Conteúdo editorial apoiado por

IPCA-15, petróleo e Treasuries nos EUA: o que explica nova queda no Ibovespa nesta 6ª

Última pesquisa Datafolha também está no radar dos investidores

•

Ativos mencionados na matéria

Publicidade

O temor dos investidores com questões fiscais e relacionadas à inflação no Brasil, além do recuo do petróleo, jogam o Ibovespa para baixo com queda da Petrobras (PETR3;PETR4). Apesar do recuo do petróleo hoje, as preocupações inflacionárias e juros elevados em economias desenvolvidas como Estados Unidos persistem.

Às 11h15 desta sexta, cedia 0,81%, aos 182.473,08 pontos, ante recuo de 0,99%, na mínima em 182.151,01 pontos, e máxima em 184.214,48 pontos (+0,14%) e abertura estável em 183.963,28 pontos.

Aqui, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA -15) de setembro acima do teto das projeções, pesquisa eleitoral Datafolha e a previsão de anúncio de medidas do governo federal para proteção da economia popular mantêm cautela de investidores.

“De negativo para a Bolsa e pensando no curto prazo, temos o IPCA-15. Para o trimestre, tem a cautela pela expectativas de altas de juros pelo Fed Federal Reserve, banco central dos EUA”, diz Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos.

Hoje à tarde, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deve anunciar a proibição do funcionamento das bets no Brasil, em São Paulo.

Entre as iniciativas estão um programa para quitar dívidas antigas de famílias, estudantes, empreendedores e agricultores rurais com recursos do Tesouro e uma medida provisória para proibir bets e jogos como o “tigrinho”. Isso eleva cautela fiscal, segundo analistas.

Continua depois da publicidade

Divulgada ontem, pesquisa Datafolha mostra o presidente Lula liderando com 40% das intenções de voto e o senador Flávio Bolsonaro (PL), 36%, no 1º turno, tecnicamente empatados. No 2º turno, Lula à frente, com 47%, ante 45% de Flávio, permanecendo também em empate técnico, com alta de 1 ponto cada.

Assim como outros analistas, Cima, da Manchester, diz que só uma mudança na Presidência da República poderia fazer a Bolsa engatar alta, devido a possibilidades de mudança na condução fiscal do Brasil. “Única coisa que pode fazer o índice andar é a alternância de poder.”

Hoje, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15 subiu 0,70% em 0,70% em setembro ante recuo de 0,40% em agosto. O resultado superou todas as estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast, que iam de alta 0,45% a 0,66%, com mediana de 0,53%.

Continua depois da publicidade

Ontem, o Ibovespa fechou em baixa de 0,99%, aos 183.965,91 pontos, com queda semanal de 0,68%, após recuo de 1,06% na semana passada.

Segundo Bruno Takeo, estrategista da S4 Consultoria, a queda do Índice não parece ter fundamento claro. “O IPCA-15 veio pior, mas não acho que está fazendo muito preço’, diz.

Para ele, o movimento pode estar atrelado a um ajuste técnico, após recente alta do Ibovespa, por conta da ideia de uma eleição favorável ao candidato Flávio Bolsonaro, que concorre à Presidência da República.

Continua depois da publicidade

De acordo com o analista técnico Gilberto Coelho, da XP, o Ibovespa está em tendência de alta pelas médias de 21 e 200 dias, mas segue congestionado entre os 183.000 e 189.500 pontos.

“Acima dos 186.500, pode ganhar força para superar os 189.500 e buscar o topo nos 199.000 ou projeção nos 204.000. Já um fechamento abaixo dos 183.000 pode levar a realizações na direção dos suportes nos 180.000 ou 173.000”, afirmou.

No mesmo relatório, ele citou que o índice de força relativa (IFR) alerta para novas quedas no curto prazo.

Continua depois da publicidade

Hoje, não há negociação do minério de ferro na Bolsa de Dalian, por causa de feriado. Às 11h15, o petróleo caia mais de 1%, com o Brent em US$ 98,85 o barril, em meio a propostas de reabertura do Estreito de Ormuz e retomada de negociações EUA-Irã.

Em Wall Street, Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o ambiente internacional traz forças em sentidos diferentes. “Os futuros de Nova York avançavam pela manhã, enquanto o mercado acompanhava as conversas entre Estados Unidos e China e uma possível saída diplomática para o conflito com o Irã. Ao mesmo tempo, a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano mantém a política monetária dos Estados Unidos no radar do investidor, pois quanto mais tempo os juros permanecerem elevados, maior tende a ser a pressão sobre as avaliações das ações e sobre o fluxo para mercados emergentes”, aponta.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)