Ibovespa Futuro segue petróleo e abre em alta, em semana chave para política e mercado

Contratos futuros do índice sinalizam sessão de apetite a riscos pelos investidores, apesar de importantes drivers ainda serem desconhecidos

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SÃO PAULO – Após uma semana positiva para o mercado acionário nacional, o Ibovespa Futuro iniciou a segunda-feira (3) sinalizando sessão positiva. Às 9h25 (horário de Brasília), os contratos futuros do índice com vencimento em abril operavam em alta de 0,21%, a 65.255 pontos. A semana é marcada por uma série de indicadores aos investidores. No cenário doméstico, as atenções se voltam para os números do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), além do início do julgamento que pode cassar a chapa Dilma-Temer no TSE e as expectativas por uma possível quebra de sigilo nas delações contra políticos pela Operação Lava Jato. [Clique aqui para ver mais cotações do mercado futuro].

No mesmo horário, os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2018 operavam estáveis, a 9,885%, ao passo que os DIs com vencimento em janeiro de 2021, a 9,89%. Já os contratos de dólar futuro com vencimento em maio deste ano recuavam 0,29%, sinalizando cotação de R$ 3,150.

Veja ao que se atentar no pregão desta segunda e da semana:

Bolsas mundiais

O segundo trimestre começa com leve alta para os mercados mundiais, com os investidores na expectativa pelos dados econômicos dos EUA. No cenário americano, serão divulgados hoje os dados de construção e de indústria, às 11h. No continente europeu, atenção para o PMI da zona do euro: o índice de gerentes de compras final subiu para 56,2 em março, o maior nível desde abril de 2011, acima de 55,4 observado em fevereiro. O resultado ficou em linha com as expectativas e muito acima da marca de 50 que separa o crescimento da contração.

Na Ásia, os mercados registram leve alta: vale destacar que os mercados chineses estão fechados até amanhã por conta de um feriado. Os investidores ficam na expectativa do encontro em Xi Jinping e Donald Trump e ainda repercutem a fala do presidente dos EUA O presidente dos EUA. Trump disse ao Financial Times no domingo que os EUA tomarão medidas unilaterais para eliminar as ameaças nucleares da Coreia do Norte, a menos que a China, um dos aliados mais próximos da Coreia do Norte, intensifique a pressão sobre Pyongyang. As ações de emergentes avançam e o Stoxx 600 europeu tem a 5ª alta consecutiva com o petróleo se mantendo acima de US$ 50 o barril pelo 3º dia

Este era o desempenho dos principais índices:

*FTSE 100 (Reino Unido) +0,05%

*CAC-40 (França) -0,27%

*DAX (Alemanha) +0,16%

*Hang Seng (Hong Kong) +0,62% (fechado)

*Nikkei (Japão) x+0,39% (fechado)

*Petróleo brent +0,07%, a US$ 53,59  o barril

*Petróleo WTI +0,22%, a US$ 50,71  o barril

*Minério de ferro negociado com 62% de pureza no porto chinês de Qingdao -1,28%, a US$ 79,36 a tonelada

Agenda

O destaque doméstico é a inflação oficial de março medida pelo IPCA, na sexta-feira (7), às 9h. Já na segunda-feira (3), às 15h30, sai a balança comercial mensal de março. Na terça (4), às 11h30, o Tesouro realiza leilão tradicional de NTN-B. Na quarta-feira (5), serão conhecidos os PMIs de Serviços e Composto, às 10h30. Na quinta-feira (6), às 11h30, o Tesouro faz outro leilão, desta vez de LTN e LFT. 

No exterior, destaques para a ata da última reunião do Fomc, na quarta-feira, às 15h, e para as falas de presidentes regionais do Fed ao longo da semana: na segunda-feira, William Dudley (Nova Iorque) , às 11h30, Patrick Harker (Filadélfia), às 16h, e Jeffrey Lacker (Richmond), às 18h; na terça feira, o diretor Daniel Tarullo, às 17h30; e na quinta-feira, John Williams (São Francisco), às 10h30. Também podem trazer pistas sobre o futuro do ciclo de aperto monetário do Fed o payroll, na quarta-feira às 9h15, e os pedidos de auxílio-desemprego na quinta-feira, às 9h30. Ainda nesta semana, o presidente dos EUA Donald Trump irá se encontrar com o presidente chinês Xi Jinping na quinta e sexta-feira. 

Veja a agenda completa de indicadores clicando aqui

Na Europa, destaque para a ata do BCE, na quinta-feira, às 8h30, para a taxa de desemprego e inflação medida pelo PPI da zona do euro, ambos nesta segunda-feira, às 6h, e para os PMIs de Serviços e Composto da região, na quarta-feira, às 5h. Na quinta-feira, às 22h45, também serão conhecidos os PMIs de Serviços e Composto da China.

Política

A principal preocupação do Palácio do Planalto na semana é o processo no TSE que pede a cassação da chapa Dilma-Temer. O julgamento está previso para começar na terça-feira e poderia terminar já na quinta-feira, mas um dos ministros da Corte Eleitoral já sinalizou que deve pedir vistas do processo, o que adia o julgamento por tempo indeterminado.

 A crescente tensão política em Brasília também disputa a atenção dos investidores. É esperado que o ministro Edon Fachin, relator da Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), decida a partir desta semana sobre a suspensão do sigilo das delações dos 78 executivos e ex-funcionários da Odebrecht, o que pode acirrar ainda mais os ânimos no Congresso e concentrar as atenções dos parlamentares na reforma política — de olho nas eleições de 2018 — e não na reforma da Previdência, tida como prioritária pelo mercado. 

Ainda sobre o ajuste fiscal, ficou para esta semana a votação do projeto que renegocia a dívida dos Estados e mantém as contrapartidas propostas pela equipe econômica.

Por fim, no noticiário político, atenção para a repercussão da matéria de capa da última edição da revista Veja, que cita delação de Benedicto Junior, da Odebrecht, que afirma que o senador Aécio Neves (PSDB-MG), da base aliada de Temer, teria recebido propina em Nova York, o que é contestado pelo senador. Ele pede acesso à delação (veja mais aqui). Ainda sobre o PSDB, o noticiário fica de olho em 2018, com o nome de João Doria ganhando forças dentro da legenda (confira mais clicando aqui). 

Reforma da Previdência e agenda

Na última sexta-feira, o presidente Michel Temer sancionou o projeto de lei aprovado na Câmara dos Deputados que regulamenta a terceirização de atividades nas empresas públicas e privadas. O texto original do projeto de lei de 1998 permite a uma empresa terceirizar todas as suas atividades, inclusive o seu negócio principal.

Na agenda desta segunda-feira, o presidente recebe o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, e o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira, 9h30, tem reunião com governadores do PR, GO, MT e senadores, 10h00, recebe ministro do Turismo, Marx Beltrão, 11h30, viaja a SP onde participa de encerramento do Conselho Empresarial Brasil-Suécia, com a presença do Rei Carlos XVI Gustavo da Suécia e da Rainha Sílvia, seguido de jantar, às 19h30. Já o ministro da Fazenda Henrique Meirelles tem reunião com diretor de Operações do Banco Japonês Cooperação Internacional, Nobumitsu Hayashi, 10h00, reunião com a vice-presidente da PIMCO, Lupin Rahman, 16h00.  

Já o presidente do Banco Central Ilan Goldfajn palestra no 2º Encontro Ouvidoria de Bancos, promovido pelo BC e pela Febraban, no Hotel InterContinental, em São Paulo, 9h, depois se reúne com executivos da Ashmore Investment Management e com executivos do Morgan Stanley.

Ainda no noticiário político do início desta semana, vale destacar o novo atrito entre o governo e o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Segundo o Estadão, Temer se cansou das críticas do líder do PMDB no Senado e reagiu:e m edição extra do Diário Oficial da União, nesta sexta-feira à noite, Temer nomeou Leonardo Henrique de Cavalcante Carvalho para o Tribunal Regional Federal (TRF) da 5.ª Região. Carvalho foi indicado para o cargo pelo presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE). O candidato de Renan era Luciano Guimarães Mata. Após crítica na semana passada, Renan voltou à carga contra o governo no domingo, classificando o governo de errático:  o parlamentar alagoano afirmou que “quem não ouve erra sozinho”. 

Noticiário corporativo

O noticiário corporativo desta segunda-feira é bastante movimentado. Em destaque,  a Justiça Federal de Brasília determinou na sexta-feira o afastamento de Joesley Batista do conselho de administração da produtora de celulose Eldorado Brasil, e o bloqueio das ações da empresa em poder da holding de investimentos J&F, do empresário. O presidente da Eldorado entrou com recurso para permanecer no posto. Já a Petrobras decidiu na sexta manter os preços do diesel e da gasolina nas refinarias, seguindo a política de preços anunciada em outubro de 2016. Além disso, uma má notícia para a empresa: a ANP multou o consórcio de Lula liderado pela Petrobras em R$ 2,6 bilhões por divergência sobre royalties.

O noticiário sobre a Oi também é movimentado. O segundo maior acionista da operadora, Nelson Tanure, afirmou que pedir intervenção na companhia é intelectualmente desonesto, afirmando que grupos insatisfeitos com o plano de reestruturação da empresa estão pressionando o governo a intervir, embora o processo de recuperação judicial esteja
seguindo seu curso e as operações não tenham sido afetadas. Contudo, ele não disse quem ele suspeita que venha pressionando o governo, segundo informações da Bloomberg. Por fim, destaque para as recomendações: a BM&FBovespa, agora B3, foi elevada de neutra para compra pelo Goldman Sachs.

(Com Reuters, Bloomberg e Agência Estado)

O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura.

Marcos Mortari

Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.