Bolsa

Ibovespa ganha força com altas de Petrobras e bancos; ajuste fiscal e exterior no radar

Índice ganha volatilidade depois da disparada ontem em meio a esforço fiscal do governo; analistas esperam grande dificuldade do governo em aprovar as medidas no Congresso

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SÃO PAULO – O Ibovespa ganha força e consolida alta nesta terça-feira (15) em meio à forte alta de bancos e Petrobras. No noticiário macro de hoje, a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, reúnem-se com deputados após o pacote ser recebido com reservas pelos congressistas. Lá fora, as bolsas europeias e os índices Dow Jones e S&P 500 operam em alta depois de dados nos Estados Unidos. Os investidores esperam a reunião do Fomc (Federal Open Market Committee) na quinta-feira, com a tão esperada decisão de taxa de juros nos Estados Unidos.

Às 12h57 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira subia 0,67%, a 47.599 pontos. Já o dólar comercial tem alta de 1,41% a R$ 3,8677, ao passo que o dólar futuro para outubro tinha ganhos de 1,32% a R$ 3,888. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 tem alta de 12 pontos-base a 15,04%, enquanto o DI para janeiro de 2021 subia 9 pbs a 15,05%. 

Segundo João Pedro Brugger, economista da Leme Investimentos, o movimento da Bolsa hoje é volátil porque as medidas anunciadas pelo governo ontem para sanear as contas públicas são positivas, mas esbarram na capacidade política do Planalto de fazê-las passarem no Congresso. O cenário externo, na sua avaliação, apesar de ter melhorado, com a virada para o campo positivo das bolsas dos EUA, não tem tanto impacto assim na nossa Bolsa. “Acho que lá fora a alta pode muito bem ser uma correção das últimas quedas, e não um movimento mais definido baseado em expectativas de que o Federal Reserve mude de opinião em vista dos indicadores mais fracos recentemente divulgados nos EUA. Acho que a opinião do Fed ja está formada esta semana”, explica. 

Do lado macroeconômico, outra questão que fica no radar é o relatório do Credit Suisse que revisou projeções como a do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para retração de 3% em 2015 e de 1,5% em 2016. “Nossa expectativa de maior contração da atividade é função, principalmente, dos indicadores mais recentes, em particular, da contração da produção industrial em julho e da perspectiva de nova retração em agosto”, diz o Credit, que também prevê que o dólar terminará 2015 valendo R$ 4,25 e passará para R$ 4,50 em 2016.

Pacotão de ajuste
As análises depois do pacote de ajuste anunciado pelo governo ontem são de cautela. O primeiro pronunciamento do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi de que será difícil aprovar a CPMF, mas que não irá barrar a pauta na Casa. “O governo tem base frágil e o tema é polêmico”, afirma Cunha. Por outro lado, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que o pacote mostra que o governo quer vencer o imobilismo, segundo informações do Valor Econômico. 

“Muitas das medidas requerem aprovação do Congresso, o que adiciona significativo risco de implementação”, disse o banco Goldman Sachs em nota por e-mail. Na mesma linha, o BTG Pactual afirmou em relatório que o pacote fiscal é ambicioso, mas precisa de suporte político. “Do pacote combinado de medidas de R$ 64,9 bilhões, R$ 43,7 bilhões, ou 2/3 do ajuste, precisam de aprovação do Congresso”, afirma o banco de investimentos.

Já o Credit Suisse disse que alguma melhora nas expectativas para o resultado fiscal de 2016 é provável, mas que a maioria das medidas não vai atingir as expectativas do governo ou não será aprovada pelo Congresso.

No entanto, quem mais criticou a adoção do ajuste foi a própria base do PT. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que os cortes atingem setores que poderiam defender Dilma de impeachment, como sindicatos. “É claro que vai ter reação! Passamos oito anos criticando Fernando Henrique Cardoso por causa do congelamento do salário dos servidores e agora copiam a receita de FHC?”, protestou Lindbergh.

Em jantar com 17 governadores, a presidente Dilma sugeriu que os governadores pressionassem que a CPMF fosse aprovada, e não com alíquota de 0,20%, mas com 0,38%, para que esse “extra” fosse repassado a Estados e municípios.

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Destaques de ações
O Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 28,29, +2,54%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 17,52, +2,58%) e Bradesco (BBDC3, R$ 26,15, +1,24%; BBDC4, R$ 23,89, +2,09%) passavam a subir forte depois de começar o pregão oscilando entre perdas e ganhos.

A Petrobras (PETR3, R$ 8,93, +1,13%; PETR4, R$ 7,80, +1,04%) seguia o movimento das financeiras e ganha força. Em destaque,  a estatal confirmou ontem à noite o nome de Nelson Carvalho como presidente interino do Conselho de Administração até 30 de novembro no lugar de Murilo Ferreira. Segundo o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, apurou, a eleição no conselho de administração ocorreu por meio de troca de e-mail entre os conselheiros.

No mercado de commodities, o barril do petróleo WTI (West Texas Intermediate) tem alta de 1,70% a US$ 44,73, ao mesmo tempo em que o barril do Brent para dezembro sobe 0,52% a US$ 48,50. 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 HGTX3 CIA HERING ON12,50+5,49
 GOLL4 GOL PN N24,56+5,31
 MRVE3 MRV ON6,67+4,71
 BVMF3 BMFBOVESPA ON11,45+3,71
 MRFG3 MARFRIG ON7,06+3,67

 

 

Já as ações de Vale (VALE3, R$ 18,95, -1,04%; VALE5, R$ 15,01, -2,28%) operam em queda em meio à baixa do minério de ferro. A commodity spot (à vista), negociado no porto de Qingdao com 62% de pureza, fechou em queda de 1,41%, a US$ 57,28.  

Por outro lado, as siderúrgicas como CSN (CSNA3, R$ 4,95, +0,61%), Gerdau (GGBR4, R$ 6,44, +2,22%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 3,68, +1,66%) e Usiminas (USIM5, R$ 4,33, +1,17%) viravam para alta. 

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As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 QUAL3QUALICORP ON16,59-6,75
 CPFE3CPFL ENERGIA ON15,58-2,63
 TBLE3TRACTEBEL ON33,95-2,58
 EQTL3EQUATORIAL ON33,59-2,47
 VALE5VALE PNA15,01-2,28

 

Cenário externo
Nos Estados Unidos, os dados de vendas do varejo ficaram um pouco abaixo da mediana das estimativas do mercado, crescendo 0,2% em agosto ante um avanço de 0,7% em julho. O mercado esperava 0,3% de expansão do indicador. Já a produção industrial recuou 0,4% em agosto, contra uma expectativa mediana do mercado de retração de 0,2%.

Juntos, os dados um pouco abaixo do esperado podem fazer com que o comitê de mercado aberto dos EUA tenha um pouco mais de cautela e não eleve as taxas de juros no Fomc da quinta-feira (17). Pesquisa da Bloomberg mostrava que apenas 28% dos economistas projetavam um início do tão esperado ciclo de alta de juros na maior economia do mundo já nesta reunião. 

Já as bolsas de valores da Ásia recuaram nesta terça-feira diante de cautela de investidores antes da decisão de juros do Federal Reserve desta semana, com mercados na China recuando mais de 3% em meio a preocupações sobre a economia do país.

O índice de Xangai caiu 3,55% e o índice CSI300 recuou quase 4%, com baixo volume de negócios e com muitos investidores se mantendo às margens do mercado após a queda livre de 40% no verão que levou Pequim a lançar um grande pacote de recuperação da economia. “Com uma pequena chance de fazer lucro neste mercado, o dinheiro não está entrando”, disse Zhou Lin, analista da Huatai Securities.

Preocupações sobre a economia chinesa já fizeram as ações no país acumularem queda de 6% até agora nesta semana, com a baixa exacerbada pelo magro volume de operações e com muitos investidores ficando à margem do mercado. As dúvidas persistentes sobre se o crescimento econômico da China deste ano atingirá a meta oficial do governo de 7% estão dissuadindo os investidores de voltarem ao mercado.

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No Japão, o índice Nikkei fechou com alta ligeira de 0,34%, depois que o banco central do país manteve inalterada política monetária ao final de reunião de dois dias. A decisão veio dentro da expectativa de muitos agentes do mercado e também alertou que a demanda em desaceleração nos países emergentes está prejudicando exportações e produção japonesas.

Enquanto isso, o dia é de volatilidade para as bolsas europeias com investidores de olho na reunião do Fomc (Federal Open Market Committee), em que será decidido se eles elevarão ou não as taxas de juros.

Entre os dados econômicos, a zona do euro teve superávit comercial de 31,4 bilhões de euros em julho, o maior desde pelo menos 2004, numa indicação de que a fraqueza do euro continuou sustentando o crescimento na região no começo do terceiro trimestre ao impulsionar as exportações e conter as importações, segundo dados divulgados hoje pela Eurostat, a agência de estatísticas da União Europeia.

Em julho de 2014, o bloco teve superávit comercial muito menor, de 21,2 bilhões de euros.

Enquanto isso, na Alemanha, o índice de expectativas econômicas da Alemanha recuou de 25 para 12,1 em setembro, com o mercado aguardando queda para 18,5. Já o índice de condições atuais do ZEW surpreendeu positivamente, subindo para 67,5 neste mês, de 65,7 em agosto.

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