Ibovespa “ignora” mau humor externo e sobe com commodities e dois bons indicadores

Índice chegou a subir mais de 1% e superar a marca de 86 mil pontos, após perder força junto com exterior

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SÃO PAULO – Após chegar a subir 1,31% e superar os 86 mil pontos, o Ibovespa amenizou os ganhos na reta final do pregão pressionado pelo mau humor externo, com os índices norte-americanos chegando a virar para queda. Mais cedo, o ótimo resultado da indústria brasileira em dezembro, junto com o dado da balança comercial de janeiro, além da alta do preço do petróleo ajudaram a impulsionar o índice, com a Petrobras chegando a saltar 4,7%.

O benchmark da bolsa brasileira fechou com alta de 0,69%, aos 85.495 pontos, e volume financeiro expressivo, de R$ 12,345 bilhões. O dólar comercial, por sua vez, encerrou o dia com queda de 0,36%, cotado a R$ 3,1690 na venda.

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Entre os indicadores, a produção industrial acelerou de 0,2% para 2,8% na passagem de novembro para dezembro, enquanto os analistas de mercado esperavam avanço de 2%. Com isso, após três anos de queda, a indústria brasileira avançou 2,5% em 2017, marcando o melhor resultado anual desde 2010, quando disparou 10,2%.

Enquanto isso, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 2,768 bilhões em janeiro, de acordo com os dados divulgados pelo MDIC (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços). O resultado é o melhor para meses de janeiro desde 2006, quando alcançou US$ 2,840 bilhões. No primeiro mês de 2017, o saldo havia sido de US$ 2,710 bilhões.

Em vista do melhor desempenho de indicadores mensais e as melhores condições financeiras, vide a expectativa do mercado de que a Selic permanecerá próxima de 7% ao ano por um bom tempo, o UBS revisou a estimativa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro neste ano de 3,1% para 3,3%. Na visão do banco, as eleições continuam sendo o principal risco para as projeções.

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Presidente do BNDES alvo de operação da PF
Nos minutos finais do pregão, o jornal O Estado de S. Paulo divulgou que o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Paulo Rabello de Castro, foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal.

A ação contra ele se deu no âmbito da operação Pausare, que investiga desvios no fundo de pensão dos funcionários dos Correios, o Postalis. Segundo a publicação, Rabello de Castro se dispôs de forma espontânea a ir até a sede da PF, em Brasília, onde prestou depoimento aos investigadores do caso.

Hora de buscar novas máximas?
Uma nova disparada do mercado dependerá do fluxo dos estrangeiros, que por enquanto segue bastante forte tanto no mercado de ações, que neste ano acumula saldo positivo de R$ 9 bilhões, como pelas emissões das empresas no mercado internacional, mostrando o apetite dos “gringos”. Olhando para os gráficos, a faixa de 86 mil pontos que definirá o rumo do mercado neste começo de mês.

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No pregão passado, o índice atingiu 86.200 pontos, último objetivo da perna de alta entre 79.440 e 72.680 pontos e que será chave para o futuro do mercado. Confirmando o rompimento deste patamar, o Ibovespa tem o caminho aberto para 88.600 e 96.000 pontos, todos objetivos derivados do pivô de alta do gráfico semanal armado entre 60.410 e 77.870 pontos. Vale lembrar que o mercado seguirá com sua tendência de alta principal enquanto permanecer acima de 79.440 pontos.

Destaques do mercado
Na ponta positiva, além de Petrobras, destaque para as ações da Cielo (CIEL3), com os investidores otimistas pelo resultado da empresa que será divulgado na noite desta quinta-feira. Do lado negativo, atenção para as ações do Bradesco (BBDC3; BBDC4), que recuam em vista do resultado abaixo do esperado no quarto trimestre (veja mais aqui).

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 PETR4 PETROBRAS PN ATZ 20,52 +4,16 +27,45 1,05B
 PETR3 PETROBRAS ON 22,13 +3,90 +30,87 275,59M
 CYRE3 CYRELA REALTON 15,53 +3,67 +17,47 42,19M
 BRML3 BR MALLS PARON 13,30 +3,50 +4,48 96,87M
 VVAR11 VIAVAREJO UNT N2 27,88 +2,80 +13,94 70,55M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BBDC3 BRADESCO ON 38,20 -2,87 +19,22 63,01M
 BBDC4 BRADESCO PN 39,67 -2,65 +17,26 965,36M
 RADL3 RAIADROGASILON 82,68 -2,07 -9,93 120,44M
 USIM5 USIMINAS PNA 11,70 -1,35 +28,57 267,87M
 RENT3 LOCALIZA ON 25,47 -1,20 +15,46 161,95M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN ATZ 20,52 +4,16 1,05B 816,26M 58.837 
 BBDC4 BRADESCO PN 39,67 -2,65 965,36M 388,73M 49.383 
 VALE3 VALE ON 41,79 +0,82 920,86M 652,35M 35.108 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED 52,51 +0,51 897,11M 623,41M 37.605 
 ABEV3 AMBEV S/A ON ED 22,23 +1,60 521,63M 227,09M 38.244 
 BBAS3 BRASIL ON 39,79 +0,28 437,96M 376,06M 30.910 
 BVMF3 B3 ON 26,27 +0,73 350,10M 223,06M 30.154 
 KROT3 KROTON ON 16,47 +1,35 286,92M 212,90M 15.659 
 PETR3 PETROBRAS ON 22,13 +3,90 275,59M 172,23M 20.201 
 ITSA4 ITAUSA PN 13,21 -0,30 269,17M 197,11M 32.290 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
IBOVESPA

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Decisão do Fed
O mercado ainda reflete a última decisão do Fed, que logo após sua divulgação fez o Ibovespa perder fôlego na reta final do dia. Na última reunião sob o comando de Janet Yellen, os membros do BC dos EUA decidiram manter a taxa de juros norte-americana no intervalo de 1,25% a 1,50%, confirmando as expectativas do mercado. Contudo, algumas sinalizações foram interpretadas como hawkish, ou seja, favoráveis pela retirada de estímulos.

No comunicado, os dirigentes apontaram para um cenário um pouco mais otimista com relação a inflação ao comentar que os preços deverão acelerar em direção a 2% este ano e depois se estabilizar. O comunicado disse que os aumentos de juros no futuro serão graduais, mas a surpresa foi o uso da palavra “adicionais”, fato que elevou as apostas de 4 altas nos juros para este ano, afirmou o diretor da mesa de câmbio da Wagner Investimentos, José Faria Júnior. Por conta desta sinalização do Fed, os rendimentos dos Treasuries norte-americanos de 10 anos, que registraram novo salto e atingem 2,75%, o maior patamar em 10 anos.

Reforma da Previdência
Com a volta do Congresso após o recesso, as articulações sobre a reforma da Previdência ganham destaque no noticiário. Segundo o Valor, Michel Temer insiste, mas Rodrigo Maia resiste a votar o texto na semana do dia 19. O presidente da Câmara aponta que o governo não possui votos suficientes e não aceita ser responsabilizado por eventual fracasso da investida. Segundo o jornal, Maia disse que “ninguém vai morrer se reforma não passar”, pois mercado já precificou.

Ao site Poder 360, Temer disse que concorda com Maia: “ele tem os pés no chão. Quando ele diz que ainda não tem os votos [para aprovar a reforma da Previdência], coincide com o que nossa articulação política também tem falado. Faltam alguns votos para chegar aos 308 necessários”. O presidente ainda apontou que, se passar de fevereiro, é difícil a aprovação da reforma. 

Eleições

Após a pesquisa Datafolha, a primeira após a condenação do ex-presidente Lula em segunda instância, o noticiário político segue movimentado. Segundo O Globo, o governo já não trabalha mais com a hipótese de ter Henrique Meirelles ou Maia como o candidato. Nos resultados da pesquisa divulgados na quarta-feira, ambos marcaram apenas 1% das intenções de votos. Enquanto isso, Luciano Huck, que apareceu com 8% das intenções de voto, comemorou a pesquisa e que aliados trabalham pela candidatura dele – mas ele ainda não se coloca como candidato, segundo a Folha.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.