Ibovespa “ignora” quedas de Vale e Petrobras e sobe com exportadoras e bancos; ata do Copom derruba DIs

Índice sinaliza sessão de leve otimismo, em consonância com o movimento das principais bolsas mundiais

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SÃO PAULO – A volta do recesso parlamentar e os movimentos da temporada de divulgação de balanços corporativos chamam atenção dos investidores nesta terça-feira (1). Às 10h50 (horário de Brasília), o Ibovespa subia 0,29%, a 66.110 pontos, puxado sobretudo pelas ações das exportadoras Fibria e Suzano, a despeito da queda do dólar, e de companhias dos setores de siderurgia e elétrico, que anulam as perdas de Vale e Petrobras. O movimento do índice é consoante com o desempenho de benchmarks acionários nas principais bolsas mundiais.

“O mês de agosto está abrindo com o pé direito. Antes disso, julho trouxe alta de 4,8% do Ibovespa e o ano de 2017 acumula valorização de 9,45%, o que, diante da crise política e economia desequilibrada, não parece ser tão ruim”, observou Alvaro Bandeira, economista-chefe do home broker Modalmais. “Hoje mercados acionários fecharam em alta nas principais bolsas asiáticas, Europa no campo positivo e acelerando um pouco neste início de manhã e índices futuros do mercado americano com boa valorização. No Brasil, é possível superar a faixa de 66.200 pontos que vínhamos alertando como importante, pois abre espaço para 67.100 pontos e depois buscar patamar pré-Joesley, quando estava ao redor de 68.500 pontos”.

Os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2018 caíam 5 pontos-base, a 8,22%, ao passo que os DIs com vencimento em janeiro de 2021 recuavam 5 pontos-base, a 9,25%. Contribui para o movimento no mercado de renda fixa a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que indicou tom mais dovish do Banco Central e apontou para a possibilidade de um novo corte de 100 pontos na Selic na próxima reunião. Hoje, a taxa básica de juros está fixada em 9,25%. O Banco Central mostrou percepção de impacto limitado “até o momento” na trajetória da inflação decorrente do aumento de incertezas em relação ao ritmo de aprovação das reformas e os ajustes na economia.

Os contratos de dólar futuro com vencimento em setembro registravam leve baixa de 0,29%, sinalizando cotação de R$ 3,138. “Dólar/real segue caminhando para R$ 3,10, região que se provou sustentável nos últimos meses para impedir a continuação do movimento de queda. Ou seja: parece que R$ 3,10 é um suporte muito importante e continuamos a entender que é um bom ponto de entrada para compras de curto e até médio prazo”, observou José Faria Júnior, diretor de câmbio da Wagner Investimentos.

Confira ao que se atentar neste pregão:

Destaques da Bolsa

Do lado acionário, os papéis do Itaú Unibanco (ITUB4) sobem após a divulgação do balanço do segundo trimestre. O banco reportou lucro líquido recorrente de R$ 6,17 bilhões no segundo trimestre deste ano, superando as expectativas compiladas pela Bloomberg, que apontavam lucro de R$ 5,99 bilhões. O resultado ficou 10,6% acima dos R$ 5,58 bilhões registrados um ano antes. No acumulado dos seis primeiros meses do ano, o banco registrou lucro líquido de R$ 12,1 bilhões, uma alta de 12,7% em um ano (para conferir o resultado completo, clique aqui). A carteira de crédito total, incluindo avais e fianças, subiu 0,4% na comparação trimestral, mas teve baixa de 3,6% ante mesmo período do ano passado, para R$ 552,35 bilhões.

Além do resultado, o Itaú anunciou ainda que seu conselho aprovou o pagamento de juros sobre o capital próprio complementares aos dividendos pagos mensalmente, no valor de R$ 0,39900 por ação, que serão pagos em 25 de agosto baseado na posição acionária de 14 de agosto. Após a retenção de 15% de imposto de renda na fonte, os juros líquidos serão de R$ 0,33915 por ação.

As ações da Magazine Luiza (MGLU3) disparam após balanço. A empresa registrou lucro líquido de R$ 72,4 milhões no segundo trimestre do ano, valor 594,5% superior aos R$ 10,4 milhões apurados em igual período do ano passado. Este foi o maior lucro trimestral já registrado pela companhia. Nos primeiros seis meses do ano, o lucro acumula R$ 130,9 milhões, montante 735,3% mais alto que no primeiro semestre de 2016.

No critério ajustado, o lucro líquido trimestral atingiu R$ 73,3 milhões, com variação de 426,4% ante os R$ 13,9 milhões segundo trimestre do ano passado. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) teve alta de 44,5% para R$ 235,8 milhões entre abril e junho, com margem de 8,7%, 1,1 ponto porcentual acima do registrado no primeiro trimestre de 2016. Em seis meses, o Ebitda chega a R$ 467,7 milhões, expansão de 52,2%.

O lucro líquido da Porto Seguro (PPSA3) registrou alta de 36,4% no segundo trimestre de 2017 na base de comparação anual, para R$ 235,7 milhões. O resultado foi favorecido pelo benefício fiscal referente ao pagamento da primeira parte de juros sobre capital próprio no valor de R$ 243 milhões. Ao ser desconsiderado esse efeito, o lucro do trimestre teria queda de 1% na base de comparação anual. As receitas totalizaram R$ 4,14 bilhões entre abril e junho, alta de 5,3%, enquanto as despesas ficaram em R$ 4,07 bilhões, 3,6% superior. A sinistralidade total teve baixa de 58% no segundo trimestre de 2016 para 55% neste ano, com queda em todos os negócios.

As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) caem nesta sessão, acompanhando o desempenho negativo dos preços do petróleo, que corrigem a escalada recente. No radar da estatal, o Conselho de Administração da Petrobras Distribuidora S.A. (BR) aprovou ontem a recondução do engenheiro mecânico Ivan de Sá Pereira Júnior para o cargo de presidente da empresa para um mandato de dois anos. Também foi aprovada a eleição dos engenheiros Marcelo Fernandes Bragança para o cargo de diretor executivo da Rede de Postos, Antonio Carlos Alves Caldeira como diretor executivo de Operação e Logística e Gustavo Henrique Braga Couto para o cargo de diretor executivo de Mercado Consumidor.

De acordo com a Petrobras, o presidente da estatal, Ivan de Sá Pereira Júnior, permanece, interinamente, como diretor executivo Administrativo-Financeiro da BR Distribuidora, até que um novo nome seja eleito e aprovado pelo Conselho de Administração. Os nomes dos aprovados passaram por análise prévia pelo Comitê de Indicação, Remuneração e Sucessão do Conselho de Administração da Petrobras. Todos têm mandato de dois anos, contando a partir da última segunda-feira.

As ações da Vale (VALE3; VALE5) também operam no campo negativo. Em comunicado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a mineradora afirmou que a notícia veiculada no blog do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, em 30 de julho, que diz que a mineradora vai comprar a fatia da Samarco, pertencente à BHP Billiton, é meramente especulativa. A BHP disse, também em comunicado, não ter acordo para vender fatia na Samarco à Vale.

Na ponta oposta, os papéis da Suzano disparam após seu conselho de administração aprovar a migração da companhia para o segmento Novo Mercado, da B3, por meio da conversão da totalidade das ações preferenciais da companhia em papeis ordinários. A conversão se dará na proporção de 1 para 1. O BTG Pactual destacou a notícia como bastante positiva e no sentido de melhorar a governança corporativa e como catalisador para uma reclassificação dos ativos. Os analistas do banco mantêm recomendação de compra para os papéis com preço-alvo de R$ 18,00.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 SUZB5 SUZANO PAPELPNA 15,20 +8,42 +9,91 36,74M
 FIBR3 FIBRIA ON 34,07 +2,99 +9,46 16,33M
 JBSS3 JBS ON 7,86 +2,08 -30,83 17,66M
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED 37,99 +1,84 +14,72 73,91M
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N2 16,24 +1,50 -6,80 1,52M

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MRVE3 MRV ON 13,88 -3,14 +32,60 20,32M
 BRAP4 BRADESPAR PN 22,68 -1,73 +56,50 6,44M
 CSAN3 COSAN ON 35,59 -1,41 -4,31 1,56M
 VALE5 VALE PNA 28,83 -1,17 +36,40 61,28M
 VALE3 VALE ON 30,94 -1,15 +33,05 17,48M
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Noticiário político

Com as atenções voltadas para a votação sobre a admissibilidade do processo contra o presidente Michel Temer, senadores e deputados voltam ao trabalho nesta terça-feira (1º), após duas semanas de recesso. Pelo calendário estabelecido pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, hoje, no primeiro dia de trabalho, o parecer da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ), contrário ao prosseguimento da denúncia, será lido em plenário às 14h. Amanhã (2), o parecer deverá ser votado pelos 513 deputados. A votação só será aberta quando pelo menos 342 dos 513 deputados registrarem presença em plenário, o que torna o calendário ainda incerto.

Confiante na vitória, mas ainda em busca de quórum para a votação, o governo começou a estimular a presença até de deputados contrários a Temer. Líderes governistas pediram a deputados que ameaçavam se ausentar para que também marquem presença, mas declarem abstenção na hora de pronunciar seus votos no microfone – o que conta para o quórum. Com essa articulação, o presidente pretende colocar entre 290 e 300 deputados no plenário – mesmo que nem todos sejam seus apoiadores – e constranger a oposição a também marcar presença, chegando ao número mínimo para que a denúncia seja votada.

A vitória do governo já é esperada, uma vez que até mesmo a oposição admite não ter os 342 votos para o prosseguimento da denúncia. Mas o mercado deve ficar de olho na votação. De acordo com a consultoria de risco político Eurasia Group, uma vitória do presidente Michel Temer por um placar relativamente amplo em votação de denúncia geraria efeitos sobre a adormecida agenda de reformas. Um placar dilatado permitiria que governo começasse a negociar uma versão diluída reforma da Previdência, aponta relatório da consultoria. 

Além da votação da denúncia, a meta fiscal segue no radar. Esperando arquivamento de denúncia contra Temer, o governo amarra pacote para equilibrar gastos públicos, com quatro outras matérias consideradas fundamentais para o cumprimento da meta fiscal de 2017, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg. O governo quer destravar leilões para ampliar receita, segundo Globo, enquanto matéria do Valor cita que licenças ambientais podem bloquear investimentos na 14ª rodada de petróleo, um dos eventos com os quais governo conta para atrair investimentos. Ontem, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, reconheceu que a necessidade de mudança da meta fiscal está sendo analisada, mas ressaltou que, no momento, o objetivo perseguido pela equipe econômica é o aprovado pelo Congresso Nacional, que admite déficit de R$ 139 bilhões. “Em relação à questão da meta fiscal, estamos analisando o assunto; no momento a meta anunciada será seguida”, afirmou.

Ainda no radar político, destaque para o novo pedido da PGR de prisão do senador Aécio Neves (PSDB-MG). A PGR pretende anular decisão anterior do ministro do STF Marco Aurélio, que negou pedido anterior e determinou o retorno do parlamentar, no mês passado, às atividades no Senado. A defesa do senador Aécio Neves informou que ainda não teve acesso à manifestação da PGR, “mas segue tranquila quanto à manutenção da decisão do ministro Marco Aurélio que, ao revogar as cautelares impostas contra o Senador, promoveu precisa aplicação das regras constitucionais”. “A renovação de pedido de prisão contra o senador Aécio representa clara e reprovável tentativa de burla ao texto expresso da Constituição Federal”, diz nota assinada pelo advogado Alberto Zacharias Toron.

Agenda econômica

Na agenda econômica desta terça, destaque para a ata do Copom (Comitê de Política Monetária); na última reunião, a Selic foi reduzida em 100 pontos-base, para 9,25% ao ano. De acordo com o documento, os integrantes do Comitê concluíram sinalizar mesma magnitude para setembro. “Debateu-se a conveniência de se sinalizar flexibilização adicional de mesma magnitude da adotada nesta reunião, versus uma flexibilização mais moderada (…) Concluíram por sinalizar, para a próxima reunião do Copom, uma possível flexibilização de mesma magnitude da adotada nesta reunião, mas que dependerá da permanência das condições descritas no cenário básico do Copom e de estimativas da extensão do ciclo”, destaca a ata. Segundo o documento, de forma geral, a magnitude da flexibilização continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação. O Copom ressalta que a extensão do ciclo de flexibilização monetária dependerá de fatores conjunturais e das estimativas da taxa de juros estrutural da economia brasileira.

Produção industrial
A produção industrial cresceu 0,9% no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre do ano, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal, divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira, dia 1º. No primeiro trimestre, o avanço tinha sido de 1,1% em relação ao último trimestre de 2016. Na comparação com o segundo trimestre do ano passado, a produção industrial cresceu 0,2% no segundo trimestre deste ano, segundo o IBGE.

O órgão revisou o dado da produção industrial do mês de maio ante abril, de 0,8% para 1,2%. A taxa de abril ante março passou de 1,1% para 1,3%, enquanto a de março ante fevereiro saiu de -1,6% para -1,9%. Houve reavaliação ainda na produção de bens de capital de maio ante abril, que passou de 3,5% para 3,8%. A taxa de abril ante março saiu de 1,9% para 2,2%, enquanto a de março ante fevereiro passou de -1,9% para -2,0%.

A produção industrial encolheu em 12 dos 24 ramos pesquisados na passagem de maio para junho, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O principal impacto negativo foi de veículos automotores, reboques e carrocerias, com redução de 3,9% na produção, o que devolve parte do avanço de 13% acumulado nos meses de abril e maio.

Outras duas atividades que pesaram negativamente sobre o total da indústria foram produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-9,2%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,7%). Os farmoquímicos intensificaram a queda de 7,2% verificada no mês anterior, enquanto os derivados de petróleo acumularam uma perda de 4% nos dois últimos meses, eliminando assim o avanço de 1,8% observado em abril. As demais contribuições negativas relevantes foram de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-4,9%), de outros equipamentos de transporte (-6,8%) e de produtos de metal (-2,0%).

Especiais IMTV

O “Especial Setores” do 2º semestre entra na reta final nesta semana. Para a edição desta terça-feira serão analisadas as ações de autopeças, aviação (Gol e Azul) e a Embraer. A transmissão ao vivo começa a partir das 15h (horário de Brasília) na InfoMoneyTV. Os convidados serão o gestor João Paulo Reis, da Venture Invest, e o analista Marco Saravalle, da XP Investimentos. Já amanhã, às 14h, abordaremos as perspectivas para as empresas de concessões, infraestrutura e locadoras de automóveis.

Bolsas mundiais

A sessão é novamente de ganhos para as principais bolsas mundiais, com os índices europeus registrando altas impulsionados pelos resultados do segundo trimestre. Destaque para a gigante do setor de petróleo BP com alta de cerca de 3%, puxando o índice do setor de petróleo e gás depois de bater as previsões à medida que novos projetos sustentaram a produção. Atenção ainda para os dados da economia da zona do euro: o PIB cresceu 0,6% no segundo trimestre do ano ante o primeiro e registrou expansão anual de 2,1% no mesmo período, segundo dados preliminares divulgados hoje pela Eurostat, a agência de estatísticas da União Europeia. Os resultados vieram em linha com a previsão de analistas consultados pelo The Wall Street Journal.

Na Ásia, os mercados também tiveram alta animados com os dados de indústria da China. O PMI mostrou alta em julho, com a produção e as novas encomendas aumentando ao ritmo mais rápido desde fevereiro diante das fortes exportações.O minério de ferro futuro sobe mais de 2%, na terceira alta seguida, enquanto Qingdao registra leve baixa. Já o petróleo registra leve baixa, após registrar ganhos mais cedo com expectativa de que dados de estoques nos EUA voltem a mostrar declínio, enquanto incêndio na refinaria de Pernis, da Shell, a maior da Europa, está adicionando volatilidade para a commodity e derivados. 

(com Bloomberg e Agência Estado)


Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.