Pré-mercado

Ibovespa futuro opera estável, em dia marcado pela cautela, com inflação dos EUA no radar

Índices internacionais operam próximos da estabilidade, com investidores evitando tomar grandes posições

Por  Vitor Azevedo -

O Ibovespa futuro opera em estável no início do pregão desta quinta-feira (31). O contrato com vencimento em junho recua apenas 0,03%, aos 120.870 pontos, às 9h26 (horário de Brasília), em dia marcado por oscilações também nas bolsas internacionais.

Os futuros americanos, mais cedo, chegaram a operar no verde, mas agora operam estáveis. O contrato do Dow Jones para junho cai 0,03%, o do S&P 500, 0,02% e o da Nasdaq opera em leve alta, de 0,29%.

Investidores continuam monitorando a guerra entre a Rússia e Ucrânia, mas, hoje, há destaque também para a publicação de dados macroeconômicos.

“Nos EUA, investidores agora aguardam os dados do PCE (deflator das despesas de consumo pessoal na economia americana) de fevereiro, indicador de aumento de preços mais utilizado como termômetro de inflação pelo Federal Reserve”, comenta a XP Investimentos, em seu morning call.

O principal dado da inflação americana veio sem grandes surpresas – com o índice avançando 0,60% na base mensal, mesmo número visto em janeiro, e com o núcleo subindo 0,40%, também sem acelerar ou desacelerar.

Na Europa, os principais índices caem, também após a publicação de uma série de dados. O DAX, da Alemanha, recua 0,38%. O FTSE, do Reino Unido, cai 0,22%. O CAC 40, da França, está em baixa de 0,48%. O STOXX 600, de toda a zona do Euro, retrocede 0,23%.

No Reino Unido, o índice Nationwide de preços de imóveis de março trouxe crescimento de 14,3% na base anual, ante consenso de 13,5%. Ainda por lá, o PIB do quarto trimestre teve leitura de 1,3%, maior do que  o 1% esperado. Ambas divulgações sugerem que a economias do país está mais aquecida do que o esperado.

Na Alemanha, do outro lado, as vendas no varejo de fevereiro cresceram apenas 0,3% na base mensal, menos do que os 0,5% esperados pelo mercado, e a taxa de desemprego ficou em 5% – em linha com as projeções. Na França, a inflação ao consumidor de fevereiro veio em 1,4%, ante 1,3% do consenso.

Por fim, dados macroeconômicos também pesaram sobre o sentimento dos investidores asiáticos. “Houve surpresa negativa nos dados do PMIs chineses, que por sua vez indicaram uma contração na atividade econômica do país, refletindo suas duras medidas de combate à Covid-19”, explica a XP.

O PMI (Índice de Gerentes de Compras, na sigla em inglês) Industrial da China recuou de 50,2 em fevereiro para 49,5 em março. O resultado veio aquém do consenso de 49,8. Enquanto isso, o PMI Não Industrial da China – mede o sentimento dos negócios nos setores de serviços e construção – despencou de 51,6 em fevereiro para 48,4 em março, muito abaixo do consenso de 50,3.

Os índices de Shanghai, da China continental, e HSI, de Hong Kong, caíram, respectivamente, 0,44% e 1,06%. O Nikkei, do Japão, teve baixa de 0,73%.

O preço da tonelada do minério de ferro, apesar da aparente contração da economia chinesa, avançou 3,34% no porto de Dalian, a US$ 141,42.

Ainda em commodities, o preço do petróleo tem forte recuo nesta quinta – com o barril WTI para maio recuando 5,5%, a US$ 101,86, e o Brent para junho caindo 5,34%, a US$ 107,39. A baixa vem por conta de notícias de que o presidente americano Joe Biden estuda liberar 180 milhões de barris da reserva estratégica americana e de que a Opep+ deve aumentar ligeiramente ritmo de alta na produção de petróleo em 432 mil barris diários.

Ibovespa futuro repercute PNAD contínua

No cenário interno, pesa sobre o Ibovespa futuro a divulgação da taxa de desemprego de fevereiro, medida pela Pnad contínua. A porcentagem de desempregados do país sobre a população total ficou em 11,2%, ante consenso de 11,4%.

Mesmo com o dado trazendo uma recuperação do trabalho maior do que aquilo que era esperado, a curva de juros brasileira cai em bloco – talvez por conta do recuo dos preços do petróleo. O rendimento do DI com vencimento em janeiro de 2023 cai três pontos-base, para 12,75%, e o do DI para janeiro de 2025, 10 pontos, para 11,41%. Na ponta longa, os DIs vincendos em 2027 e em 2029 têm suas taxas recuando, ambas, nove pontos, a 11,24% e 11,40%.

O dólar futuro opera estável, subindo 0,01%, a R$ 4,771. O dólar comercial opera em queda de 0,29%, a R$ 4,773 na compra e a R$ 4,774 na venda.

Análise técnica por Pamela Semezatto, analista de investimentos e especialista em day trader da Clear Corretora

Ibovespa

“Candle da véspera indica baixa volatilidade e sem um sinal forte de compra ou de venda, ainda em região de resistência (a 120 mil pontos) e ainda aguardando por uma correção dessa última alta”.

Dólar

“Passando por um terceiro dia de alta suave, o que caracteriza um movimento de repique, já que não tem força para mostrar deslocamento na compra. Já um candle vendedor, que feche abaixo de mínimas anteriores, seria um bom sinal de retomada para a tendência de baixa”.

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