Abertura

Ibovespa Futuro sobe em meio à aprovação da PEC Emergencial e se descola do exterior; dólar cai a R$ 5,79

Pré-market mostra desempenho positivo diante da potência fiscal do texto, que foi votado sem as exceções que estavam sendo ventiladas

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SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro abre em alta nesta quarta-feira (10) depois da aprovação com 341 votos a favor e 121 contra da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Emergencial na Câmara dos Deputados. Hoje serão analisados os destaques ao texto, principalmente os da oposição, que pretende retirar o limite de R$ 44 bilhões para os gastos do auxílio emergencial.

Ainda nesta quarta às 11h (horário de Brasília) será realizado pronunciamento público do ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, que por uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, teve suas condenações no âmbito da Operação Lava Jato anuladas.

Na véspera, a Segunda Turma suspendeu devido ao pedido de vistas do ministro Kassio Nunes Marques a sessão que julgava a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro nesses processos.

Lá fora, as expectativas são pela votação na Câmara de Representantes dos Estados Unidos do pacote de US$ 1,9 trilhão em estímulos contra os impactos econômicos do coronavírus.

Na terça (9), ações do setor de tecnologia, em especial, tiveram altas em meio à queda dos juros de títulos do Tesouro americano com vencimento em dez anos.

Os papéis do setor vêm sendo especialmente afetados pelas variações nos treasuries nas últimas semanas, já que essas empresas precisam da tomada de grande volume de empréstimos para manter seu rápido ritmo de crescimento.

Às 9h11, o contrato futuro do Ibovespa com vencimento em abril de 2021 tinha alta de 1,13%, a 112.350 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial opera em leve queda de 0,12% a R$ 5,7893 na compra e a R$ 5,7903 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em abril registra perdas de 0,32% a R$ 5,79.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 cai dois pontos-base a 3,98%, o DI para janeiro de 2023 tem queda de seis pontos-base a 5,71%, o DI para janeiro de 2025 recua seis pontos-base a 7,29% e o DI para janeiro de 2027 registra variação negativa de sete pontos-base a 7,92%.

Novo recorde de mortes

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Pelo 11º dia seguido, o país bateu na terça (9) seu recorde na média móvel de mortes por Covid em 7 dias, com a marca de 1.572, alta de 39% em comparação com a média de 14 dias antes. O patamar de 1.500 mortes na média de 7 dias havia sido ultrapassado pela primeira vez no dia anterior.

Foram registradas 1.954 mortes por Covid na terça, também um recorde para um dia isolado. Este patamar foi atingido apesar de o estado de Goiás não ter divulgado o número de mortes, apenas o de novos casos.

As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h de terça o avanço da pandemia em 24 h no país.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 68.167, alta de 38% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia houve 69.537 diagnósticos.

Até a segunda, 8.736.891 pessoas receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 4,13% da população. A segunda dose foi aplicada em 2.975.266 pessoas, ou 1,41% da população. Analistas vêm apontando a velocidade da imunização como um dos fatores a influenciarem a retomada da economia.

Na terça, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) divulgou uma edição extraordinária do boletim sobre a lotação de UTIs (unidades de terapia intensiva) no país durante a pandemia. Segundo o documento, 20 das 27 unidades da federação têm taxas de ocupação iguais ou superiores a 80%, patamar considerado crítico. Destas, 13 têm ocupação igual ou superior a 90%. Em Santa Catarina, há 395 pacientes aguardando transferência para leitos de UTI.

Dentre as 27 capitais, 25 estão com ocupação igual ou superior a 80%, e 15 delas acima de 90%. Apenas Belém e Maceió têm taxas abaixo de 80%, em 75% e 73%, respectivamente.

Na terça, o Ministério da Saúde, comandado pelo general Eduardo Pazuello, enviou um ofício à embaixada da China no Brasil, em que pede ajuda para comprar 30 milhões de doses da vacina da farmacêutica chinesa Sinopharm.

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O secretário-executivo da Saúde, Elcio Franco, afirma no ofício que o Brasil corre o risco de paralisar a vacinação contra a Covid devido à falta de imunizantes.

Também na terça, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e Arthur Lira (PP-AL), enviaram um ofício ao general Pazuello em que demandam informações sobre a vacinação contra a Covid.

Na segunda, Pazuello alterou pela quarta vez a sua previsão sobre o número de imunizantes que devem estar disponíveis no Brasil em março, para entre 25 milhões e 28 milhões. Em fevereiro, o ministro da Saúde havia afirmado que 46 milhões de doses estariam disponíveis em março.

Reportagem de capa do jornal Folha de S. Paulo aponta que há ao menos 11 indícios que poderiam ser usados como prova de que a cúpula do Ministério da Saúde tinha conhecimento sobre a grave de escassez de oxigênio em hospitais em Manaus e foi omissa.

Os indícios estão presentes em um relatório assinado pelo próprio ministro, em um documento da secretaria-executiva da pasta, em um plano de contingências montado para lidar com a crise no Amazonas, em relatórios de grupos independentes enviados ao estado e em documentos da fornecedora de oxigênio White Martins, contratada pelo governo para abastecer as unidades de saúde.

O general Pazuello é suspeito de crimes e investigado em inquérito no STF pela sua atuação no enfrentamento da pandemia, que também é questionada pelo Congresso.

PEC Emergencial e julgamento de Moro

A Câmara dos Deputados aprovou na madrugada desta quarta-feira em primeiro turno, o texto da PEC que recria o auxílio emergencial a vulneráveis e institui mecanismos de ajuste nas despesas, como congelamento de salários de servidores, quando há elevado comprometimento das finanças de União, Estados e municípios.

O sinal verde veio depois de o próprio presidente Jair Bolsonaro ter endossado, a contragosto do Ministério da Economia, uma tentativa de fatiar a PEC para deixar de fora parte das medidas duras. A investida acabou não vingando.

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A estratégia de Bolsonaro naufragou após a equipe econômica e o próprio presidente da Câmara, Arthur Lira, terem entrado em campo para desarmar o movimento das forças de segurança, apoiadas pela bancada da bala. Os policiais queriam emplacar um dispositivo que os livrasse do alcance das medidas de congelamento de salários e progressões na carreira, mas foram barrados.

Com isso, o relator na Câmara, Daniel Freitas (PSC-SC), manteve a proposta já aprovada no Senado, com auxílio e mecanismos de contenção de despesas. O texto-base teve 341 votos a favor e 121 contra na Câmara – o governo precisava do apoio de 308 deputados para a aprovação.

As discussões começaram na manhã da terça-feira, 9, e, com o movimento de obstrução da oposição, o texto somente foi aprovado à 1h30 desta quarta. Na manhã desta quarta, os deputados vão apreciar os destaques (propostas de mudanças no texto) e, depois disso, devem realizar o segundo turno de votação.

Além disso, a segunda Turma do STF suspendeu na terça o julgamento sobre a parcialidade do ex-juiz Sergio Moro no processo em que o ex-presidente Lula foi condenado sob a acusação de receber um tríplex como propina da empreiteira OAS. Empatado em 2 a 2, o julgamento foi interrompido por pedido de vista do ministro Kassio Nunes Marques.

Na segunda o ministro Luiz Edson Fachin decidiu que a Vara Federal de Curitiba, que teve Moro como titular durante o julgamento da Operação Lava Jato, é incompetente para processar e julgar o ex-presidente Lula nos casos do tríplex, do sítio de Atibaia, e em duas ações envolvendo o Instituto Lula. Assim, as condenações do petista foram anuladas, e ele voltou a ter todos os seus direitos políticos, inclusive o de se candidatar a cargos públicos.

De acordo com o jornal O Globo, a possibilidade de que o líder petista volte ao páreo eleitoral fez com que o presidente Jair Bolsonaro volte a negociar a volta a seu antigo partido, o PSL. A avaliação é de que o tempo de TV e fatia maior do fundo partidário seriam importantes em uma eventual disputa contra Lula pela Presidência.

Cabe destacar que às 11h Lula deve fazer um discurso após as decisões recentes do STF.

Radar corporativo

A temporada de resultados segue no radar. A BR Distribuidora registrou lucro liquido de R$ 3,148 bilhões no quarto trimestre de 2020, ante R$ 96 milhões no mesmo período do ano passado. Em 2020, o lucro líquido somou R$ 3,905 bilhões, alta de 76,6% na comparação com 2019.

Já a Raia Drogasil teve lucro de R$ 198,5 milhões no último trimestre do ano passado, 38,5% superior frente igual período de 2019. Entre janeiro e dezembro, o valor foi de R$ 579,3 milhões, alta de 6,7% no comparativo anual. A receita líquida avançou 16%, a R$ 5,55 bilhões.

A Allpark, dona da rede de estacionamentos Estapar, teve prejuízo líquido de R$ 15,9 milhões no quarto trimestre, alta de 150,8%, ante o prejuízo de R$ 6 milhões reportados em igual período de 2019. No ano, as perdas somaram R$ 170,7 milhões, quatro vezes maior do que os R$ 42,6 milhões reportados um ano antes.

A Totvs  acertou a compra da empresa de programas de automação de marketing RD Station, com a desenvolvedora de softwares de gestão fazendo o maior negócio de sua história, fortalecendo sua aposta no negócio de performance empresarial. O acordo anunciado nesta terça-feira prevê o pagamento de R$ 1,86 bilhão, sujeito a ajustes, a ser pago na conclusão da transação, por cerca de 92% do capital da RD, avaliada em cerca de R$ 2 bilhões. Criada em 2011, a RD tem receita líquida prevista para 2021 de cerca de R$ 206 milhões.

Ainda no radar do mercado, um mês após a assinatura do acordo R$ 37,68 bilhões entre Vale, autoridades de Minas Gerais e da União, para reparar e indenizar os danos provocados pela tragédia na cidade de Brumadinho, o governo mineiro é alvo de pressão das empreiteiras que devem colocar as obras em andamento.

O acordo prevê o uso de R$ 11,06 bilhões para retomar obras de infraestrutura paralisadas nos últimos anos por falta de verba. Mas as empreiteiras afirmam que as licitações ocorreram há entre quatro e cinco anos, e que, desde então, houve disparada dos preços. As informações são do jornal Valor.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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