Bolsa

Ibovespa Futuro sobe forte em meio a fala de Maia e perspectiva de acordo entre EUA e China

Mercado se recupera da forte queda de ontem com a redução nos ruídos que impactaram a Bolsa

Painel de ações (Crédito: Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro abre em alta nesta quarta-feira (26) após o índice à vista cair perto de 2% na véspera. O alívio nas tensões externas dá o tom, com fala do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steve Mnuchin, de que o acordo para encerrar a guerra comercial contra a China está “90% completo”. Por aqui, a Comissão Especial da Câmara dos Deputados volta a se reunir para analisar a reforma da Previdência em meio a temores de atraso. 

Ontem, a Bolsa caiu forte por conta de notícias de que o centrão estaria tentando adiar a votação da Previdência, discurso de dirigente do Fed afastando possibilidade de um corte de juros mais rápido e julgamento sobre a liberdade do ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, no Supremo. 

Já nesta data, às 9h05 (horário de Brasília) o contrato futuro do Ibovespa para agosto subia 1,00% a 101.505 pontos. Já o dólar futuro para julho cai 0,17% a R$ 3,839. 

PUBLICIDADE

Lá fora, as expectativas de um acordo entre EUA e China aumentam por conta da reunião do G-20, que começa na sexta-feira (28). Lá, o presidente norte-americano, Donald Trump, irá se encontrar com o presidente chinês, Xi Jinping.

Por aqui, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) tenta negociar a volta dos estados ao texto da Previdência. Ele assegura que a proposta tem votos e poderá ainda passar na Câmara antes do recesso. 

Já o presidente Jair Bolsonaro está em deslocamento até Osaka, no Japão, para participar da reunião do G-20. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o presidente está em contato com a Casa Branca para um encontro bilateral com o presidente norte-americano, Donald Trump. Bolsonaro poderá se encontrar ainda com o presidente da China, Xi Jinping, e com os líderes do Japão, Singapura, Arábia Saudita e Índia.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 fica estável em 5,96%, ao passo que o DI para janeiro de 2023 recua três pontos-base a 6,76%. 

Noticiário corporativo

A Petrobras vai realizar uma nova rodada de ofertas para definir a venda dos polos de Enchova e Pampo, localizados na Bacia de Campos. No último dia 13, a Petrobras informou ao mercado que recebeu propostas finais para os polos. As novas ofertas recebidas superam US$ 1 bilhão, segundo informou a estatal em um comunicado, montante próximo ao que foi oferecido pela Ouro Preto e EIG em 2018. Desta vez, a candidata principal seria a Trident Energy, com sede em Londres, segundo fontes do setor ouvidas pelo Broadcast.

Segundo o Valor Econômico, o preço da ação da Petrobras vendida pela Caixa foi de R$ 30,25 – representando um desconto em relação à cotação de ontem (R$ 30,70), mas superior ao do dia do lançamento da oferta (R$ 29,85). No total, a Caixa vai arrecadar cerca de R$ 7,3 bilhões pela venda das 241,3 milhões de ações ordinárias da Petrobras.

PUBLICIDADE

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) multou ontem o empresário Eike Batista em mais R$ 550 mil por omitir informações sobre incertezas em relação à viabilidade econômica da exploração de petróleo pela OGX nos balanços do primeiro trimestre de 2013 tanto da petroleira, hoje rebatizada de Dommo Energia (DMMO3), quanto da OSX, braço de logística e estaleiro do antigo Grupo EBX. Com isso, o total de multas aplicadas pela CVM a Eike chega a R$ 559,5 milhões.

Previdência e Bolsonaro

A discussão da proposta da reforma da Previdência na Comissão Especial da Câmara dos Deputados continua hoje, com 47 deputados ainda inscritos para debater a proposta. Depois disso, o relator deve apresentar seu voto complementar e a votação pode ser iniciada. Mas já existem requerimentos da oposição para obstruir a votação. O presidente da comissão, deputado Marcelo Ramos (PL-AM), disse que o objetivo é votar a matéria na Câmara ainda no primeiro semestre.

“A hipótese mais longa seria a aprovação de um requerimento de adiamento da votação por 5 dias. Ainda assim, nós teríamos a votação na comissão no dia 9 de julho e ainda sobrariam duas semanas para o Plenário. Então está tudo dentro do cronograma e perseguimos o objetivo de votar no primeiro semestre”, afirmou Ramos. Até às 18 horas dessa terça-feira, 37 destaques à reforma já haviam sido apresentados por partidos e deputados. 10 deles, que são de partidos, têm que ser votados separadamente. Os destaques buscam alterações no texto.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) voltou a defender que Estados e municípios estejam incluídos na reforma da Previdência ainda no relatório que deve ser votado na Comissão Especial nos próximos dias. O deputado, que entende a inclusão de Estados e municípios na reforma como “fundamental”, disse estar comprometido em receber pessoalmente todos os governadores antes que o relator da reforma, Samuel Moreira (PSDB-SP), faça leitura da complementação de seu relatório. As declarações foram publicadas no perfil oficial de Maia no Instagram.

Na avaliação de Maia, há cerca de 315 ou 320 votos certos, mas pode-se chegar a um teto de 380 votos favoráveis à aprovação da reforma da Previdência. São necessários, no mínimo, 308 votos. “A reforma da Previdência e a tributária podem garantir ai uma capacidade de investimento para o governo federal que hoje é de R$ 60 bilhões a R$ 80 bilhões, vai para R$ 150 bilhões, R$ 200 bilhões. Olha a margem do que a gente vai poder discutir no próximo orçamento”, afirmou Maia.

Ontem, o presidente Jair Bolsonaro, pressionado pelo Congresso, revogou o decreto que facilitava a posse e o porte de armas. Ele publicou, entretanto, outras três normas sobre o tema e apresentou um Projeto de Lei para que o assunto seja discutido no Legislativo. Além disso, o presidente vetou trechos do projeto que previa a indicação de diretores de agências reguladoras, com base em lista tríplice. Parlamentares pretendem derrubar esse veto.

Ainda no Legislativo, destaque para a aprovação pelo plenário da Câmara do texto-base do projeto da nova lei de licitações. Os destaques apresentados ao texto serão analisados em outro momento. A proposta substitui três legislações vigentes do setor, entre elas a 8.666/1993, conhecida como a Lei Geral de Licitações. O texto aprovado cria novas modalidades de contratação, exige o seguro-garantia para obras de grande porte e tipifica crimes relacionados à questão. O texto também disciplina as regras de licitações para a União, Estados e municípios.

Está prevista para hoje ainda reunião da CPI do BNDES, que ouvirá ex-presidente da instituição, Joaquim Levy.

Lula

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por três votos a dois por manter o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na prisão até que seja julgado o habeas corpus que pede sua soltura. Para a defesa, o ex-juiz Sérgio Moro, responsável pela condenação de Lula, não é imparcial e isso deveria anular o julgamento da primeira instância. O advogado de Lula, Cristiano Zanin, minimizou o resultado de ontem, afirmando que deverá ser diferente quando a Corte analisar o mérito do habeas corpus.

Votaram contra a liberdade do ex-presidente os ministros Luiz Edson Fachin, Cármen Lúcia e Celso de Mello. Já a favor de libertar o Lula votaram os ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. Ontem foi julgada apenas a proposta de Gilmar Mendes de libertar Lula até que o caso fosse julgado em definitivo. Ou seja, não se deliberou hoje sobre Moro ser ou não suspeito para julgar o caso. Gilmar disse que precisa de mais tempo para analisar o processo do tríplex no Guarujá (SP), por isso pediu vista do mérito do caso principal.

Quer investir com corretagem ZERO na Bolsa? Clique aqui e abra agora sua conta na Clear!