Resumo do mercado

Ibovespa Futuro segue exterior e cai com aumento de tensão entre China e EUA

A Huawei é acusada de roubo de propriedade intelectual pelo governo norte-americano e faz investidores deixarem de lado os fortes resultados trimestrais que vêm sendo divulgados por lá  

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SÃO PAULO – Tensão entre China e Estados Unidos gera cautela nas bolsas mundiais e pressionam os negócios por aqui, em meio a ausência de informações concretas sobre a reforma da Previdência. 

A Huawei é acusada de roubo de propriedade intelectual pelo governo norte-americano e faz investidores deixarem de lado os fortes resultados trimestrais que vêm sendo divulgados por lá. 

Neste contexto, às 9h08 (horário de Brasília), o Ibovespa futuro caía 0,33%, aos 94.480 pontos. O contrato de dólar futuro com vencimento em fevereiro de 2019 tinha queda de 0,05%, cotado a R$ 3,736, e o dólar comercial recuava 0,01%, para R$ 3,734. 

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Na Europa, a primeira-ministra britânica venceu uma partida ao se manter no cargo após votação apertada ontem, mas ainda está longe de ganhar o jogo e o relógio corre contra o tempo para a data limite para a saída do Reino Unido da União Europeia. 

Por aqui, a equipe econômica segue focada em entregar um esboço da reforma da Previdência ainda nesta semana enquanto negocia com militares o formato de aposentadoria da classe.

O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura

Bolsas mundiais

Os índices das bolsas asiáticas encerraram em queda diante de preocupações com a desaceleração da economia chinesa a despeito dos esforços do banco central do país para estimular o crescimento. A nova tentativa é o plano da China de lançar fundos de índices atrelados a bônus, como parte de esforços para atrair mais investidores estrangeiros.

No radar ainda estão novidades sobre a guerra comercial. O vice-primeiro-ministro da China, Liu He, irá visitar os Estados Unidos nos dias 30 e 31 de janeiro para uma nova rodada de discussões com o objetivo de superar divergências comerciais entre as duas maiores economia do mundo.

Na semana passada, negociadores americanos e chineses de médio escalão se reuniram por três dias em Pequim e conversaram sobre uma série de questões, incluindo a ampliação de compras de produtos dos Estados Unidos pela China, maior abertura dos mercados chineses para empresas americanas, reforço da proteção à propriedade intelectual americana e cortes nos subsídios de Pequim a empresas domésticas.

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Ao mesmo tempo, crescem as tensões entre China e Estados Unidos com a Huawei no alvo de investigação por autoridades federais em Seattle sobre suposto roubo de segredo comercial de empresas norte-americanas.

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As bolsas europeias também operam em queda em meio a resultados trimestrais abaixo do esperado e à espera de solução para o Brexit. A primeira-ministra britânica Theresa May sobreviveu a uma moção de desconfiança apresentada pelo Partido Trabalhista em uma votação apertada, de 325 contra 306. Agora, ela tem até segunda-feira (21) para apresentar nova proposta para a saída do Reino Unido da União Europeia e considera pedir um adiamento do Brexit, previsto para 29 de março. 

O clima de cautela é seguido pelos índices futuros em Wall Street, que também operam em queda. Na última noite, o presidente da unidade de Minneapolis do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Neel Kashkari, disse que, em caso de uma crise econômica, a instituição tem menos espaço hoje para cortar juros do que tinha há 10 anos, no auge da crise financeira.

“Não me oponho a aumentar as taxas para sempre, mas quero ver evidências de que a economia dos EUA está em potência máxima”, disse Kashkari. Segundo ele, quando as evidências sustentarem o aumento das taxas, ele apoiará o aperto monetário. Kashkari também argumentou que se a inflação permanecer baixa apesar de um forte mercado de trabalho, o Fed pode adiar o aumento do custo de empréstimos de curto prazo.

O governo norte-americano segue parcialmente paralisado, com o maior shutdown da história entrando em seu 27º dia. De acordo com a Bloomberg, a Câmara dos Deputados dos EUA, aprovou uma série de projetos de lei para acabar com a paralisação parcial do governo, com pouco apoio republicano. As medidas fornecerão US$12,1 bilhões em ajuda humanitária, reabrirão os nove departamentos federais fechados e dezenas de agências até o dia 8 de fevereiro, mas não inclui o financiamento para o muro da fronteira com o México, exigido por Trump.

O Senado, que é controlado pelos republicanos, não votou em nenhuma legislação para acabar com a paralisação, e o líder Mitch McConnell diz que não votará sem o apoio de Trump.

No mercado de commodities, a produção recorde de petróleo dos Estados Unidos faz pressão sobre os preços, que recuam em meio a preocupações com o enfraquecimento da demanda. 

InfoMoney/Um Brasil sobre governo Bolsonaro

O programa InfoMoney/Um Brasil desta semana entrevista José Eduardo Faria, professor titular do Departamento de Filosofia e Teoria Geral do Direito, da Faculdade de Direito da USP.

Na pauta, os primeiros passos e escorregões do governo de Jair Bolsonaro em duas semanas de mandato, as perspectivas para a governabilidade na nova gestão e o futuro das relações entre os Executivo, Legislativo e Judiciário após o resultado das urnas e turbulências institucionais recentes. A entrevista será transmitida ao vivo, a partir das 17h (horário de Brasília), pela InfoMoneyTV.

Agenda econômica

Na cena doméstica, o destaque fica para o IBC-Br (Índice de Atividade do Banco Central), considerado uma prévia do PIB, que teve alta de 0,29% em novembro ante outubro, acima da estimativa mediana da Bloomberg de avanço de 0,16%. No ano, o crescimento foi de 1,38% e em 12 meses foi de 1,44%.

No Estados Unidos, às 11h30 serão conhecidos os números dos pedidos de seguro-desemprego da semana. A estimativa mediana da Bloomberg é que 220 mil solicitações tenham sido feitas até o dia 12 de janeiro. 

Clique aqui para conferir a agenda completa de indicadores.

Noticiário político 

Com pouco mais de duas semanas de existência, o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) é avaliado como ótimo ou bom por 40% dos brasileiros, ao passo que 20% o classificam como ruim ou péssimo. É o que mostra pesquisa XP/Ipespe, realizada entre os dias 9 e 11 de janeiro.

O olhar positivo sobre o governo Bolsonaro é mais uma evidência de que existe um período de lua de mel para novos presidentes e contrasta com o mau humor mantido pelos eleitores ao longo do mandato do ex-presidente Michel Temer (MDB). Veja a pesquisa completa aqui

No noticiário do dia, o secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues Junior, disse que a estratégia do governo é enviar a proposta de reforma da Previdência logo no início do mandato do presidente Jair Bolsonaro para elevar as chances de aprovação. “Este é o momento em que o governo tem fôlego político para apresentar medidas de alto impacto. Exatamente é essa a proposição, e é essa a estratégia”, afirmou o secretário.

Ainda nas discussões sobre a reforma da Previdência, uma das propostas que surgiram é a de criar um sistema de pontos para quem está próximo de se aposentar, segundo fonte ouvida pelo jornal Valor Econômico. A alternativa, contudo, encontra resistência em setores do governo, porque misturaria conceitos diferentes do núcleo da proposta de reforma em gestação.

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Outra proposta é impor um limite para o acúmulo de aposentadoria e pensão, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. Um terço dos pensionistas, ou 2,4 milhões de pessoas, acumula o benefício com a aposentadoria e o custo é de R$ 64 bilhões por ano.

Enquanto isso, os militares intensificam lobby para ficar fora da reforma da Previdência. Em conversa com o jornal Folha de S. Paulo, o comandante do Exército, Edson Pujol, disse que, por causa das particularidades da carreira, os militares deveriam ser poupados da reforma.

Entre as medidas que podem afetar seus integrantes estão em estudo o aumento do tempo de serviço mínimo, de 30 para 35 anos, e o recolhimento da contribuição de 11% sobre as pensões das viúvas dos militares.

A equipe política, liderada pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, defende no geral uma versão mais branda e está mais aberta à exclusão dos militares do texto, informa a Folha. Assessores palacianos dizem que caberá a Bolsonaro, que é capitão reformado do Exército, arbitrar.

Noticiário corporativo

>> A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) liberou nesta quarta-feira a U-200 (Unidade de Destilação Atmosférica) da Refinaria de Paulínia (Replan), uma das três unidades que foram atingidas pelo acidente ocorrido na refinaria em agosto de 2018. Em nota, a agência diz que a Petrobras atendeu a todas as exigências feitas pelo órgão. “Dessa forma, a refinaria volta a ter sua capacidade plena de processamento”, informa a ANP.

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro João Otávio de Noronha, derrubou ontem uma decisão da Justiça Federal que impediu a venda da Transportadora Associada de Gás (TAG), empresa subsidiária da Petrobras. A decisão liminar foi tomada a partir de um pedido feito pela Advocacia-Geral da União (AGU).

>> A Cosan está lançando um aplicativo semelhante ao Alipay, amplamente utilizado na China, para pagamentos e transferências de dinheiro pelo smartphone. A aposta pode significar uma economia de milhões de reais em tarifas bancárias para as empresas do grupo e, de quebra, colocar a gigante do açúcar e álcool no mercado de fintechs no Brasil.

O objetivo inicial é eliminar a necessidade de cartões de crédito e de maquininhas para cartão em alguns dos 6.300 postos de gasolina que possui em uma sociedade com a Royal Dutch Shell. Com o tempo, a empresa quer construir um ecossistema mais amplo de usuários e empresas na plataforma.

>> O Itaú BBA revisou o preço-justo para o Banco do Brasil de R$ 48 para R$ 56 por ação para 2019, impulsionado principalmente por um menor custo de capital. Os analistas reiteraram recomendação outperform para as ações ao avaliarem que, apesar do forte desempenho recente, o valuation ainda relativamente barato.

>> Siderúrgicas: Os países da União Europeia decidiram ontem impor novas barreiras contra o aço brasileiro e de outros países, em linha com o que já fez o presidente norte-americano Donald Trump. Todas as importações de aço ficarão sujeitas a uma cota até julho de 2021. O volume que ultrapassar o teto será taxado em 25%. Os países da União Europeia respondem por 18% das exportações brasileiras de aço.

>> A nova gestão da Copel vai se concentrar em resgatar o “DNA” da companhia, com foco nas atividades de geração, transmissão e distribuição. Uma eventual privatização não está nos planos do governo, disse ao Valor  Econômico o novo presidente da companhia, Daniel Pimentel Slaviero. 

>> A nova empresa a ser criada a partir da compra da linha de aviação comercial da Embraer pela Boeing deverá empregar cerca de 9.000 pessoas no Brasil, segundo o jornal Folha de S. Paulo. 

A Embraer teve o seu ADR (American Depositary Receipt) rebaixado para equalweight (exposição em linha com a média do mercado) pelo Morgan Stanley, com o preço-alvo sendo reduzido de US$ 24,50 para US$ 23,70. 

Na véspera, a fabricante de aviões reduziu sua projeção de lucro operacional de 2018 para US$ 200 milhões, ante estimativa anterior de lucro na faixa de US$ 270 milhões a US$ 355 milhões. A empresa também revisou a estimativa para o ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) e para as margens ebitda e operacional.

Segundo a empresa, as mudanças decorrem de menor alavancagem operacional em função do menor volume de entregas na aviação executiva e uma redução nas receitas do segmento de defesa e segurança.

>> A Avianca Brasil anunciou que cortará seus voos internacionais mais importantes e devolver duas aeronaves A330 a empresas de arrendamento. A partir de 31 de março, a companhia encerra seus voos diários que partem de Guarulhos para Santiago, Nova York e Miami. 

>> A Localiza informou que avalia a possibilidade de oferta primária de ações. A companhia diz que “engajou assessores e está atualmente avaliando a possibilidade da realização de uma oferta pública de distribuição primária de ações”.

>> A Even divulgou prévia operacional do quarto trimestre de 2018, apresentando vendas líquidas de R$ 333 milhões (parte Even) no período, sendo R$ 190 milhões referentes a vendas dos lançamentos do trimestre. No mesmo trimestre de 2017, as vendas foram de R$ 273 milhões.

>> Com uma forte queda de quase 40% após o decreto assinado por Jair Bolsonaro de flexibilização da posse de armas, a Taurus tem se manifestado nos bastidores sobre a medida do novo governo, segundo informa a Coluna do Broad, do jornal O Estado de S. Paulo. 

De acordo com a publicação, o presidente da Taurus, Salesio Nuhs, deu a entender que estava insatisfeito com a medida. Ele avalia que não há muitos atrativos em fabricar armas no Brasil e que pesam, sobretudo, questões regulatórias e tributárias. Por isso, diz que o ideal seria produzir no exterior e exportar para o Brasil, já que importadores não têm de passar por processos de homologação, que levam em média três anos entre a construção do protótipo e o lançamento. Além disso, não há a mesma carga tributária. 

>> O Itaú BBA atualizou as estimativas para a Oi de olho nas novas premissas macro e os resultados mais recentes da companhia telefônica. Os analistas mantiveram recomendação outperform e rolaram o preço-alvo para 2019 para os papéis OIBR3 para R$ 2, ante R$ 4 em 2018. 

>> O Bradesco BBI iniciou a cobertura para o setor de educação, apontando a Estácio (ESTC3) como a top pick, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 40, o que configura um potencial de valorização de 38% em relação ao fechamento da última quarta-feira. Os analistas avaliam que a Estácio está mais bem preparada para enfrentar os desafios de curto e médio prazos, enquanto continua a usar os seus ganhos de eficiência para ofuscar a menor base de estudantes pelo FIES. 

Também entre os papéis com recomendação outperform, estão Anima (ANIM3), com preço-alvo de R$ 23 e Ser Educacional (SEER3), com preço-alvo de R$ 25. A recomendação para a Kroton (KROT3) é neutra, com preço-alvo de R$ 11. 

(Com Bloomberg, Agência Estado e Agência Brasil)