Ibovespa Futuro segue euforia com China e disparada das commodities, e abre em alta

Contratos futuros do índice sinalizam sessão positiva e alta acumulada na semana

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SÃO PAULO – Após uma sessão de leve alta para o principal índice do mercado acionário brasileiro na véspera, a sexta-feira (10) começa com o Ibovespa Futuro sinalizando maior apetite por parte dos investidores. Às 9h03 (horário de Brasília), os contratos futuros do índice com vencimento em fevereiro operavam em alta de 0,62%, a 65.350, acompanhando o movimento de euforia visto no exterior. [Clique aqui para ver mais cotações do mercado futuro]

No radar, destaque para os ganhos registrados nas principais bolsas internacionais, em meio aos dados comerciais da China melhores do que o esperado, que impulsionaram as commodities. Nos Estados Unidos, as expectativas são por anúncio sobre impostos. Já na agenda doméstico, as atenções se voltam à possível decisão do ministro do STF Celso de Mello sobre a nomeação de Moreira Franco como ministro do governo Michel Temer, além da repercussão da temporada de balanços corporativos.

No mesmo horário, os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2021 recuavam 2 pontos-base, a 10,29%, ao passo que os contratos de dólar futuro com vencimento em março deste ano caíam 0,29%, sinalizando cotação de R$ 3,135.

Confira ao que se atentar neste pregão:

Bolsas mundiais

A sexta-feira é de forte ânimo para as bolsas mundiais, assim como para as commodities, por três motivos em especial: a promessa do presidente Donald Trump de divulgar um plano “fenomenal” para impostos para negócios em duas ou três semanas; as exportações e importações na China superarem as estimativas; e os dados da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) mostrarem o cumprimento da promessa de corte de produção. 

A China apresentou dados comerciais melhores do que o esperado para janeiro, em um início encorajador para 2017, mesmo que os exportadores asiáticos estejam se preparando para um aumento do protecionismo por parte dos Estados Unidos. As exportações em janeiro avançaram 7,9% sobre o ano anterior já que a demanda global aumentou, enquanto as importações cresceram 16,7% devido ao melhor apetite por carvão, petróleo e minério de ferro. Isso deixou o país com um superávit comercial inicial de US$ 51,35 bilhões para o mês e impulsionou as commodities, com destaque para o contrato de minério de ferro negociado em Qingdao, que saltou 7%.

Na Europa, as ações da Anglo American (+3,59%), Rio Tinto (+2,59%) e Glencore (+2,31%) registram expressivos ganhos. Em meio à queda do iene, o índice Nikkei fechou em uma expressiva alta. Já o petróleo segue com ganhos, com o  cumprimento de 90% dos cortes prometidos na produção de petróleo da OPEP. 

Este era o desempenho dos principais índices:

* FTSE 100 (Reino Unido) +0,30%

* CAC-40 (França) +0,11%

* DAX (Alemanha) +0,31%

* Xangai (China) +0,44% (fechado)

* Hang Seng (Hong Kong) +0,21% (fechado)

* Nikkei (Japão) +2,49% (fechado)

* Petróleo brent +1,20%, a US$ 56,30 o barril

* Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dailian +7%, a 688 iuanes

 Agenda internacional

Sem indicadores de destaque na agenda doméstica, os investidores monitoram três dados dos Estados Unidos: a confiança do consumidor, às 13h, o indicador de perfuração de poços, às 16h, e o resultado fiscal de janeiro, às 17h. No sábado, o diretor do Fed Stanley Fischer discursa às, 10h40 (horário de Brasília).

Além da expectativa pela fala de Trump sobre impostos, vale destacar o tom da primeira ligação que o presidente americano fez ao seu homólogo chinês, Xi Jinping. Ele baixou o tom e afirmou que os EUA vão honrar com a política de “uma só China”. Ainda nos EUA, a Corte Federal de Apelação dos Estados Unidos rejeitou de forma unânime o pedido do presidente para restabelecer o veto à entrada em território norte-americano de refugiados e cidadãos de sete nações muçulmanas. A medida significa, na prática, uma derrota para o presidente Trump, que tinha estabelecido o veto imigratório como um dos pontos mais relevantes de seu governo.

Comissões na Câmara e Moreira no STF

O mercado reage ao início da tramitação das reformas estruturais no Congresso. Nesta quinta-feira (9), a Câmara dos Deputados instalou duas comissões que vão analisar propostas para as reformas previdenciária e trabalhista. Para presidir os trabalhos sobre alterações na Previdência, foi eleito o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), indicado pela bancada do PMDB e dos principais aliados do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que hoje está preso por envolvimento na Operação Lava Jato. Na comissão que analisará alterações nas relações entre empregadores e empregados, o deputado Daniel Vilela (PMDB-GO) foi eleito presidente e Rogério Marinho (PSDB-RN), relator.

Foi instalada também a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), que irá sabatinar o indicado de Michel Temer à vaga de Teori Zavascki no STF (Supremo Tribunal Federal). Edison Lobão (PMDB-MA), alvo de dois inquéritos na Operação Lava Jato, será o presidente. Dos 13 integrantes, dez, incluindo Lobão, são citados nos inquéritos da investigação.

No STF, o ministro Celso de Mello decidiu ontem pedir informações ao presidente da República, Michel Temer, sobre a nomeação do ministro Moreira Franco para a Secretaria-Geral da Presidência da República. Temer terá 24 horas para se manifestar. Após receber as informações, o ministro deverá decidir sobre os dois mandados de segurança nos quais a Rede Sustentabilidade e o PSOL questionaram o ato de nomeação. A decisão de Celso de Mello deve colocar fim à guerra de liminares na Justiça contra a nomeação. Na manhã de quinta, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, sediado em Brasília, derrubou decisão proferida pela primeira instância, que anulou a nomeação. Horas depois, uma nova decisão, proferida pela Justiça do Rio, voltou a cancelar a posse.

Por fim,  o Estadão informa que o Planalto recebeu dados de pesquisa do Ibope apontando que a aprovação do governo subiu de 24%, em dezembro, para 28% em fevereiro. A desaprovação foi de 62% em fevereiro, dois pontos porcentuais menor que na pesquisa anterior. 

 Inflação em queda, juros em queda?

A inflação em desaceleração está fazendo analistas de mercado e o governo revisarem suas estimativas. Vale destacar a notícia do Valor de que o CMN de junho deve cortar meta de inflação de 4,5% para 4,25% em 2019. A sinalização ajudaria a consolidar um patamar de inflação mais baixo sem que o BC tenha que recorrer a uma política monetária contracionista, afirma a publicação. A discussão mais técnica sobre o futuro da meta ainda não está ocorrendo na Fazenda ou no BC, mas autoridades envolvidas na decisão já começaram a pensar no assunto. 

Mais no curto prazo, muitos estão acreditando em um corte mais agressivo de juros pelo governo. Em entrevista ao Estadão, o líder do governo no Congresso, senador Romero Jucá (PMDB-RR) defendeu queda de um ponto porcentual da Selic (taxa básica de juros) na próxima reunião do Copom, que se encerra dia 22 de fevereiro. Vale destacar que a consultoria americana Pantheon Macroeconomics reduziu a projeção da Selic para o fim deste ano abaixo dos 9% (veja mais clicando aqui).   

Noticiário corporativo

Em destaque no noticiário corporativo, está o resultado da Lojas Renner. A varejista teve lucro líquido de R$ 299,8 milhões no 4º trimestre de 2016, alta de 19% em relação ao mesmo período de 2015. O número superou as estimativas do mercado, cuja mediana apontava para R$ 280 milhões, segundo compilação da Bloomberg. A receita operacional líquida ficou em linha com o esperado (R$ 2,11 bilhões) e as vendas mesmas lojas voltaram a cair (-0,8%), mas o Ebitda mostrou crescimento de 16%, chegando a R$ 567,7 milhões – bem acima dos R$ 521,4 milhões esperados.  

Já o Banco do Brasil e o Previ acertaram a venda de toda a participação de 34,93% na Kepler Weber para a norte-americana AGCO do Brasil por R$ 22,00 cada ação. Já a Petrobras informou que os detentores de US$ 5,58 bilhões em títulos aceitaram a oferta de recompra Desse montante, US$ 5,56 bi em volume equivalente foram aceitos para recompra no dia 25/janeiro de 2017, informou a companhia. Vale destacar ainda a notícia do jornal O Estado de S. Paulo de que o controle da Usina de Belo Monte foi colocado à venda por R$ 10 bilhões. O que está à venda é a participação de 50,02% na Norte Energia detida por Neoenergia, Cemig, Light, Vale, Sinobras, J. Malucelli, Petros e Funcef, diz o jornal. Por fim,  Hermes Pardini e Unidas definem preço de ações para ofertas públicas nesta sexta; os papéis começam a ser negociados em 14 de fevereiro. 

(com Agência Brasil, Bloomberg e Reuters)

O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura.


Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.