Ibovespa ignora inflação acima do esperado nos EUA e dispara 2% na volta do Carnaval

Mercado digere a alta de 2% durante feriado e deixa de lado avanço dos preços

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SÃO PAULO – O Ibovespa sobe 2,48%, aos 82.910 pontos, às 14h04 (horário de Brasília), com o mercado digerindo a alta de 2% do ETF (Exchange Traded Fund) EWZ, que representa os papéis com maior peso no índice, nos dois dias que a B3 ficou fechada para negócios por conta do Carnaval e deixando de lado o resultado acima do esperado da inflação nos EUA em janeiro. Vale lembrar que hoje teremos vencimento dos contratos futuros de Ibovespa.

Na última segunda-feira, os ADRs (American Depositary Receipt) subiram forte na esteira dos índices norte-americanos e o petróleo também registrando alta, com o mercado reagindo ao comunicado da Opep sobre o aumento da projeção para a demanda do petróleo em 2018. Já na terça-feira, a alta dos ADRs nacionais foi mais comedida, com o EWZ fechando em alta de 0,53% depois de disparar 1,44% na segunda-feira.

Nesta quarta-feira, o resultado acima do esperado da inflação nos EUA em janeiro ameaçava jogar um “balde de água fria” em todo esse otimismo, mas ele prevaleceu na abertura. O índice de preços ao consumidor dos EUA subiu 0,5% na passagem de dezembro para janeiro, acima da expectativa de 0,3% projetada pelo mercado, fato que eleva ainda mais as apostas de que o Federal Reserve aumentará a taxa de juros 4 vezes ainda este ano, ao invés de 3 como projeta o mercado. Como contraponto, as vendas ao varejo recuaram 0,3% na passagem de dezembro para janeiro, enquanto esperava-se aumento de 0,2% na passagem mensal.

Destaques do mercado

Do lado positivo, destaque para as ações da Vale (VALE3), que dispararam acompanhando a alta do minério de ferro na China, enquanto apenas CCR (CCRO3) e Cielo (CIEL3) recuam neste início de pregão.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 SBSP3 SABESP ON 35,12 +5,34 +2,30 13,30M
 CSNA3 SID NACIONALON 10,34 +4,55 +23,39 11,75M
 BRAP4 BRADESPAR PN 32,57 +4,49 +13,41 3,01M
 VALE3 VALE ON 43,79 +4,26 +8,77 136,69M
 CPLE6 COPEL PNB 24,14 +4,10 -3,25 3,04M

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CCRO3 CCR SA ON 14,58 -0,95 -9,72 15,90M
 CIEL3 CIELO ON 24,01 -0,54 +2,08 9,68M
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Agenda da semana
Por aqui, a política monetária será o grande destaque, com a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), na quinta-feira às 8h (horário de Brasília). O documento deve dar mais detalhes sobre as explicações do Banco Central, que pode cravar ainda mais o fim do ciclo de cortes da Selic.

Voltando ao exterior, o PIB (Produto Interno Bruto) da zona do euro cresceu 0,6% no quarto trimestre de 2017 ante os três meses anteriores e teve expansão anual de 2,7% no mesmo período, segundo revisão publicada hoje pela agência de estatísticas da União Europeia, a Eurostat. Os dados vieram em linha com a previsão de analistas consultados pelo The Wall Street Journal e confirmaram estimativas preliminares divulgadas no fim de janeiro. Em termos anualizados, o PIB do bloco cresceu 2,4% entre outubro e dezembro, informou a Eurostat.

Noticiário político

Mesmo em meio ao Carnaval, o noticiário político foi bastante movimentado, com destaque para as movimentações sobre a candidatura ou não de Luciano Huck, cujas negociações devem ser retomadas após o feriado. Mesmo em meio às negativas sobre a sua candidatura, os rumores de que o global está estudando se candidatar voltaram após a condenação em segunda instância do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O apresentador intensificou nos últimos dias as consultas a políticos e empresários sobre a viabilidade de seu nome na disputa presidencial.

Já o jornal O Estado de S. Paulo apontou que o economista Paulo Guedes está propondo um plano liberal ao candidato Jair Bolsonaro, que costuma ser um defensor de uma política nacional-desenvolvimentista. Entre as propostas estão um mandato fixo de quatro anos para a diretoria do Banco Central e privatizações de estatais. Paulo Guedes foi anunciado como o possível ministro da Fazenda de Bolsonaro caso ele seja eleito. 

Outra questão que ganhou as manchetes durante o feriado foi a fala do diretor-geral da PF, Fernando Segovia, à Reuters. O delegado sugeriu, segundo noticiado pelo site de notícias, que o inquérito que investiga o presidente Michel Temer no caso decreto dos Portos deve ser arquivado. Segovia alegou que foi mal interpretado sobre suas declarações e disse ao Estadão que não vai pedir demissão. Sobre o assunto, o jornal O Globo informa que a Polícia Federal deverá pedir a prorrogação do prazo do inquérito.

Ainda sobre eleições, atenção ainda para uma nova pesquisa eleitoral, que foi registrada pelo Ibope. No site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) consta que a pesquisa será divulgada dia 15 de fevereiro, mas não há informações adicionais sobre período de coleta de dados. O nível de confiança estimado é de 95% e a margem de erro máxima estimada é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. Sobre todo o impasse eleitoral, vale ficar atento ainda ao desenrolar da situação de Lula no cenário eleitoral de 2018.

Reforma da Previdência

Enquanto o noticiário eleitoral segue movimentado, o governo faz o esforço final para votar a reforma da Previdência ao retomar os trabalhos hoje e disposto a fazer novas concessões na proposta em busca de voto, segundo informa O Globo. Temer deve se reunir com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para tratar da matéria. Maia tem dito que a proposta não passa se não houver engajamento de prefeitos e governadores e que ele pode retirar o assunto da pauta se o Planalto não conseguir os votos necessários à aprovação da reforma.

A coluna Painel, da Folha, destaca um apoio que o governo está recebendo: a de associações empresariais ligadas à indústria e ao agronegócio, que resolveram aumentar a pressão sobre os deputados federais. Definiram como alvo cerca de 120 parlamentares que ainda se declaram indecisos sobre a proposta negociada pelo governo com o Congresso: “encerrado o Carnaval, pretendem bombardeá-los com mensagens telefônicas para que aprovem as mudanças nas aposentadorias”, afirma a coluna.