Pré-mercado

Ibovespa futuro opera em queda, em dia marcado pela aversão ao risco por tensão entre Rússia e Ucrânia

Aumento de tensão no leste europeu faz investidores aumentarem aversão a risco e bolsas mundo afora têm fortes quedas

Por  Vitor Azevedo -

O Ibovespa futuro opera em baixa no inicio das negociações do pré-mercado desta segunda-feira (14), acompanhando as principais bolsas internacionais. O contrato com vencimento em fevereiro recua, às 9h20 (horário de Brasília), 0,36%, aos 113.350 pontos. O dia é marcado por aversão ao risco, com o aumento das tensões entre a Rússia e a Ucrânia.

Nos Estados Unidos, os futuros voltam a cair, após a já forte baixa da sexta-feira, quando a possibilidade de guerra escalou. O futuro do Dow Jones, por volta das 9h10, recua 0,69%, o do S&P 500, 0,79% e o da Nasdaq, 1,03%.

Na Europa, as quedas são ainda mais acentuadas, uma vez que no último pregão da semana passada as principais bolsas do continente já haviam fechado na hora da circulação das notícias mais preocupantes. O DAX, da Alemanha, recua 3,25%, o CAC 40, da França, 3,55%, e o FTSE, de Londres, 1,95%. O STOXX 600, de todo o continente, cai 2,56%. O IMOEX, principal índice da Rússia, tem baixa de 3,34%.

Entre as novas notícias sobre o leste europeu, investidores repercutem o rumor de que a Rússia não pretende participar de uma reunião com a Ucrânia e outros países bálticos. A iniciativa do encontro partiu do ministro do Exterior ucraniano Dmytro Kuleba na noite desse domingo.

Nesta segunda, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro viaja à Rússia para se encontrar com Vladimir Putin, mesmo com diversos conselhos para cancelar a ida. Além dele, o presidente alemão Olaf Scholz também tem viagem marcada para o país, bem como para a Ucrânia, na tentativa de evitar a guerra.

“As tensões geradas pela ação militar da Rússia na fronteira ucraniana estão entrando em uma semana potencialmente decisiva. Jake Sullivan, conselheiro de segurança nacional dos Estados Unidos, disse no domingo que um ataque da Rússia contra a Ucrânia pode começar ‘a qualquer momento'”, comenta a XP Investimentos, eu seu morning call. “Com isso, a volatilidade nos mercados tende a aumentar novamente e os preços do petróleo avançam rapidamente”.

Além da maior aversão ao risco, pesa sobre os índices, justamente, o avanço do preço do petróleo – o barril WTI é negociado pela manhã a US$ 92,95 e o Brent a US$ 94,18, nas máximas em sete anos, ainda que com leve queda nesta manhã.

A alta da commodity deve pressionar ainda mais os índices de inflação e, com isso, também as curvas de juros mundo afora. Na Europa, a tensão com a Rússia fez o preço do gás natural subir mais de 5% – o país de Putin é o maior fornecedor desta commodity para a região.

Por fim, pesa também sobre o futuro do índice brasileiro o forte recuo do preço do minério de ferro. No porto chinês de Dalian, a tonelada da commodity registrou queda de 6,8%, a 776.500 iuanes, ou US$ 122,11. A segunda maior economia do mundo vem sinalizando que pretende controlar os preços da commodity, barrando a “especulação”.

No cenário local, Focus traz aumento da perspectiva para Selic

No Brasil, investidores repercutem ainda o Boletim Focus publicado nesta segunda. O Banco Central trouxe que o mercado agora vê a taxa Selic em 12,25% no final do ano, ante 11,75% na última semana. As projeções para o IPCA também avançaram, saindo de 5,44% para 5,50%.

O mercado ainda monitora a escalada da pressão sobre o Ministério da Economia, envolvendo, entre outras coisas, a PEC dos combustíveis. O presidente Jair Bolsonaro, durante o final de semana, afirmou que trabalha em conjunto com a Petrobras (PETR3;PETR4) para reduzir os preços dos combustíveis.

A curva de juros sobe em bloco. Na ponta curta, o rendimento do juros DI para janeiro de 2023 sobe três pontos-base, para 12,46%. No meio da curva, as taxas do DI vincendo em janeiro de 2025 avança quatro pontos, para 11,41%. Na ponta longa, os DIs com vencimento em janeiro de 2027 e em janeiro de 2029 sobem, respectivamente, dois e quatro pontos, para 11,33% e 11,50%.

O dólar futuro tem alta de 0,15%, a R$ 5,280. O dólar comercial sobe 0,43%, a R$ 5,265 na compra e na venda.

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