Pré-mercado

Ibovespa futuro opera em queda, seguindo bolsas internacionais, com investidores aguardando Payroll

Preço do petróleo avança, com tensões na Ucrânia, e ajuda a pressionar curvas de juros

Por  Vitor Azevedo -

O Ibovespa futuro opera em queda no início do pregão desta sexta-feira (4), recuando 0,50%, aos 111.855 pontos, às 9h31 (horário de Brasília). O contrato com vencimento em fevereiro acompanha a performance das bolsas americanas no pré-mercado e também os principais índices da Europa.

Nos EUA, os futuros subiam mais cedo, se recuperando da forte queda da véspera – motivada, principalmente, pela forte frustração do mercado em relação aos resultados do quarto trimestre Meta (FBOK34), companhia dona do Facebook.

A alta da Amazon ([ativo=AMZN34]) era um fator que ajudava a puxar os índices. A companhia de Jeff Bezos, ao contrária da de Mark Zuckerberg, surpreendeu positivamente ao quase dobrar seu lucro na base anual. As ações sobem cerca de 12% por volta das 9h no pré-market, após avançarem mais de 15% mais cedo.

Por volta das 8h30, os ânimos diminuíram e os investidores passaram a apresentar mais cautela – provavelmente se posicionando para a divulgação do relatório Payroll de emprego não-agrícola, que será publicado às 10h30, um dos principais índices macroeconômicos dos EUA, com grande peso sobre as decisões do Federal Reserve a respeito das taxas de juros. O Nasdaq, que avançava mais de 1% mais cedo, passou a ter ganhos tímidos, de 0,4%, enquanto Dow Jones e S&P futuro viraram para queda.

“Investidores agora aguardam novos dados sobre o mercado de trabalho americano, que devem ser o principal acontecimento do mercado de hoje”, comenta a XP Investimentos, em seu morning call.

Faz peso também nos futuros a alta dos rendimentos dos treasuries presentes na ponta curta da curva de juros, que avançam, em grande parte, acompanhando o preço do petróleo Por volta das 9h, o barril Brent apresenta alta de 1,66%, negociado a US$ 92,62, maior nível desde julho de 2014. O rendimento dos treasuries com vencimento em dois anos sobe 13 pontos-base, para 1,205%.

A commodity avança acompanhando a intensificação dos problemas climáticos nos EUA, com uma maior demanda por energia em meio ao rigoroso inverno, e também o aumento das tensões na fronteira da Ucrânia – na noite dessa quinta-feira, a inteligência americana sinalizou que a Rússia pretende utilizar um vídeo fake de um ataque ucraniano para justificar a guerra.

“A Casa Branca anunciou que teria encontrado evidências de que o Kremlin fabricou um vídeo mostrando ataque contra russos como justificativa para invasão. A notícia agrega à urgência do Congresso americano, que trabalha para finalizar pacote de sanções contra a Rússia, em caso de invasão”, explicam os analistas da XP.

Durante a madrugada, o presidente russo Vladimir Putin junto do presidente chinês Xi Jinping, em declaração conjunta, demandaram que a  Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), liderada pelos EUA, pare de avançar sobre o oriente. Os presidentes se encontram para a cerimônia de aberutra da Olímpiada de Inverno, que acontece na China. Putin declarou também apoio à China na questão de Taiwan.

Na Europa, a performance da curva de juros também é destaque. Mais cedo, os títulos alemães com vencimento em cinco anos ficaram com taxas positivas pela primeira vez em cinco anos. Além do petróleo, o mercado ainda repercute a falas da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, da véspera, quando se mostrou preocupada com a inflação na região.

O DAX, da Alemanha, cai 1,66%. O FTSE, de Londres, recua 0,17%. O CAC 40, da França, tem baixa de 0,91%. O STOXX 600, de todo o continente, retrocede 1,31%.

No Brasil, olho na PEC dos combustíveis

Ontem, o plano do Governo Federal de reduzir preços de combustíveis avançou após a apresentação da proposta de emenda constitucional (PEC) pela ala política na Câmara. Segundo calculo da equipe econômica, a emenda deve trazer um impacto de R$ 54 bilhões ao ano no orçamento.

“De acordo com nossos cálculos, pode representar até R$ 100 bilhões a menos em arrecadações de impostos, o que é arriscado considerando a frágil posição fiscal do Brasil. Além disso, cortar impostos não é uma boa ferramenta para combater a inflação, pois não reequilibra oferta e demanda de bens”, comenta a XP Investimentos.

A curva de juros sobe em bloco. O DI com vencimento em janeiro de 2023 avança quatro pontos-base, para 11,94%. O para janeiro de 2025 tem alta de 12 pontos, para 10,98%. O vincendo no primeiro mês de 2029 sobe 12 pontos, para 11,27%. O dólar futuro tem alta de 0,06%, a R$ 5,322, mas o comercial recua 0,18%, a R$ 5,285 na compra e a R$ 5,286 na venda.

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