Ibovespa ignora melhora externa e cai com pressão extra de Vale e Petrobras

Indicadores e vendas de carros nos EUA agradam Wall Street, mas não conseguem tirar índice do vermelho por aqui; dólar cai

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SÃO PAULO – Depois de euforia da véspera, os mercados experimentam uma tarde de instabilidade. Wall Street consegue se manter no campo positivo, acompanhando importantes indicadores e as vendas de veículos nos EUA. Por aqui, o Ibovespa ignora a melhora externa e registra leve baixa após atingir o maior patamar em noves meses na véspera. Pressionado por Vale e Petrobras, o índice registra baixa próxima de 0,5%, contornando os 54.100 pontos.

Ocupando os destaques nos noticiários, as montadoras de carros deram início às divulgações da vendas de veículos nos EUA em maio. As vendas da Ford, incluindo a marca Volvo, caíram para 161.531 veículos, o que configura uma queda de 21% na base anual. Já a Nissan, terceira maior montadora do Japão, declarou que suas vendas diminuíram 33% na mesma base comparativa para 67.489 unidades. Apesar das baixas, ambas ficaram acima das expectativas do mercado.

No âmbito econômico, dados divulgados sobre o setor imobiliário ajudam a manter o clima favorável. O número de contratos de compra e venda de casas usadas nos EUA apresentou avanço de 6,7%. O avanço no mês em pauta surpreendeu positivamente, uma vez que as projeções de mercado apontavam variação de apenas 0,5%. Por outro lado, a taxa de desemprego da Zona do Euro atingiu 9,2% em abril, marcando o maior patamar desde setembro de 1999.

Adiciona cautela a expectativa de diluição acionária em grandes empresas do setor financeiro norte-americano. Depois de passarem no teste de estresse realizado em abril, o JPMorgan Chase e a American Express irão levantar US$ 5,5 bilhões em oferta de ações para pagar os empréstimos feitos pelo governo. As ações do primeiro caem 3,4%, enquanto as do segundo recuam 4,6%.

Vale e Petrobras

Depois de atingir o maior patamar em nove meses, o Ibovespa ignora a melhora verificada em Wall Street e registra desvalorização sob pressão dos ativos de blue chips produtoras de commodities. O volume financeiro do índice nesta tarde atinge aproximadamente R$ 4 bilhões.

No caso da petrolífera, destaque para a notificação de mais uma descoberta de vestígios de petróleo. Conforme informações da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), os indícios foram encontrados no bloco ES-T-383, situado na bacia de Espírito Santo. Apesar da alta nas cotações do petróleo, as ações da estatal caem nesta tarde.

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Por sua vez, as ações da mineradora são penalizadas pela baixa nas cotações dos contratos de metais. Além disso, o Goldman Sachs declarou nesta sessão que enxerga riscos aos embarques de minério de ferro no segundo trimestre deste ano.

Altas e baixas

Entre os destaques de queda estavam os papéis
Gafisa ON (GFSA3, -6,38%),
Embraer ON (EMBR3, -4,10%),
Cyrela Realty ON (CYRE3, -3,93%),
Aracruz PNB (ARCZ6, -3,47%) e Rossi Resid ON (RSID3, -3,46%).
Por outro lado, as ações
Gol PN N2 (GOLL4, +5,80%),
JBS ON (JBSS3, +5,69%),
Brasil ON (BBAS3, +4,08%),
TAM PN N2 (TAMM4, +3,27%) e Gerdau PN (GGBR4, +2,88%).
encerraram a manhã em alta.

Os maiores volumes ficaram com
Petrobras PN (PETR4, R$ 554,53 milhões), Vale PNA (VALE5, R$ 494,68 milhões), Gerdau PN (GGBR4, R$ 171,80 milhões), Usiminas PNA (USIM5, R$ 163,78 milhões) e Petrobras ON (PETR3, R$ 146,93 milhões).

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Dólar cai

Após iniciar o dia perto da estabilidade, o dólar comercial amplia sua baixa em relação à moeda brasileira e segue negociado a R$ 1,92 – recuo de 1,28% em relação ao fechamento anterior.

Na agenda doméstica, o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor) referente ao mês de maio marcou alta de 0,33% nos preços. Apesar da variação ter sido 0,01 ponto percentual inferior à registrada na terceira quadrissemana, ela superou as estimativas contidas no relatório Focus, de 0,31%.