Ibovespa intensifica perdas com Petrobras, Vale e OGX

Dados positivos da China tinham impulsionado o índice no início da sessão, mas regras mais rígidas de liquidez anunciadas pelo Fed pesaram sobre o índice

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SÃO PAULO – Após abrir com expressiva alta na manhã desta quinta-feira (24), reportando os dados positivos da atividade econômica da China e virar para baixa, o Ibovespa intensificou as perdas no início da tarde e, às 13h39 (horário de Brasília), registrava perdas de 0,79%, a 55.002 pontos.

O benchmark da bolsa, que já tinha perdido forças com a Petrobras (PETR3;PETR4), que corresponde a 10,1% da participação do índice, viu suas perdas aumentarem com as ações da OGX Petróleo (OGXP3; R$ 0,38; -2,56%) e da Vale (VALE3, R$ 34,98, -0,20%; VALE5, R$ 32,18, -0,09%), que também viraram para queda após abrirem com ganhos. As três empresas possuem as maiores participações no índice.

Na China, as referências foram mistas. Enquanto o PMI preliminar do Markit/HSBC superou as expectativas ao subir de 50,2 para 50,9 entre setembro e outubro – seu melhor resultado em sete meses -, a notícia de que o Banco do Povo da China enxugará liquidez no mercado para conter a pressão inflacionária segue trazendo cautela aos investidores. Esta quinta-feira marcou o 3º dia seguido que a autoridade local não injetou liquidez no mercado interbancário devido aos receios de inflação, gerando um salto nas taxas de curto prazo. 

As boas notícias do PMI chinês impulsionaram o benchmark da bolsa brasileira no início da sessão; contudo, com a abertura dos mercados norte-americanos, o Ibovespa arrefeceu os ganhos. Vale ressaltar que, com o horário de verão, a diferença entre as aberturas da bolsa brasileira e norte-americana aumentou para 1h30, o que aumenta a volatilidade do mercado. Na agenda econômica norte-americana, destaque para o Initial Claims, que mostrou uma redução nos pedidos de auxílio desemprego abaixo da esperada pelo mercado. Por lá, as bolsas perderam forças após o anúncio do Federal Reserve de que irá propor regras mais rígidas de liquidez para os maiores bancos norte-americanos. 

Já na Europa, o PMI composto da zona do euro recuou de 52,2 pontos em setembro para 51,5 em outubro, enquanto era esperado um avanço para 52,5 pontos, colocando em xeque as sinalizações de uma recuperação econômica – Alemanha e França, duas das principais economias do bloco, também decepcionaram individualmente. Na pauta de resultados, mais referências mistas: o balanço do 3º trimestre da Daimler impulsionou as ações das montadoras europeias, enquanto os resultados de Credit Suisse e Ericsson decepcionarem as projeções.

Destaques do pregão
Dentre as maiores altas do Ibovespa nesta manhã, destaque para a Fibria (FIBR3, R$ 28,77, +3,49%), Souza Cruz (CRUZ3, R$ 24,80, +1,18%), Telefônica Brasil (VIVT4, R$ 49,93, +1,07%) e JBS (JBSS3, R$ 8,08, +1%), sendo as únicas quatro ações que registram valorizações acima de 1%. 

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No lado negativo, destaque para a Natura (NATU3, R$ 45,86, -2,84%), que já chegou a cair mais de 3% nesta manhã após a divulgação de seus resultados do 3º trimestre. A empresa de cosméticos viu sua receita interna subir 5,4% em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 1,46 bilhão, mas ainda abaixo da inflação. O lucro líquido, no entanto, caiu 22,6%, para R$ 183,7 milhões, afetado pela marcação a mercado de derivativos utilizados para proteger a dívida em moeda estrangeira.

Outra companhia que faz parte do Ibovespa e que divulgou resultado nesta sessão foi o Santander Brasil (SANB11, R$ 14,90, -2,74%). O banco encerrou o terceiro trimestre com queda de 6,8% no lucro líquido gerencial sobre um ano antes, para R$ 1,407 bilhão. Apesar da queda de 16,4% das despesas com provisão para devedores duvidosos, que somaram R$ 2,698 bilhões, o resultado do Santander Brasil foi afetado pela menor margem financeira. De julho a setembro, a margem financeira bruta ficou em R$ 7,438 bilhões, com queda de 7,3% ante igual período do ano passado.

Também em destaque, estão as imobiliárias, que registram maiores perdas do índice: a Gafisa (GFSA3, R$ 3,13, -5,44%), Brookfield (BISA3, R$ 1,50, -3,85%) e Rossi Residencial (RSID3, R$ 3,01, -2,90%) têm perdas superiores a 2% nesta sessão. 

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Dados de emprego no Brasil e nos EUA
Na agenda doméstica, a taxa de desemprego subiu de 5,3% para 5,4%, revela o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), ficando dentro da projeções dos analistas, que giravam entre 5,2% e 5,5%. Além disso, a temporada de resultados corporativos do 3º trimestre começa a ganhar forças com os números de importantes companhias.

Nos EUA, a pauta econômica também trouxe dados do mercado de trabalho. Por lá, o Initial Claims mostrou que o número de pedidos de auxílio-desemprego caiu de 362 mil para 350 mil na passagem semanal, embora o número tenha ficado acima da expectativa do mercado (341 mil novos pedidos).

A agenda norte-americana também trouxe o resultado da balança comercial de agosto, mostrando déficit de US$ 38,8 bilhões, em linha com o esperado e levemente acima do saldo do mês anterior, quando ficou deficitário em US$ 38,6 bilhões. 

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Draghi e o “teste dos bancos”
Já na Europa, o presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi, anunciou que fará uma avaliação rigorosa em 130 instituições financeiras e, em entrevista à CNBC, afirmou que os testes de estresse são apenas o começo de um processo para garantir uma posição mais forte do setor financeiro e para não comprometer as finanças do governo novamente.

“O que foi feito no passado, não deve ser repetido de novo … As coisas melhoraram no setor bancário , mas não, isso não é um ponto final. É apenas o início de uma nova maneira de fazer as coisas “, disse Draghi.

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.