Pré-mercado

Ibovespa futuro tem queda, seguindo mercado internacionais

Futuro do Ibovespa acompanha índices estrangeiros, que caem, e ignora alta das commodities

Por  Vitor Azevedo -

O Ibovespa futuro registra queda de 0,45%, aos 112.510 pontos, às 9h32 (horário de Brasília) desta sexta-feira (28), acompanhando as principais bolsas internacionais, que hoje operam no vermelho.

Os futuros americanos caem, ainda repercutindo as sinalizações da retirada de estímulos do Federal Reserve. “As taxas futuras dos juros americanos fecharam o pregão de ontem em forte alta, com o discurso mais ‘hawkish’ do presidente do Federal Reserve Jerome Powell, com alguns contratos subindo mais de 30 pontos-base”, comenta a XP Investimentos, em seu morning call.

O Dow Jones recua 0,35%, o S&P 500, 0,34%, e o da Nasdaq opera entre altas e baixas, próximo da estabilidade.

Este último é impulsionado parcialmente pelos resultados das companhias de tecnologia – ontem, após o fim do pregão, a Apple (AAPL34) divulgou que obteve no quarto trimestre uma receita recorde, US$ 123,9 bilhões (alta de 11% na base anual), e um lucro líquido superando o consenso.

“A Apple reportou receita trimestral recorde e apontou para um sólido primeiro trimestre em 2022, contribuindo para uma leve melhora no sentimento dos investidores”, dizem os analistas da XP.

Os rendimentos dos treasuries hoje voltam a avançar – o com vencimento em dez anos sobe 3,3 pontos-base, chegando a 1,841% no pré-mercado. Em parte, a pressão é proveniente da alta das commodities, que continuam a subir e que, provavelmente, devem pressionar ainda mais a inflação.

O minério de ferro disparou durante a madrugada, com a tonelada negociada no porto chinês de Dalian subindo 7,59%. a US$ 130,33. No porto de Qingdao a alta foi de 5,59%, a US$ 147,42.

A disparada se dá antes do feriado de ano novo lunar, que deixa os mercados chineses fechados na próxima semana. Além disso, segundo comentários, o presidente chinês Xi Jinping teria sinalizado que “reduzir emissões não é reduzir a produtividade” e que o país pretende continuar estimulando sua economia.

Pesou também o fato de mineradoras na Austrália terem alertado para uma escassez de mão de obra, por conta do avanço do coronavírus no país.

A sinalização de estímulos pelo governo chinês não foi suficiente, entretanto, para manter as bolsas em alta na região. O índice Shangai, da China continental, recuou 0,97%, e o HSI, de Hong Kong, caiu 1,08%.

Se de um lado há os estímulos, do outro, a notícia de que as autoridades do gigante asiático pretendem mudar as regras para que empresas locais, incluindo as de Hong Kong, façam aberturas iniciais de capital (IPOs) pesou na performance das companhias, principalmente nas de tecnologia.

“Na China, o índice de Hang Seng registrou sua pior queda semanal desde agosto de 2021 em consequência da queda do apetite por risco dos investidores, empresas de tecnologia registram novas mínimas”, comentam os analistas da XP.

Os índices Nikkei, do Japão, e Kospi, da Coréia do Sul avançaram, respectivamente, 2,09% e 1,87%.

Na Europa, as bolsas caem em bloco. O DAX, da Alemana, recua 1,86%. O FTSE, do Reino Unido, cai 1,21%. O STOXX 600, de todo o continente, tem baixa de 1,48%.

Pesa na região o fato de o PIB da Alemanha, publicado mais cedo, ter recuado 0,7% no quarto trimestre, ante consenso de queda de 0,3%.

No Brasil, PNAD traz resultado melhor do que o esperado

Por aqui, influencia na performance do Ibovespa futuro a divulgação, pelo Ministério da Economia, da PNAD continua, que trouxe que a taxa de desemprego no trimestre encerrado em novembro ficou em 11,6%, pouco melhor do que o consenso de 11,7%.

Na política, investidores monitoram ainda a PEC dos combustíveis. “O presidente Bolsonaro parece ter desistido do projeto de lei para subsidiar combustíveis, segundo a imprensa local. O impacto fiscal poderia chegar a R$ 100 bilhões para o governo central, o que adicionaria incerteza a uma perspectiva fiscal já frágil”, explica a XP Investimentos.

A curva de juros opera sem direção exata. Na ponta curta, o DI com vencimento em janeiro de 2023 cai seis pontos-base, para 12,18%. Na média, o DI vincendo no primeiro mês de 2025 cai dois pontos, a 11,30%. Na ponta longa, os DIs para janeiro de 2027 e de 2029 sobem um ponto-base, para 11,30% e 11,42%.

O dólar comercial opera próximo da estabilidade, caindo 0,03%, a R$ 5,422 na compra e na venda. O contrato futuro para março sobe 0,18%, indo a R$ 5,420.

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