Pré-mercado

Ibovespa futuro opera em leve alta, descolado das principais bolsas do exterior; tensão Rússia-Ucrânia segue no radar

Tensão entre Rússia e Ucrânia aumenta e derruba bolsas mundo afora; preço das commodities avançam

Por  Vitor Azevedo

O Ibovespa futuro opera em leve alta na manhã desta segunda-feira (21). Às 9h30 (horário de Brasília), o contrato com vencimento em abril avançava 0,20%, aos 114.349 pontos, descolado da performance das principais bolsas internacionais.

No exterior, a tendência é de queda, com investidores apresentando cautela, por conta das tensões entre a Rússia e Ucrânia. O dia é marcado também pelas bolsas americanas fechadas, por causa do feriado do Dia do Presidente.

Os futuros americanos chegaram a avançar mais cedo, com a perspectiva de que os presidentes dos Estados Unidos, Joe Biden, e da Rússia, Vladimir Putin, se reunirão na quinta-feira, em encontro acertado pelo presidente francês Emannuel Macron. A Rússia, porém, afirmou que não há nada totalmente acertado sobre o encontro e fez o otimismo se dissipar levemente.

“Os mercados continuam céticos, uma vez que o Kremlin disse que não há um ‘plano concreto’ para a reunião. Há cerca de 190 mil soldados russos nas fronteiras da Ucrânia, incluindo os que estão na Bielorrússia. No final de semana, os EUA teriam dito a aliados que a invasão russa à Ucrânia poderia atingir várias cidades, incluindo a capital Kiev e Odessa”, informa a XP Investimentos, em seu morning call. 

Os analistas da corretora apontam também que o encerramento dos jogos olímpicos nesse fim de semana pode trazer nova urgência para a crise, uma vez que o evento era considerado um impedimento de ação para o Kremlin.

Por volta das 9h, o contrato para o Dow Jones vincendo em março cai 0,29%. O do S&P 500 para o mesmo mês recua 0,35% e o da Nasdaq, 0,63%.

Na Europa, a tendência também é de queda generalizada. Alguns índices chegaram a subir mais cedo, após a divulgação de dados macroeconômicos, mas a maior tensão acabou por prevalecer.

Na Alemanha, a inflação ao produtor de janeiro veio em 2,2%, ante consenso de 1,5%. No mesmo país, a leitura do PMI do setor industrial ficou em 58,5 para fevereiro, ante 59,5 esperados. O índice de compras de gerentes do setor de serviços, porém, teve leitura melhor do que o consenso – 56,6 ante 53.

Na França e no Reino Unido, que também tiveram seus PMIs divulgados, todos os setores vieram com números melhores do que os esperados.

O DAX, da Alemanha, cai 0,79%. O FTSE, do Reino Unido, recua 0,20%. O CAC 40, da França, cai 1,02%. O STOXX 600, de todo o continente, cai 0,78%. O MOEX, da Rússia, cai 7,06%.

Na Ásia, a tendência foi majoritariamente de queda. O Nikkei, do Japão, caiu 0,78%. O HSI, de Hong Kong, recuou 0,65%. O Kospi, da Coréia do Sul, teve baixa de 0,04%. O índice Shanghai, da China continental, foi a única exceção e fechou neutro.

O encerramento das Olímpiadas de Inverno animou o mercado quanto as expectativas para a segunda maior economia do mundo, com a perspectiva de que as restrições industriais diminuirão em Pequim. Com isso, o preço do carvão e do minério de ferro dispararam.

Ainda em commodities, o preço do petróleo também avança – o barril WTI para março tem alta de 0,47%, a US$ 91,50. O Brent para abril avança 0,44%, a US$ 93,95.

Focus eleva projeção para IPCA em 2022

No cenário interno, a  crise na Rússia também traz seus impactos.  “No Brasil, os mercados estão atentos ao impacto das tensões na Ucrânia sobre a inflação. Os preços do petróleo bruto Brent voltaram a superar 94 dólares o barril hoje. Os custos agrícolas estão aumentando desde que a importação de fertilizantes da Bielorrússia está se tornando mais difícil”, comenta a XP Investimentos.

Em parte por isso foi que o Boletim Focus desta semana trouxe uma alta para as projeções para o IPCA em 2022 – a expectativa, agora, é que a inflação oficial fique em 5,56%, ante 5,50% na última semana, mesmo com as para oo dólar caindo de R$ 5,58 para R$ 5,50.

A curva de juros opera sem tendência exata. Na ponta curta, o rendimento do DI para 2023 avança um ponto-base, para 12,37%. A taxa DI para janeiro de 2025 recua dois pontos, para 11,38%. O DI para 2027 cai um ponto-base, para 11,30% e o para 2029 sobe um ponto, para 11,47%.

O dólar futuro avança 0,15%, a R$ 5,152. O dólar comercial sobe 0,18%. a R$ 5,149 na compra e a R$ 5,15 na venda.

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