Ibovespa mantém alta com espera por Copom, correção e cenário externo

Índice caminha para interromper sequência de cinco quedas com espera pelo Copom e correção; Bolsa passou a acelerar ganhos com abertura positiva das bolsas americanas

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SÃO PAULO – Depois de cinco quedas consecutivas, o Ibovespa esboça um repique nesta quarta-feira (3) em dia de desfecho da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que vai decidir para onde vai a taxa básica de juros. A maior parte do mercado acredita que o Banco Central elevará a Selic em 0,5 ponto percentual para mostrar aos investidores uma intenção de combater com firmeza a inflação. Após a abertura positiva das bolsas norte-americanas, o índice acelerou ganhos. 

Às 15h36 (horário de Brasília), o Ibovespa subia 1,38%, a 52.326 pontos, enquanto o dólar caía 0,75%, a R$ 2,5562. 

No radar, continua o boato de que uma parte do governo estaria decidida a encampar o projeto de lei de Renato Simões e Ricardo Berzoini, ambos do PT, de taxar dividendos e acabar com os juros sobre capital próprio. Para analistas do mercado, há pouca probabilidade de uma aprovação visto que um imposto sobre o dividendo incorreria em dupla tributação, uma vez que o provento nada mais é que a distribuição de uma parte do lucro da empresa, que já é tributado da companhia.

No Congresso, a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias foi novamente adiada e deve ocorrer hoje por volta das 10h. O governo tenta alterar o texto para ser desobrigado da meta de fazer um superávit primário equivalente a 1,9% do PIB este ano, o que é considerado impraticável pela maioria dos economistas. Sessão do Senado para decidir a matéria ontem acabou em confusão com o presidente da casa, Renan Calheiros, expulsando manifestantes levados pela oposição para protestar contra o projeto. 

Além disso, foi divulgado pelo HSBC o PMI do setor de Serviços da economia brasileira. O índice de atividade dos gerentes de compra subiu para 48,5 em novembro, de 48,2 em outubro, quando havia atingido o menor nível em 26 meses, segundo pesquisa do HSBC/Markit. 

Lá fora, o mercado deve esperar os dados econômicos do Livro Bege do Federal Reserve, às 17h. O relatório traz diversos indicadores econômicos apurados pelos bancos centrais dos estados norte-americanos e é um termômetro de como anda a maior economia do mundo. 

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Destaques
Ontem ainda, o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, jogou mais lenha na fogueira ao dizer na CPI da estatal que “o que acontecia na Petrobras acontece no Brasil inteiro: nas rodovias, ferrovias, nos portos, aeroportos, nas hidrelétricas. Isso acontece no Brasil inteiro. É só pesquisar”. As ações da Petrobras (PETR3; R$ 12,01, +5,35%; PETR4; R$ 12,76, +5,19%) subiam pela primeira vez depois de sete quedas consecutivas. 

Outra blue chip, a Vale (VALE3; R$ 21,92, +1,25%; VALE5; R$ 18,79, +0,27%) confirmou, ontem, pela primeira vez, que cogita abrir o capital da área de metais básicos da companhia. “Trata-se de um inconformismo que nós temos em relação ao valor percebido nas ações da Vale sobre o negócio de metais básicos”, disse o presidente da Vale, Murilo Ferreira. O plano considera vender ativos ou parte deles em diversas áreas de atividade para gerar caixa adicional e assim fazer frente aos investimentos em 2015 e 2016 em um cenário de queda nos preços do minério de ferro. No total, a mineradora vê potencial de arrecadar entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões com as vendas de ativos.

Já a notícia de fusão da Cielo (CIEL3; R$ 42,50, -1,35%) com o Banco do Brasil (BBAS3; R$ 27,25, +1,57%) foi avaliada como positiva pela agência de rating Moody’s. O movimento, porém, não tem impactos imediatos na nota de risco da credenciadora de cartões. Na escala da agência, a nota de longo prazo em moeda estrangeira da Cielo é “Baa2”, com perspectiva estável. A classificação está dentro do que a agência considera como “grau de investimento”. A nova companhia foi avaliada em R$ 11,6 bilhões, e a Cielo terá que aportar R$ 8,1 bilhões na parceria, quantia que será levantada via emissão de dívida. A Moody’s estima que a geração de caixa anual da empresa seja de R$ 900 milhões.

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As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 MRFG3 MARFRIG ON 6,06 +10,18
 JBSS3 JBS ON 11,64 +7,78
 PETR3 PETROBRAS ON 11,99 +5,18
 PETR4 PETROBRAS PN 12,75 +5,11
 GFSA3 GAFISA ON 2,68 +4,69

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 BRPR3 BR PROPERT ON 10,20 -3,23
 RLOG3 COSAN LOG ON 3,06 -3,16
 ALLL3 ALL AMER LAT ON 5,51 -2,48
 ESTC3 ESTACIO PART ON 26,40 -2,22
 CIEL3 CIELO ON 42,50 -1,35

Cenário externo
As bolsas asiáticas tiveram um dia de misto nesta quarta-feira (3), entre algumas perdas e ganhos, enquanto que o dólar atingiu nova máxima de sete anos contra o iene. O desempenho da moeda ajudou o índice japonês Nikkei a encerrar o pregão alcançando uma máxima similar. Do lado europeu, as bolsas avançam puxadas pelo setor de saúde enquanto o continente espera por estímulos na próxima reunião do Banco Central Europeu (BCE) que ocorre amanhã.  

No velho continente, as apostas são de que o BCE mantenha a opção de fazer um Quantitative Easing nos moldes americanos em aberto. O presidente da autoridade monetária europeia, Mário Draghi, disse que o BCE posse expandir o seu programa de compra de ativos para incluir títulos do governo. 

Duas pesquisas do Índice de Gerente de Compras (PMI, na sigla em inglês) mostraram que o setor de serviços da China cresceu um pouco mais rápido em novembro, embora não tenham banido temores de enfraquecimento da economia chinesa. “Pressões sobre a economia ainda persistem”, disse o economista do HSBC, em Hong Kong, Qu Hongbin, acrescentando que espera mais medidas de estímulo nas próximas semanas.

Na Ásia, a bolsa do Japão foi puxada ainda pelas recentes quedas dos preços do petróleo porque os custos de produção das empresas que compõem o Nikkei ficam mais baratos. Na terça-feira, os contratos de petróleo bruto para janeiro fecharam a US$ 66,88 por barril, em queda de US$ 2,12 (3,07%), na New York Mercantile Exchange (Nymex). Na Intercontinental Exchange (ICE), os contratos do petróleo Brent para janeiro fecharam a US$ 70,54 por barril, em queda de US$ 2,00 (2,76%).

A desvalorização do iene em relação ao dólar também é vista com bons olhos pelo mercado japonês, uma vez que as empresas exportadores do país elevam suas receitas na moeda norte-americana. Pouco antes da bolsa fechar, o dólar era negociado a 119,18 ienes, acima dos 118,45 ienes registrados no momento em que a sessão anterior, de terça-feira, foi encerrada. O índice Nikkei encerrou o dia com ganhos de 0,32%, aos 17.720,43 pontos, depois de ter avançado 0,4% na terça-feira.

(Com Agências)

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