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Ibovespa Futuro vira para leve alta com mercado de olho na disparada do petróleo

Mercado repercute incertezas geopolíticas após instalações da maior petroleira do mundo sofrerem atentado

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SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro vira para leve alta nesta segunda-feira (16) apesar do pessimismo global após o ataque de rebeldes iemenitas da etnia houthi a instalações da petroleira saudita Saudi Aramco, a maior do mundo.

Com o atentado, o petróleo chegou a disparar 19% nas bolsas globais de commodities. Às 09h33, o barril do Brent – usado como referência pela Petrobras – subia 10,7% a US$ 66,67, enquanto o barril do WTI avança 9,95% a US$ 60,30. 

O Ibovespa Futuro tem alta de 0,11% a 104.015 pontos. Ao mesmo tempo, o dólar futuro registra ganhos de 0,24% a R$ 4,097. 

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No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 valoriza um ponto-base a 5,36%, ao passo que o DI para janeiro de 2023 sobe na mesma proporção, a 6,48%. 

A notícia sobre o petróleo deve trazer ainda mais expectativa pelas reuniões do Federal Reserve e do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira (18). Diversos analistas manifestam temores de que a nova incerteza geopolítica se transforme em combustível para discursos mais hawkish (contrários a cortes de juros) dos membros do Fed. 

“Caso a situação não se normalize rapidamente, esse evento aumentará as chances de um cenário de maior desaceleração de crescimento com riscos inflacionários tanto para o Brasil quanto para o mundo. Esse episódio deverá impor maior cautela nas decisões de juros essa semana”, destaca a XP Investimentos. 

Ofuscada pelo petróleo, mas não menos importante, a produção industrial da China teve uma expansão de 4,4%, bem abaixo do consenso de mercado, que apontava para crescimento de 5,2%. O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, disse que nas atuais condições será muito difícil que a economia do país cresça 6% como é a meta do governo. 

Relatório Focus

O mercado financeiro espera que a taxa básica de juros, a Selic, seja reduzida em 0,5 ponto percentual, dos atuais 6% ao ano para 5,5% ao ano, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), marcada para esta terça e quarta-feira (18).

A expectativa consta da pesquisa semanal do BC a instituições financeiras no Boletim Focus.

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Bolsas Internacionais

Os futuros de Nova York operam em baixa nesta manhã, indicando uma abertura negativa dos negócios, no primeiro declínio em nove dias do Dow Jones. A queda reflete os ataques, por meio de drones, à petroleira da Saudi Aramco, na Arábia Saudita, no final de semana.

À CNBC, o estrategista de commodities Bob Ryan, da BCA Research, “este é o maior choque de oferta de todos os tempos”. “O mercado pode apertar significativamente se a interrupção chegar de fato a semanas, ao invés de dias”, acrescentou.

O CEO da Aramco, Amin Nasser, disse que está em andamento um trabalho para restaurar a produção. A empresa emitirá uma atualização de progresso na próxima terça (17). No entanto, levará semanas para que a empresa retome a capacidade total de produção nas instalações danificadas, de acordo com pessoas familiarizadas com as estimativas de danos na Arábia Saudita.

“É definitivamente pior do que esperávamos nas primeiras horas após o ataque, mas estamos nos certificando de que o mercado não sofra escassez até estarmos totalmente on-line”, disse uma autoridade saudita.

O secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), Mohammad Barkindo, disse que a Arábia Saudita conteve a situação até o momento, após sofrer no fim de semana ataques com drones que comprometeram cerca de metade de sua produção de petróleo, e dispõe de “amplos estoques”.

Em entrevista à TV Bloomberg, Barkindo afirmou também que o foco agora da Opep+, que reúne o cartel e outros grandes produtores como a Rússia, é garantir a segurança da oferta. Ele ressaltou, contudo, que o grupo não tem planos de convocar uma reunião de emergência, embora esteja monitorando o assunto de perto.

Barkindo disse ainda que não há pânico nos mercados e o que o salto nos preços do petróleo, que chegou a quase 20%, foi apenas uma reação inicial.

Na Ásia, com Tóquio fechada, os mercados da China e de Hong Kong fecharam em queda. O ritmo de crescimento da produção industrial chinesa foi o menor em mais de 17 anos, com alta de 4,4% em agosto – abaixo da previsão de analistas consultados pela Reuters, que era de alta de 5,2%.

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Já as vendas do varejo subiram 7,5%, abaixo das projeções do mercado, de alta de 7,9%, e ligeiramente abaixo do crescimento do mês anterior, de 7,6%, ambos na comparação anual.

O primeiro-ministro da China, Li Keqiang, afirmou no domingo, que será “muito difícil” que a China mantenha um ritmo de crescimento de 6,0% ao ano nas atuais condições da economia global. A meta chinesa para este ano é crescer entre 6,0% e 6,5%. No segundo trimestre, o PIB do país cresceu 6,2%, no ritmo mais lento em 27 anos.

“Para a China manter um crescimento de 6% ou mais é muito difícil, em meio à situação internacional complicada e a uma base relativamente alta”, disse Li em uma entrevista à impressa russa que foi reproduzida pelo site oficial do governo chinês. “Essa taxa (6,0%) está no topo das economias líderes do mundo.”

Na Europa, as bolsas operam em queda generalizada, após os ataques à produção de petróleo saudita e dados mais fracos da China.

Além disso, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, reiterou neste domingo que os próximos dias serão fundamentais para garantir um acordo com o Brexit enquanto ele se prepara para se encontrar com líderes europeus.

Noticiário Corporativo

O jornal O Globo trouxe que o governo pretende mudar o regime de exploração de áreas do pré-sal, atualmente leiloadas apenas no regime de partilha, apoiando o projeto do senador José Serra (PSDB-SP), onde a Petrobras perde o direito de exercer preferência por blocos a cada leilão na área. Segundo a publicação, a ideia é que se possa usar também o modelo de concessão, o que tem potencial para aumentar a arrecadação federal no curto prazo, com impacto positivo sobre as contas públicas.

A Petrobras informou que iniciou a etapa de divulgação da oportunidade de desinvestimento referente à venda da totalidade de suas participações em duas concessões terrestres, incluindo instalações de escoamento, denominadas Polo Cupiúba e Carapanaúba, localizadas no estado do Amazonas. Eles compreendem duas concessões terrestres, com instalações integradas, com produção média, em 2018, de cerca de 81 bpd de óleo e 82 mil m3/dia de gás. A Petrobras é operadora com 100% de participação.

A Petrobras aprovou ainda um plano de pessoal para empregados lotados em ativos/unidades em processo de desinvestimento, que prevê três ferramentas: Recrutamento Interno, Procedimento de Desligamento por Acordo (PDA) e um Programa de Desligamento Voluntário (PDV) Específico. O plano de pessoal será apresentado aos empregados no início da fase vinculante de cada processo de desinvestimento.

A Coluna Painel SA da Folha publicou que Japão, China, EUA e Argentina devem ser países para os quais a Marfrig deverá começar a exportar sua carne vegetal. No Brasil, a primeira grande rede de fast food a comercializar o produto foi a Burger King, o que gerou filas no lançamento em uma de suas lojas, em São Paulo, este mês.

A CSN informou que a sua subsidiária Transnordestina Logística vem mantendo tratativas com o governo federal para a retomada de suas obras. “Contudo, não houve, até o presente momento, qualquer definição sobre essa questão, não existindo, portanto, qualquer fato a ser divulgado ao mercado nos termos da legislação em vigor”, afirmou a empresa, após ser questionada pela CVM por conta de reportagem do jornal Valor.

O GPA comunicou que a sua subsidiária Sendas protocolou o pedido de autorização da oferta pública de aquisição de até a totalidade das ações de emissão do Éxito S.A. perante a Superintendência Financeira da Colômbia, ao preço de 18.000 pesos colombianos por ação de Éxito.

(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)