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Ibovespa Futuro opera entre perdas e ganhos no último pregão de outubro com cautela por conta do coronavírus

Pré-market mostra desempenho errático antes do feriado de Finados

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(Getty Images)
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SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro oscila entre perdas e ganhos nesta sexta-feira (30), último pregão de outubro, em meio a preocupações com o avanço do coronavírus nos Estados Unidos e na Europa. Durante a semana, os EUA não conseguiram encaminhar um novo pacote de estímulos antes das eleições.

Depois das bolsas dos EUA subirem na sessão anterior por expectativas positivas com os resultados das gigantes de tecnologia, os mercados hoje mostram quedas com algumas decepções no setor. Os papéis da Apple recuam 4% no pré-market depois das vendas de iPhone caírem 16%.

No Brasil, o ministro da Economia Paulo Guedes voltou a criticar na quinta-feira a Febraban, representante de bancos brasileiros, desta vez por supostamente financiarem um estudo que daria apoio a “ministro gastador”.

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Às 09h11 (horário de Brasília), o índice futuro para dezembro tinha leve variação negativa de 0,06%, aos 95.680 pontos.

Vale destacar que, na segunda-feira, o mercado brasileiro fechará no feriado de finados na segunda-feira, sem poder reagir a eventuais desdobramentos da Covid-19, que volta a bater recorde nos EUA às vésperas da eleição presidencial da próxima semana.

O dólar futuro com vencimento em novembro registrava queda de 0,18%, a R$ 5,769.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 cai três pontos-base a 3,45%, o DI para janeiro de 2023 tem queda de três pontos-base a 5,01%, o DI para janeiro de 2025 recua três pontos-base a 6,75% e o DI para janeiro de 2027 registra variação negativa de dois pontos-base a 7,54%.

Hoje foram divulgados dados de crescimento de 18,2% na economia da França no terceiro trimestre, após uma queda de 13,2% no segundo trimestre. Por outro lado, o governo francês reduziu suas previsões para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2020, assimilando as novas restrições para lidar com a propagação do coronavírus.

Queda de vendas

O jornal o Estado de S. Paulo estampa como manchete de capa a queda de até 10% nas vendas das redes de atacarejos nas últimas semanas. Citando o diretor de mercado da Apas (Associação Paulista de Supermercado), o jornal afirma que as vendas dos supermercados também têm caído.

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De acordo com a reportagem, o movimento se deve à disparada na inflação dos alimentos. Em outubro, a prévia da inflação, medida pelo IPCA-15, atingiu 0,94%, mais do que o dobro da inflação registrada em setembro e a maior alta para o mês em 25 anos. O destaque é para a carne bovina, que teve alta de 4,83%, o óleo de soja, com alta de 22,34% e o arroz, com alta de 18,48%.

Ao lado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em sua live semanal na quinta-feira, a ministra da Agricultura Tereza Cristina afirmou que novas safras devem reduzir o preço de arroz até janeiro.

Na quarta-feira, o Banco Central decidiu por manter no piso recorde de 2% a taxa de juros Selic, mesmo com a aceleração da inflação. O movimento está em linha com a expectativa de economistas.

Outro fator citado pelo jornal como responsável pela queda nas compras é a redução desde setembro de R$ 600 para R$ 300 o auxílio emergencial. Agora, o governo busca articular com o Congresso formas de criar um novo programa de transferência de renda, em substituição ao auxílio e ao Bolsa Família. O desafio é fazê-lo sem estourar o teto de gastos.

Além disso, o Estadão afirma que o governo vem estudando propor um benefício voltado especificamente a trabalhadores demitidos durante a pandemia da covid-19, mas que não tiveram acesso ao seguro-desemprego ou ao auxílio emergencial.

O benefício seria uma contraproposta à demanda de centrais sindicais pela prorrogação do seguro-desemprego em duas parcelas, o que custaria até R$ 16,7 bilhões. De acordo com o jornal, técnicos da área econômica estimam preliminarmente em 256 mil o número de trabalhadores que perderam o emprego entre 20 de março e 30 de setembro.

Guedes versus bancos

Durante audiência no Congresso na quinta-feira (29), o ministro da Economia Paulo Guedes afirmou que a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) estaria financiando estudos para que “ministro gastador” pudesse enfraquecê-lo.

“A Febraban é uma casa de lobby muito honrada, o lobby é muito justo. Mas tem que estar escrito na testa, ‘obby bancário’, que é para todo mundo entender do que se trata. Inclusive financiando estudos que não tem nada a ver com a atividade de defesa das transações bancárias. É importante dizer isso. Financiando ministro gastador para ver se fura teto, para ver se derruba o outro lado”.

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Guedes não citou nenhum nome específico. Mas no geral, veículos de imprensa interpretaram que ele pareceu fazer uma referência velada ao ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. Enquanto Guedes defende respeito ao teto de gastos, Marinho defende financiar obras públicas e aumentar gasto para impulsionar a recuperação da economia após a pandemia de covid.

Horas após a fala do ministro, o portal UOL publicou uma reportagem em que afirma que teve acesso a cópia do contrato para realização do estudo mencionado por Guedes. Ele seria financiado por Febraban e outras 10 entidades, e deve ser realizado pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), em acordo de cooperação com o Ministério do Desenvolvimento Regional.

O custo é de R$ 20 milhões, e o resultado deve ser um conjunto de propostas para recuperação econômica após a pandemia, e a conclusão deve ser em até dois anos. Ele deve trazer novas propostas de modelos de negócios, com espaço para investimentos públicos e privados e redução de desigualdades.

Ele também criticou os bancos por se oporem à criação de um novo tributo sobre transações digitais, que vem sendo comparado à antiga CPMF. Guedes vem tentando criar um imposto do tipo desde 2019, uma espécie de compensação pela extinção ou redução de contribuição de 20% das empresas sobre a folha de salários à Previdência.

Em meados de outubro, o ministro já havia afirmado que os próprios bancos estariam cobrando uma espécie de tributo do tipo, em referência às tarifas TED e DOC, cobradas sobre transações.

“A Febraban é quem mais subsidia e paga economistas para dar consultoria contra esse imposto, mas a Febraban está fazendo isso porque quer beber essa água que os bancos bebem. Vê aí as transferências que vocês fizeram no mês passado. Os bancos cobram 2%, 1%, 3%. A exceção é grande cliente. Quando ele tem R$ 10 milhões [na conta] ele não paga. O banco cobra 10 vezes mais pela TED do que o imposto que nós estamos querendo pelo tráfego digital”, afirmou.

Radar corporativo

A Suzano Papel e Celulose reportou prejuízo líquido de R$ 1,157 bilhão no terceiro trimestre de 2020. O valor representa queda de 66,54% na comparação com o prejuízo líquido de R$ 3,460 bilhões de igual período do ano anterior. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, 29, em balanço enviado à CVM.

A empresa reportou ainda prejuízo líquido atribuído aos sócios da empresa controladora de R$ 1,160 bilhão. O valor representa queda de 66,47% na comparação com o prejuízo líquido atribuído aos controladores de R$ 3,460 bilhões em igual período do ano anterior.

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A Lojas Americanas registrou lucro líquido consolidado de R$ 49,9 milhões no terceiro trimestre de 2020, um avanço de 3,5% em relação ao mesmo período de 2019. Em 9 meses, a rede de varejo acumula prejuízo de 6,4 milhões, ante lucro de R$ 107,4 milhões no ano passado.

O grupo de comércio eletrônico B2W registrou prejuízo de cerca de R$ 36,8 milhões no terceiro trimestre ante prejuízo de R$ 102,5 milhões no mesmo período de 2019, ou uma queda de 64,1%, com forte crescimento de vendas na esteira de medidas de quarentena contra a Covid-19.

A produtora de software corporativo Totvs teve alta de 3,8% no lucro líquido ajustado, passando para R$ 82,5 milhões no terceiro trimestre de 2020.

A companhia, que tenta comprar a rival Linx (LINX3), viu seu Ebitda ajustado subir 34%, a R$ 161,4 milhões, acima dos R$ 140,8 milhões esperados, em média, por analistas, de acordo com compilação da Refinitiv.

O Fleury teve alta de R$ 132,1 milhões no terceiro trimestre, alta de 45% na comparação anual. A companhia teve melhora dos indicadores financeiros e operacionais no terceiro trimestre, uma vez que a gradual flexibilização do isolamento social permitiu ao grupo de medicina diagnóstica ampliar receitas com consultoria e retomar procedimentos represados durante o pico da Covid-19.

A Transmissão Paulista registrou leve queda de 2,4% do lucro líquido no terceiro trimestre em comparação ao mesmo trimestre do ano passado, totalizando R$ 400,6 milhões.

“O reajuste da Receita Anual Permitida (RAP) para o Ciclo 2020/2021 impactou o resultado em função da contabilização da Parcela de Ajuste (PA)”, destacou.

Já o Itaú informou que Milton Maluhy Filho substituirá Candido Bracher como CEO em fevereiro. Durante os próximos 3 meses, Maluhy e Bracher conduzirão processo de transição.

(Com Reuters e Bloomberg)

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