Ibovespa intensifica perdas pela tarde, cai 1,27% e perde os 71 mil pontos

Índice corrige ganhos dos três últimos pregões pressionado por resultado do Initial Claims, que ofusca leilões de dívida na Europa

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SÃO PAULO – Devolvendo os ganhos dos três últimos pregões, o Ibovespa encerrou a sessão desta quinta-feira (13) em baixa de 1,27%, aos 70.721 pontos. O giro financeiro do pregão ficou em R$ 6,55 bilhões. Nos EUA, os indicadores econômicos divulgados por lá, com destaque ao resultado pior do que o esperado do Initial Claims, que mede os pedidos de auxílio-desemprego em base semanal, ofuscaram os leilões de dívida de Espanha e Itália que, a exemplo de Portugal na véspera, também agradaram os investidores.

A performance negativa do índice também sentiu influência da baixa auferida por grandes blue chips, como a Petrobras e a Usiminas. As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ALLL3 ALL AMER LAT ON 14,77 -3,46 -1,53 36,27M
 CYRE3 CYRELA REALT ON 20,30 -3,43 -7,09 67,11M
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 12,25 -3,09 -6,70 251,21M
 PETR3 PETROBRAS ON 30,50 -3,08 -0,16 195,58M
 USIM5 USIMINAS PNA 20,62 -2,92 +7,62 128,37M

Ainda no campo negativo, destaque para a CSN, que corrigiu parte dos ganhos acumulados em 2011. A companhia anunciou as condições de incorporação da CSN Aços Longos, sendo que não haverá emissão de novas ações, uma vez que o patrimônio líquido da CSN Aços Longos já está integralmente refletido no patrimônio líquido da controladora, que assumirá os custos e despesas relativas ao processo, orçados em R$ 50 mil.

Já as companhias de energia elétrica se mantiveram em alta, em meio a expectativa de que a renovação das concessões de 2015 sairá ainda em 2011, além do fato de que o mercado tende a procurar pelos papéis do setor em momentos adversos por conta da característica defensiva dos ativos.

Os acionistas da Telemar Norte Leste (TMAR5) reuniram-se nesta quinta-feira para votar a aquisição do controle da Invitel, que detém a Brasil Telecom. Apesar de manifestações de protesto apresentada por alguns dos acionistas, foi ratificada a proposta pela maioria dos presentes, informou a companhia. De acordo com a Link Investimentos, este era último impasse para a conclusão do processo de aquisição da Brasil Telecom, que já se arrasta desde 2008. A conclusão da operação é importante porque permitirá que a Portugal Telecom prossiga com o processo de entrada no capital social da Oi.

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BRTO4 BRASIL TELEC PN 13,29 +3,02 +10,75 15,92M
 CRUZ3 SOUZA CRUZ ON 89,11 +2,89 -1,42 20,04M
 LIGT3 LIGHT S/A ON 27,55 +2,61 +8,34 82,51M
 CPLE6 COPEL PNB 45,02 +2,32 +8,48 36,53M
 TMAR5 TELEMAR N L PNA 50,50 +2,21 +5,74 6,76M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN 27,31 -2,11 884,76M 557,40M 24.239 
 VALE5 VALE PNA 52,25 -0,32 699,53M 634,53M 13.815 
 OGXP3 OGX PETROLEO ON 20,00 -1,53 259,93M 252,70M 13.513 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 12,25 -3,09 251,21M 138,80M 11.188 
 VALE3 VALE ON 59,70 -0,70 197,92M 165,65M 6.415 
 PETR3 PETROBRAS ON 30,50 -3,08 195,58M 148,42M 5.872 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 39,37 -2,19 158,01M 207,21M 7.360 
 BBDC4 BRADESCO PN ED 32,95 -1,23 142,06M 150,79M 5.664 
 USIM5 USIMINAS PNA 20,62 -2,92 128,37M 104,10M 6.143 
 GGBR4 GERDAU PN 24,32 -1,66 106,47M 125,02M 7.481 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Europa
No Velho Continente, o leilão dos títulos da dívida espanhola surpreendeu os mercados. O governo do país conseguiu bastante êxito em sua venda de bônus, captando € 3 bilhões em emissões de títulos de dívida com vencimento em 5 anos. Contudo, o yield chegou a 4,542%, superior aos 3,576% registrados no mesmo tipo de operação de novembro do ano passado. A Itália também promoveu leilão de títulos nesta sessão, com demanda acima do esperado.

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Apesar disso, em sua primeira apresentação no ano, o presidente do BCE (Banco Central Europeu), Jean-Claude Trichet, enfatizou a necessidade de executar reformas estruturais na Zona do Euro, com ênfase nos ajustes fiscais, devendo ser rapidamente implantadas para fortalecer as bases para um crescimento sustentado da região.

Agenda
A agenda de indicadores seguiu mostrando um mercado de trabalho aquecido. A taxa de emprego na indústria brasileira aumentou 3% em novembro, na comparação com o mesmo mês de 2009. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), essa é a décima taxa positiva consecutiva para este tipo de comparação.

Os dados divulgados mostram que, frente a outubro, descontados os efeitos sazonais, foi verificada estabilidade no número de empregados na indústria. Considerando o resultado de janeiro a novembro, a taxa de emprego registrou aumento de 3,4%. Nos últimos 12 meses, a taxa subiu 2,9%.

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Ainda por aqui, na próxima sessão a presidente Dilma Rousseff realizará a primeira reunião ministerial do seu governo e espera-se que sejam delineadas as bases da política fiscal. Há expectativa de que seja anunciada a criação do Conselho de Gestão Competitiva, ligado à Presidência, que cuidará da eficiência do gasto público.

Por fim, o mercado repercutiu ainda o relatório divulgado pelo Banco Mundial na última quarta-feira (12), que prevê que o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil deverá crescer 4,4% e 4,3% em 2011 e 2012, respectivamente. O crescimento será sustentado por um cenário favorável de expansão da força de trabalho, ganhos reais de salário e expansão do crédito, facilitado por um sistema bancário sólido, uma economia diversificada e ampla gama de parceiros comerciais.

Referências norte-americanas
Na pauta internacional estiveram em evidência indicadores norte-americanos, que apontaram para caminhos mistos. Enquanto o Initial Claims, que mede o número de pedidos de auxílio-desemprego reportados nos EUA na última semana, veio pior do que o esperado, a balança comercial conseguiu superar positivamente a projeção dos analistas. Já o índice de preços ao produtor norte-americano avançou durante o mês de dezembro acima das expectativas do mercado.

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Além da agenda econômica dos Estados Unidos, vale ressaltar que as agências de classificação de risco Moody’s e Standard & Poor’s afirmaram que podem vir a rever o rating da dívida soberana do país caso não ocorram mudanças na condução da política fiscal do governo Obama.

Por fim, os Estados Unidos devem crescer de 3% a 4% em 2011, afirmou nesta quinta-feira o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke. Esse ritmo, segundo ele, é saudável, mas não ajudará a diminuir o desemprego “da forma como gostaríamos”. Enquanto isso, Timothy Geithner, secretário do Tesouro dos EUA, serviu quase como contraponto de Bernanke no dia. Enquanto o chairman do Fed fazia afirmações razoavelmente otimistas sobre a recuperação, Geithner aparece no noticiário alertando para a possibilidade de novos resgates a grandes empresas, caso uma nova crise esteja à caminho.

Dólar
Mantendo-se em queda durante todo o intraday, o dólar comercial fechou em desvalorização pela terceira sessão consecutiva, cotado na venda a R$ 1,669 – variação negativa de 0,48%. O sucesso no leilão dos títulos da dívida espanhola e referências mistas dos EUA movimentaram o mercado. Por aqui, a intervenção do Banco Central e projeções para o dólar também foram analisadas.

O BaCen continuou com sua rotina de leilões e comprou de dólares no mercado cambial à vista. A operação ocorreu entre 14h17 e 14h22 (horário de Brasília), com uma taxa de corte aceita em R$ 1,6710.

Renda Fixa
No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, os principais contratos fecharam em alta no curto prazo. O contrato de juros de maior liquidez nesta quinta-feira, com vencimento em janeiro de 2012, registrou uma taxa de 12,29%, 0,01 ponto percentual acima do fechamento de quarta-feira.

No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou em alta de 0,18% em relação ao fechamento anterior, a 135,85% do valor de face. Já o indicador de risco-País teve variação positiva de seis pontos-base em relação ao fechamento anterior, encerrando o dia em 168 pontos.

Bolsas Internacionais
O índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, fechou em leve baixa de 0,20% e atingiu 11.732 pontos. Seguindo esta tendência, o índice S&P 500 desvalorizou-se 0,17% a 1.284 pontos, da mesma forma, o índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia norte-americanas, caiu 0,07% a 2.735 pontos.

Na Europa, o índice CAC 40 da bolsa de Paris registrou alta de 0,75% e atingiu 3.975 pontos; no mesmo sentido, o índice DAX 30 da bolsa de Frankfurt valorizou-se 0,09% a 7.075 pontos. Por outro lado, o FTSE 100 da bolsa de Londres fechou em leve baixa de 0,44%, atingindo 6.024 pontos.

Confira os eventos previstos para sexta-feira
A próxima sessão será marcada pelo intenso fluxo de referências norte-americanas. Por lá, serão divulgados os dados da produção industrial do mês de dezembro de 2010, bem como o nível de capacidade da indústria dos Estados Unidos no mesmo período.

Além disso, os investidores deverão absorver também o Bussiness Inventories, indicador que denotará o nível de vendas e dos estoques das indústrias e dos setores de atacado e varejo norte-americanos ao longo de novembro do ano passado. Somado a isso, também será uma referência na sessão o resultado da primeira prévia do Michigan Sentiment, revelando o nível de confiança do consumidor dos EUA em janeiro.

Por fim, o Retail Sales mostrará o nível das vendas no mercado varejista norte-americano em dezembro, enquanto que o CPI apresentará aos investidores qual foi a oscilação dos preços na economia do país ao longo do último mês do ano passado.