, os preços dos contratos de metais registram forte avanço nesta sessão, com destaque para cobre e níquel. Favorecidos por este cenário, os papéis da Vale avançam nesta tarde.

Já na ponta positiva do índice aparecem as ações da Cyrela, que anunciou que submeterá a seus acionistas a proposta de incorporação da Goldsztein Participações. A consumação da operação proporcionará à Cyrela o controle total da Goldsztein, na qual atualmente detém participação de 50%. A disparada dos papéis também tem raízes em perspectivas otimistas do Credit Suisse com o setor.

Na esfera corporativa, o grande destaque fica com a confirmação da fusão entre Sadia e Perdigão, condicionada à adesão dos acionistas de ambas as empresas e à aprovação das autoridades brasileiras de defesa da concorrência. Conforme comunicado enviado pela segunda, a operação compreende a alteração da denominação de Perdigão para BRF (Brasil Foods), a reorganização societária das companhias e a incorporação de ações de Sadia pela BRF.

Ibovespa sobe

O Ibovespa opera com alta próxima de 0,8%, contornando os 51.900 pontos. O volume financeiro do índice ultrapassa R$ 4 bilhões.

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No destaque negativo do índice figuram os papéis CPFL Energia, que também lideram o volume de negócios do benchmark. Especula-se no mercado que a queda estaria relacionada à venda direta de uma fatia da participação da Bradespar na companhia, a qual não foi confirmada por nenhuma das partes. O elevado volume transacionado por estes papéis alimenta os rumores.

Altas e baixas

Entre os destaques de alta estavam os papéis
Gafisa ON (GFSA3, +7,88%),
Usiminas PNA (USIM5, +6,60%),
Bradespar PN (BRAP4, +5,86%),
Usiminas ON (USIM3, +5,69%) e Cyrela Realty ON (CYRE3, +4,82%).

Por outro lado, as ações
CPFL Energia ON (CPFE3, -5,26%),
Perdigão ON (PRGA3, -3,83%),
BMF Bovespa ON (BVMF3, -3,45%),
Light ON (LIGT3, -2,84%) e Lojas Renner ON (LREN3, -2,63%).
encerraram a manhã em queda.

Os maiores volumes ficaram com
CPFL Energia ON (CPFE3, R$ 598,74 milhões), Petrobras PN (PETR4, R$ 461,93 milhões), Vale Rio Doce PNA (VALE5, R$ 460,98 milhões), Usiminas PNA (USIM5, R$ 165,18 milhões) e BMF Bovespa ON (BVMF3, R$ 162,30 milhões).

Dólar cai

Mantendo a trajetória observada no começo do dia, o dólar amplia o ritmo de queda em relação ao real e, há pouco, era negociado próximo a R$ 2,03, baixa de 1,8% frente ao fechamento anterior.

Assim como o ocorrido nas últimas sessões, o Banco Central brasileiro interveio mais uma vez no mercado cambial, realizando compra de dólar em leilão no mercado à vista, cuja taxa aceita foi de R$ 2,057. Tal operação ocorreu entre às 12h18 e às 12h28 (horário de Brasília).

Na agenda doméstica, o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor) referente à segunda prévia de maio apontou inflação de 0,34%, taxa idêntica à registrada no acumulado da primeira quadrissemana.

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