Ibovespa intensifica queda, que bate em 3%, e ameaça perder os 66 mil pontos

Clima nas bolsas internacionais piora e pesa na Bovespa, que também sente decepção com IGP-M e PIB nos EUA

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SÃO PAULO – Com um mix de referências negativas tanto por aqui quanto lá fora, o Ibovespa aprofunda suas perdas, que se aproximam dos 3% nesta tarde, e agora vê ameaçada a manutenção dos 66 mil pontos. As bolsas dos EUA ensaiaram uma abertura em alta, mas logo cederam à pressão vendedora, servindo de gatilho para que a desvalorização por aqui se acentuasse.

O resultado abaixo do esperado do PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos no quarto trimestre afeta a confiança dos investidores. Depois de grande expectativa, os números prévios anualizados do Departamento de Comércio dos EUA indicaram que a economia norte-americana avançou 3,2% no quarto trimestre de 2010. O desempenho ficou abaixo do esperado pelo mercado, que aguardava uma expansão de 3,7%.

Outra notícia desfavorável em pauta nesta sessão vem da agência de classificação de risco Moody´s, que declarou estar analisando atribuir uma perspectiva negativa para o rating dos Estados Unidos mais cedo do que o previsto. Vale destacar que a sinalização veio logo após outra importante agência de classificação de risco, a Standard & Poor’s, ter cortado a nota para a dívida soberana japonesa.

O temor com a inflação e as possíveis medidas para combater a alta dos preços também pesa na Bovespa. O IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) apontou inflação de 0,79% em janeiro, taxa 0,10 ponto percentual superior frente do mês anterior. Segundo o relatório do Focus do Banco Central publicado no último dia 24, a mediana das expectativas para o resultado mensal do índice era de 0,62%.

Ibovespa encosta nos 66 mil pontos
Em seu terceiro dia seguido de forte queda, o Ibovespa recua 2,64% nesta tarde e atinge 66.255 pontos. O volume financeiro é de R$ 4,121 bilhões. Na mínima do dia, o índice chegou a operar nos 65.898 pontos (-3,16%).

O principal destaque negativo fica com as ações MARFRIG ON (MRFG3), que registram desvalorização de 5,35% e são cotadas a R$ 13,45. As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

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Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MRFG3 MARFRIG ON 13,45 -5,35 -12,66 22,59M
 BTOW3 B2W VAREJO ON 27,91 -4,74 -11,40 15,21M
 AMBV4 AMBEV PN 44,52 -4,67 -11,88 53,60M
 ALLL3 ALL AMER LAT ON 14,17 -4,58 -5,53 18,43M
 BBDC4 BRADESCO PN 30,70 -4,15 -5,93 136,96M

* – Lote de mil ações 
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

As ações ordinárias da Usiminas (USIM3), que avançam 2,49%, cotadas a R$ 22,62, são as únicas do Ibovespa a não cair. O papel ainda repercute o noticiário da última quinta-feira (27), onde a CSN (CSNA3) elevou sua participação no capital da empresa e deu sinais de que está avaliando comprar uma fatia ainda maior. A empresa adquiriu novas ações ordinárias da Usiminas, elevando sua participação direta e indireta de 4,99% para 5,03% dos papéis ON.

Fora do índice, destaque para a expressiva alta dos papéis da Laep (MILK11), com suas units avançando 3,28%, cotadas a R$ 0,63. Os ativos avançam forte após o BNDESPar confirmar um aporte de R$ 700 milhões para a LBR (Lácteos Brasil), sociedade composta pela Leitbom, controlada pela Monticiano, e a Laticínios Bom Gosto. Vale lembrar que a Laep possui 60% do capital da Monticiano. Desse montante, R$ 450 milhões foram por meio de aumento de capital e subscrição de ações ordinárias e R$ 250 milhões foram via subscrição de debêntures conversíveis emitidas pela LBR.

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Câmbio e renda fixa
O dólar comercial vira o sinal e passa a subir 0,42%, cotado na venda a R$ 1,686 nesta sexta-feira. Por aqui, o mercado ainda repercute a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), divulgada na quinta-feira. Para a LCA Consultoria, o Comitê reconheceu maiores riscos para o cenário inflacionário, porém manteve a sinalização que os ajustes na Selic serão cautelosos.

Os principais contratos de juros futuros da BM&F operam com tendência de baixa, com o mercado avaliando indicadores do dia.

Fórum Econômico Mundial
Nesta sessão ocorre em Davos, Suíça, o Fórum Econômico Mundial, que conta com a presença dos principais líderes econômicos do mundo. Falando da economia dos EUA, Timothy Geithner, secretário do tesouro norte-americano, afirmou que a atividade econômica do país não se encontra em forte expansão, no entanto, sua recuperação está ocorrendo de forma sustentável, uma vez que se busca um consenso político com o objetivo de sanar os problemas da dívida pública.

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Já em relação ao Brasil, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que também participa das discussões, afirmou que o País dispõe das ferramentas necessárias para manter a estabilidade monetária. De acordo com Tombini, o Brasil enfrenta a questão da valorização cambial, reflexo do forte fluxo de capitais, e a alta da inflação. O presidente do BC também acredita que a valorização do real “é uma situação temporária, reflexo do ambiente externo”.