Resumo do mercado

Ibovespa Futuro sobe com sinalizações positivas sobre Previdência; dólar fica no zero à espera do G-20

Principais atores da reforma da previdência buscam recriar ambiente positivo para a votação da proposta e animam investidores brasileiros, enquanto ambiente é de cautela no exterior com Opep e G-20

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SÃO PAULO – A última sessão do semestre é de cautela para os mercados mundiais, com os investidores de olho nas reuniões do G-20 e da Opep. Enquanto isso, no Brasil, o Ibovespa Futuro tem uma sessão de alta seguindo o alívio na véspera após Rodrigo Maia, presidente da Câmara, reforçar a investidores que o cronograma para a votação da Previdência será mantido, com expectativa de aprovação na Câmara ainda no primeiro semestre. 

Além disso, o ministro Paulo Guedes se reuniu com Davi Alcolumbre, presidente do Senado, em um gesto de reaproximação com os parlamentares após as críticas que fez ao relatório do deputado Samuel Moreira. Ambos defenderam a inclusão de estados e municípios na reforma. Soma-se a isso a informação do jornal O Globo de que o governo teria finalmente acelerado a liberação de verba de emendas parlamentares para aprovar a reforma.

Com isso, o contrato futuro do índice com vencimento em agosto avançava às 9h09 (horário de Brasília) 0,67%, a 102.150 pontos, enquanto o dólar futuro com vencimento em julho registrava leve alta de 0,09%, a R$ 3,823. Já os contratos de juros futuros têm uma sessão de queda, com o de vencimento em janeiro de 2021 em baixa de 3 pontos-base, a 5,88%, enquanto o de vencimento em janeiro de 2023 tem queda de 1 ponto-base, a 6,70%.

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Vale destacar ainda a pesquisa realizada pela XP Investimentos com deputados que apontou que, após uma série de atritos ao longo dos primeiros seis meses de gestão, parlamentares observam uma melhora no relacionamento entre o governo do presidente. 

Segundo o levantamento, feito entre os dias 18 e 26 de junho (ou seja, capturando parcialmente a nova rodada de desencontros que culminou no atraso do calendário da reforma da Previdência), subiu para 49% o percentual de congressistas que classificam como ótima ou boa sua relação individual com o Palácio do Planalto. Já os que avaliam essa interlocução como ruim ou péssima somam 27%. Veja mais clicando aqui. 

Voltando ao noticiário internacional, os presidente dos EUA, Donald Trump, e o chinês, Xi Jinping, se reúnem neste sábado, durante a atual cúpula do G-20 no Japão, em meio ao impasse comercial entre as duas maiores economias globais.

China e Estados Unidos têm mantido posições firmes em relação aos seus respectivos pleitos até a véspera do encontro. Enquanto o Ministério do Comércio da China pede que Washington cancele suas medidas de pressão e sanção contra a Huawei e outras empresas chinesas, Trump reitera a ameaça de impor tarifas a todas as importações chinesas, caso as conversas deste final de semana falhem.

Atenção ainda para a reunião da Opep que acontece entre os dias 1 e 2 de julho. De acordo com o Credit Suisse, o foco será sobre se o acordo para corte de produção em 1,2 milhão de barris por dia será estendido para o restante do ano (e a expectativa é que isso ocorra). 

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Na Europa, os mercados operavam em alta nesta manhã, assim como os índices futuros das bolsas americanas. No Velho Continente, vale destacar que o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro subiu 1,2% na comparação anual de junho, permanecendo no nível de maio. O resultado veio em linha com a previsão de analistas consultados pelo The Wall Street Journal.

A leitura prévia de junho mantém a inflação da zona do euro bem distante da meta do Banco Central Europeu (BCE), que é de uma taxa ligeiramente inferior a 2%, e aumenta a pressão para que a instituição volte a adotar medidas de estímulos.

Na semana passada, o presidente do BCE, Mario Draghi, sinalizou que a instituição poderá voltar a cortar juros e comprar ativos por meio de seu programa de relaxamento quantitativo (QE, pela sigla em inglês) se a perspectiva econômica da zona do euro não melhorar.

Na Inglaterra, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,5% no primeiro trimestre do ano ante o quarto trimestre de 2018. Na comparação anual, o PIB britânico se expandiu 1,8% entre janeiro e março. Os números confirmaram estimativas preliminares e vieram em linha com as projeções de analistas.

Entre as commodities, os preços do petróleo operam praticamente estáveis, enquanto os preços futuros do minério de ferro acumulam alta de 5% em dois dias.

Bolsonaro e G-20

Após um embate com a chanceler alemã, Angela Merkel, em relação ao desmatamento no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro se reuniu com o líder francês, Emmanuel Macron. Apesar de ter sido cancelada inicialmente, após Macron ameaçar não assinar nenhum tratado comercial com o Brasil, caso saísse do acordo de Paris, a reunião acabou acontecendo e o presidente brasileiro reiterou o compromisso de se manter no tratado sobre o clima e convidou o francês para visitar a Amazônia.

Durante transmissão ao vivo pelo Facebook, do Japão, Bolsonaro chegou a afirmar que “não vai receber pito” de ninguém. A resposta foi endereçada especialmente à Merkel, que havia descrito como “dramática” a situação do Brasil e que pretendia abordar o presidente brasileiro para uma conversa clara. O ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, disse que países como Alemanha buscam explorar florestas brasileiras no futuro e dão “palpite” na questão ambiental. “Quem tem moral para falar da preservação do meio ambiente no Brasil? Esses países que criticam? Vão procurar sua turma”, disse.

A troca de farpas entre chefes de Estado de Brasil, França e Alemanha, por sua vez, aumentou a tensão sobre as negociações dos detalhes finais do acordo entre Mercosul e União Europeia, discutido há duas décadas. Havia expectativa de que um consenso entre os ministros dos dois blocos pudesse ser alcançando ainda na última quinta-feira, 27, mas as conversas avançaram a noite em Bruxelas sem que um anúncio final fosse feito. A decisão sobre o futuro do tratado ficou para hoje.

O presidente Jair Bolsonaro se encontrou hoje ainda com Trump, em Osaka, no Japão. Segundo o Estadão, questionado três vezes por jornalistas sobre o papel do Brasil em meio à disputa EUA-China, Trump evitou se posicionar e não deu nenhuma resposta específica. Trump não colocou o Brasil, ainda, no centro de suas respostas, também em questões sobre a Venezuela. A nota oficial do encontro diz que eles falaram sobre “riscos associados às atividades chinesas no hemisfério Ocidental”, sobre Venezuela e o apoio ao Brasil ingressar na OCDE.

Trump afirmou ainda que o Brasil tem ativos que “alguns países nem conseguem imaginar” e que é um “tremendo país”. “Estamos falando sobre comércio, estamos comercializando muito mais que antes. E temos muito o que discutir”, acrescentou.

Bolsonaro participou ainda de uma reunião informal do Brics (Brasil, Índia, China, Rússia e África do Sul), quando afirmou que o governo pretende trabalhar ativamente pelo fortalecimento do grupo. “Contem com o empenho de nosso Governo para que a cooperação entre nós se fortaleça sempre mais”, declarou. “Destaco que nossa união pode colaborar e muito na busca de soluções de conflitos internacionais”.

Na agenda do presidente consta ainda encontro com o presidente da China, Xi Jinping.

Economia e Previdência

Em meio à tentativas de reaquecer a atividade econômica, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o Banco Central (BC) deve seguir reduzindo a alíquota de recolhimento de depósitos compulsórios em mais de R$ 100 bilhões. Ontem, o BC decidiu reduzir a alíquota do recolhimento compulsório sobre recursos a prazo em dois pontos percentuais, de 33% para 31%. A alteração, que terá efeito a partir do mês que vem, vai destravar R$ 16,1 bilhões. A medida deve ampliar o acesso ao crédito no país.

Após a fala de Guedes, o Banco Central publicou uma nota sobre a questão, afirmando que a ação relativa aos compulsórios ainda está em curso, “sem definições de prazos ou montantes”. “O BC não antecipa decisões ou regulações”, acrescentou a autarquia. O BC destacou que a liberação anunciada na quarta-feira, no valor de R$ 16,1 bilhões, terá efeito no dia 15 de julho deste ano.

Ainda na economia, o Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou em 3,5% a meta de inflação a ser perseguida pelo Banco Central em 2022. A margem de tolerância para cumprimento da meta será de 1,5 ponto porcentual, para mais ou para menos (inflação entre 2,00% e 5,00%). A meta de 2019 é de 4,25%; a de 2020, de 4%; e a de 2021, de 3,75%.

O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Saschida, destacou que uma meta de inflação baixa não implica uma alta de juros por parte do Banco Central. De acordo com o secretário, uma meta de inflação mais baixa está associada a menor incerteza em relação a comportamento futuro da inflação.

O secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, disse ainda, que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que tem sido grande aliado do governo no Congresso, mantém a confiança de que é possível votar o texto da Previdência no plenário da Câmara antes do recesso parlamentar.

Maia afirmou que a próxima terça (2) é o prazo final para reincluir ou não estados e municípios na reforma da Previdência. Na terça, Maia participa de uma reunião com os governadores e o relator, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), para definir o apoio ou não à reforma. Em evento em São Paulo, Maia garantiu que o texto será votado até dia 18, antes do recesso parlamentar.

Durante sua live no Facebook, Bolsonaro reforçou que a melhora do quadro econômico do país passa pela aprovação da reforma da Previdência, que ele espera que seja votada no plenário da Câmara antes do recesso parlamentar de julho.

“A semana que vem se vota na comissão especial e, pelo que tudo indica, se aprova o texto, que na semana seguinte já pode ir para plenário e, quem sabe, votarmos, pelo menos o primeiro turno, antes do recesso parlamentar”, disse Bolsonaro.

Vale destacar ainda a pesquisa realizada pela XP Investimentos com deputados que apontou que, após uma série de atritos ao longo dos primeiros seis meses de gestão, parlamentares observam uma melhora no relacionamento entre o governo do presidente. 

Segundo o levantamento, feito entre os dias 18 e 26 de junho (ou seja, capturando parcialmente a nova rodada de desencontros que culminou no atraso do calendário da reforma da Previdência), subiu para 49% o percentual de congressistas que classificam como ótima ou boa sua relação individual com o Palácio do Planalto. Já os que avaliam essa interlocução como ruim ou péssima somam 27%. Veja mais clicando aqui. 

 

Noticiário corporativo

A Petrobras está em conversas com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre sua saída do segmento de transporte e distribuição de gás, disse o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, após o governo anunciar plano de acabar com monopólios no transporte e distribuição de gás. O presidente da Petrobras afirmou ainda que a companhia poderá concluir a venda de ao menos uma refinaria este ano, de um total de oito colocadas à venda.

Agora pela manhã, a Petrobras informou o início da etapa de divulgação das oportunidades (teasers) referentes à venda de ativos em refino e logística associada no país. Os desinvestimentos representam, aproximadamente, 50% da capacidade de refino nacional, totalizando 1,1 milhão de barris por dia de petróleo processado.

Ainda sobre a Petrobras, em reunião com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Advocacia-Geral da União (AGU) acertaram que entregarão à Corte até o dia 15 de julho propostas de aplicação da multa paga pela Petrobras, em acordo com a Justiça norte-americana, que direcionou R$ 2,5 bilhões ao Brasil. Um acordo sobre o destino desse dinheiro deve ser fechado em agosto, de acordo com Moraes.

(Agência Estado, Agência Brasil e Agência Câmara)