Bolsa

Ibovespa Futuro sobe 300 pontos em 10 minutos de olho em impeachment; dólar avança

Pré-market aponta para dia de forte volatilidade em meio a notícias negativas para o governo, que são ofuscadas pela cautela no mercado global

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SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro vira para alta nesta quinta-feira (7), deixando de lado o desempenho negativo das bolsas internacionais, que caem com cautela antes da fala do presidente do BCE (Banco Central Europeu). No noticiário político, o placar do impeachment feito jornal Estado de S. Paulo mostra um aumento de 234 para 259 parlamentares a favor do impedimento da presidente Dilma Rousseff de ontem para hoje. O aumento veio após o parecer favorável à continuidade do processo que foi dado pelo relator do impeachment, Jovair Arantes (PTB-GO).  

Às 9h16 (horário de Brasília), o contrato futuro do índice para abril subia 0,66%, a 48.620 pontos. Ao mesmo tempo, o dólar futuro para maio tem alta de 0,44% a R$ 3,686. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 opera estável a 13,84%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 registra perdas de 2 pontos-base a 14,11%. 

Último recurso do PMDB
O PMDB já se prepara para expulsar do partido todos os deputados que votarem contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff ou não comparecerem à sessão do penário que definirá o impedimento. Segundo a coluna Radar, da Folha de S. Paulo, o fechamento desta questão, que será definido na Executiva da sigla na semana que vem, é visto como o último grande fato para impulsionar a destituição. 

O estatuto permite que o partido obrigue seus deputados a seguir uma posição se houver maioria na Executiva e nas bancadas. A medida é especialmente relevante se considerarmos que a ala mais governista do PMDB, ligada ao líder do partido na Câmara dos Deputados, Leonardo Picciani (RJ) promete entregar 25 dos 67 votos para barrar o impeachment. 

Relatório sobre o impeachment
O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), José Eduardo Cardozo, considerou nulo e improcedente o relatório do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), que apresentou parecer favorável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff na comissão especial da Câmara dos Deputados que discute o afastamento dela do cargo. Demonstrando preferência para que os “vícios” e “nulidades” apontadas pela defesa sejam corrigidos pelo próprio Congresso Nacional, Cardozo, porém, não descartou judicializar o processo, com recursos jurídicos contra o relatório apresentado por Jovair Arantes. “Eu confio que esse relatório não seja aceito pela comissão especial. As nulidades são flagrantes, as evidências são óbvias e o melhor seria que se corrigisse. Porque arrastar uma decisão como essa não faria bem para ninguém. Agora, se por ventura os direitos do estado democrático de direito forem violentados do ponto de vista do mandato presidencial, seguramente iremos à Justiça”, declarou Cardozo, sem revelar o momento em que esse recurso se daria.

Impeachment de Temer
O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), encaminhou ontem (6) ofício aos 25 partidos com representação na Casa solicitando a indicação de parlamentares para compor a comissão especial destinada a analisar o pedido de impeachment do vice-presidente da República, Michel Temer. Do total de partidos, 20 têm líderes na Câmara. A solicitação atende a liminar proferida na segunda (5) pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que Cunha desse prosseguimento ao pedido de impeachment de Temer. A decisão de Mello atende a um pedido do advogado Mariel Marra, que acionou a Corte para questionar decisão de Cunha, que arquivou a denúncia contra Temer em dezembro. 

Ontem à noite, foi divulgado que o ministro Celso de Mello, do STF, negou novo pedido para abertura de processo de impedimento contra Temer. O pedido foi feito pelo deputado federal Cabo Daciolo (PTdoB-RJ). Na decisão, o ministro entendeu que o Supremo não pode interferir nas atividades do Congresso.

Andrade Gutierrez
A delação de executivos da Andrade Gutierrez pode ser mais um motivo para o agravamento da crise que se instalou no governo Dilma Rousseff. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo desta quinta-feira, a segunda maior empreiteira do Brasil fez doações legais às campanhas de Dilma e seus aliados em 2014 utilizando propinas originadas de obras superfaturadas da Petrobras (PETR3PETR4) e do sistema elétrico. O comando da campanha da presidente em 2014 negou, em nota encaminhada ao jornal, qualquer irregularidade nas doações feitas à petista em sua campanha da reeleição. A nota diz que “toda a arrecadação da campanha da presidenta de 2014 foi feita de acordo com a legislação eleitoral em vigor”. 

Indicadores
Entre os indicadores norte-americanos, destaque para o número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos e sobre o volume de crédito ao consumidor em fevereiro. Vale destacar ainda que, às 18h30, a chairwoman do Federal Reserve, Janet Yellen, participa de discussão com ex-dirigentes Ben Bernanke, Alan Greenspan e Paul Volcker, em Nova York.

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Cenário externo
As bolsas mundiais registram um dia de cautela, com a Europa de olho na fala do presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi, que participa de reunião com o presidente de Portugal Marcelo Rebelo Sousa e faz apresentação em seguida, em Lisboa, às 11h. O FTSE tem leve alta de 0,01%, o DAX cai 0,13% e o CAC 40 tem baixa de 0,20%.

Enquanto isso, o petróleo tem leve queda, com o contrato futuro do brent com vencimento em maio em baixa de 0,08%, a US$ 39,81 o barril, em meio às preocupações sobre a demanda da commodity.

Já as bolsas chinesas recuaram mais de 1% nesta quinta-feira, com os investidores esperando uma série de dados econômicos do país e cautelosos com os sinais de aumento dos riscos de default no mercado nacional de títulos corporativos. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 1,48%, enquanto o índice de Xangai teve queda de 1,35%.

Na próxima semana, a China vai divulgar uma série de dados econômicos importantes referentes a março. Uma pesquisa da Reuters mostrou que as exportações chinesas devem ter voltado a crescer pela primeira vez em nove meses, enquanto o ritmo de empréstimo dos bancos pode ter acelerado. No Japão, o iene atingiu a máxima de 17 meses, afundando as ações de exportadores do país no processo; o Nikkei subiu 0,2%.

O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura.

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