Ibovespa Futuro sinaliza leve correção após melhor fechamento desde 2012; dólar e DIs caem

Contratos futuros do índice mostram sessão de realização de lucros por parte dos investidores enquanto atenções seguem com Donald Trump

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SÃO PAULO – Após o principal índice do mercado acionário nacional voltar a registrar sessão positiva e fechar acima de 66 mil pontos pela primeira vez desde 2012, o Ibovespa Futuro iniciou a sexta-feira (27) indicando leve realização de ganhos por parte dos investidores. Às 9h03 (horário de Brasília), os contratos futuros do índice com vencimento em fevereiro operavam em queda de 0,21%, a 66.460 pontos. No radar do mercado seguem em destaque os primeiros passos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além de dados econômicos na maior economia do mundo e o corte nos preços dos combustíveis pela Petrobras. Na China, os mercados só reabrem em 3 de fevereiro, por conta do feriado do Ano Novo Lunar. [Clique aqui para ver mais cotações do mercado futuro].

No mesmo horário, os contratos de juros futuros operava em queda, com os DIs com vencimento em janeiro de 2018 recuando 3 pontos-base, a 10,94%, ao passo que os papéis com vencimento em janeiro de 2021 caíam 4 pontos-base, a 10,71%. Já os contratos de dólar futuro com vencimento em fevereiro deste ano caíam 0,13%, sinalizando cotação de R$ 3,178.

Confira ao que se atentar neste pregão:

1. Bolsas Mundiais
A sexta-feira é de cautela para a maior parte das bolsas mundiais, que aguarda os dados econômicos dos EUA, com atenção especial ao PIB do quarto trimestre. Além disso, o mercado fica de olho nos próximos passos a serem dados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Hoje, ele se encontra com a premiê britânica Theresa May; a libra recua antes da reunião.Vale destacar ainda que, segundo a Reuters, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, deve conversar no sábado com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tendo como foco a Rússia. O peso mexicano, por sua vez, cai pelo 2º dia com escalada na tensão entre governo Trump e México. O presidente americano determinou a construção de um muro na fronteira com o México e afirmou que os mexicanos pagariam pelo muro. 

Já na Ásia, o principal índice do continente apresentou fraqueza nesta sexta-feira, em um pregão de volume reduzido com muitos mercados fechados devido ao feriado de Ano Novo Lunar. O índice MSCI, que reúne ações da região Ásia-Pacífico com exceção do Japão, tinha queda de 0,11% às 7:43 (horário de Brasília), mas caminhava para encerrar a semana com alta de 1,85%. Já o índice japonês Nikkei fechou com alta de 0,34%, com a confiança sendo impulsionada pelo fortalecimento do dólar ante o iene diante do otimismo sobre as perspectivas econômicas dos Estados Unidos. Mas os ganhos foram limitados pelas preocupações com as políticas protecionistas do presidente norte-americano. Os mercados chineses não operaram pelo feriado do Ano Novo Lunar, e vão reabrir em 3 de fevereiro. O mercado acionário de Hong Kong ficou praticamente estável nesta sexta-feira, quando o pregão fechou ao meio-dia (horário local).

Agenda de indicadores 
Com a agenda doméstica esvaziada, investidores aguardam a arrecadação federal de impostos, às 10h30. O mercado ainda deve repercutir o corte dos preços de combustíveis pela Petrobras (veja mais no item 5), que deve ter impacto sobre os juros futuros. Vale destacar que, segundo o jornal Valor Econômico, o governo considera possível IPCA abaixo de 4,5% e juro de um dígito em 2017. 

O destaque do dia, no entanto, fica com o PIB dos Estados Unidos referente ao quarto trimestre de 2016, que será divulgado às 11h30. Estimativas colhidas pela Bloomberg apontam para altas de 1,8% a 3,3%, com mediana de 2,2%. Se o resultado vier no intervalo previsto, representará uma desaceleração ante o avanço de 3,5% registrado no terceiro trimestre. No mesmo horário, serão revelados os pedidos de bens duráveis nos EUA relativos a dezembro. Às 13h, será a vez da divulgação do sentimento de Michigan de janeiro.

Hoje, o ministro da Fazenda Henrique Meirelles se reúne com presidente da CVM, Leonardo Pereira, às 10h. Já o presidente do BC Ilan Goldfajn tem reunião com Arlindo Vergaças, diretor-executivo da JGP Gestão, à tarde no BC em São Paulo.

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Entrevista especial
Nesta sexta-feira, o InfoMoney traz uma entrevista exclusiva com o deputado Jovair Arantes (GO), líder do PTB na Câmara e principal nome do “centrão” para as eleições na casa. Após a perda de apoio de bancadas importantes como PSD e PRB, o experiente deputado luta contra o tempo para manter a viabilidade de sua candidatura contra a recondução de Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Em respostas enviadas por e-mail, Jovair Arantes disse apostar na individualidade dos parlamentares e em seu histórico “sem inimigos” para virar o jogo nessa disputa. Se eleito presidente da Câmara, o deputado promete mudanças, dentre elas medidas para garantir maior protagonismo à casa, oferecendo maior espaço para projetos de autoria dos próprios parlamentares.

Noticiário político
O mercado segue de olho na proximidade da homologação do acordo de delação premiada da Odebrecht. Segundo o STF, a conclusão da homologação da Odebrecht está mais próxima. Cármen Lúcia, presidente do STF, trabalhará até no fim de semana, disse a assessoria do Supremo Tribunal Federal a jornalistas em Brasília. Cármen Lúcia continua conversando com ministros e segue caminho para decisão sobre homologação. Ela só pode homologar sozinha até 31 de janeiro. Os juízes auxiliares de Teori estão trabalhando no mesmo ritmo que estavam antes, afirmou a assessoria, ressaltando que eles estão em contato com Cármen Lúcia a todo momento. A relatoria da Lava Jato deve estar definida até a próxima quarta-feira e Cármen Lúcia está buscando construir a unanimidade dos ministros pelo relator.

Ainda no noticiário político, o jornal O Estado de S. Paulo informa que acuado pela força-tarefa da Lava Jato e seus desdobramentos – Calicute e Eficiência, esta última deflagrada na véspera para prender o empresário Eike Batista -, o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) estuda fazer delação premiada. 

Noticiário corporativo
Em destaque no noticiário corporativo, está a redução do preço do diesel nas refinarias em 5,1%, em média, e da gasolina em 1,4%, em média pela Petrobras, anunciada na noite da véspera. “Os ajustes contínuos nos preços dos combustíveis reforçam o compromisso da Petrobras com sua política. Não esperamos que as mudanças mensais nos preços sejam um grande driver para o desempenho das ações, uma vez que já são esperadas pelo mercado”, aponta o Itaú BBA. Já as empresas CCX, OSX e MMX disseram, em comunicados separados, que investigam possíveis efeitos do mandato de prisão e bloqueio de bens de Eike Batista. Já a Cielo informou que Marcelo Augusto Dutra Labuto foi eleito presidente do conselho, após Raul Francisco Moreira renunciar ao cargo. O setor de bancos e cartões também deve repercutir o anúncio da CMN de norma definindo prazo máximo de 30 dias para uso do rotativo do cartão de crédito. Segundo o documento, o saldo devedor não liquidado integralmente no vencimento da fatura do cartão só poderá ser financiada pelo rotativo até o vencimento da fatura seguinte.

(Com Bloomberg, Reuters e Agência Estado)

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Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura.

Marcos Mortari

Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.