Ibovespa Futuro “ignora” disparada do petróleo e perde 800 pontos com delação contra Temer

Investidores precificam peso de acusações de Cláudio Melo Filho contra presidente e homens fortes do governo

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SÃO PAULO – Após uma semana de leves ganhos para o principal índice do mercado acionário nacional, o Ibovespa Futuro iniciou a segunda-feira (12) no campo negativo, com os investidores de olho na tensão no mundo político brasileiro, após divulgação da delação do ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, que coloca o presidente Michel Temer e os principais nomes de seu ministério no centro da Operação Lava Jato. Às 9h11 (horário de Brasília), os contratos futuros do índice com vencimento em dezembro caíam 1,43%, a 59.725 pontos, ignorando a disparada de quase 5% nos preços do petróleo no mercado internacional.

No mesmo horário, os contratos de juros futuros longos operavam em forte alta, com os papéis com vencimento em janeiro de 2021 saltando 15 pontos-base, a 11,94%, ao passo que os DIs curtos, com vencimento em janeiro de 2018, operavam estáveis a 11,87%. Os contratos de dólar futuro com vencimento em janeiro de 2017, por sua vez, subiam 0,60%, sinalizando cotação de R$ 3,421.

Ainda no radar dos investidores, destaque para a última votação da PEC do Teto no Senado, discussões da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, além das intenções do governo em enviar a Lei de Diretrizes Orçamentárias ao parlamento ainda nesta semana, como contraponto à delação recente. Na agenda de indicadores, as atenções voltam-se para a reunião do Fomc (Federal Open Market Committee) nos Estados Unidos e para o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) no Brasil.

Confira os principais assuntos da semana:

Bolsas Mundiais
A segunda-feira (12) começa indefinida para os principais índices acionários mundiais, apesar da disparada de 5% do petróleo. O movimento de euforia com a commodity ocorre após países não-membros da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) fecharem acordo de congelamento de produção. Na Europa, as atenções dos investidores voltam-se à continuidade das incertezas políticas na Itália e o aguardo pela decisão do Fomc pela nova taxa de juros norte-americanas, além de possíveis indicações sobre o ritmo da política monetária do Federal Reserve.

Ná Ásia, os mercados acionários da China sofreram a maior queda em seis meses, com as blue-chips sendo pressionadas por novas restrições regulatórias para conter os investimentos agressivos em ações de seguradoras, enquanto a alta dos rendimentos de títulos levou à realização de lucros em ações.

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Às 8h22, este era o desempenho dos principais índices:

* FTSE 100 (Reino Unido) -0,20%

* CAC-40 (França) -0,16%

*DAX (Alemanha) -0,35%

* Xangai (China) -2,49% (fechado)

*Hang Seng (Hong Kong) -1,44% (fechado)

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* Nikkei (Japão) +0,84% (fechado)

*Petróleo brent +4,38%, a US$ 56,71, o barril

Delação da Odebrecht
O noticiário político do sim de semana foi carregado. As 82 páginas da delação premiada do lobista Cláudio Melo Filho, da Odebrecht, atingiu o núcleo duro do governo, inclusive o próprio Michel Temer, que foi citado 43 vezes. Ao todo, 51 políticos de 11 partidos, a sua maioria governista, foram citados. Outros 76 delatores da empreiteira ainda farão delação. Outro destaque do noticiário político é o levantamento Datafolha sobre as eleições de 2018. A pesquisa revela o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva ganhou terreno nas intenções de voto para o primeiro turno, mas a ex-senadora Marina Silva venceria todos os adversários em um eventual segundo turno. Já os possíveis candidatos do PSDB Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra permaneceram com os mesmos porcentuais de intenção de voto do levantamento anterior, realizado em julho. Outra pesquisa, divulgada no domingo (11), revela ainda que 63% dos entrevistados querem que Michel Temer renuncie para que haja nova eleição direta para presidente. Clique aqui para ver os números do levantamento Datafolha.

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Mercado mais pessimismo
O Relatório de Mercado Focus desta semana trouxe novas mudanças, para pior, nas projeções de atividade. Pelo documento divulgado na manhã desta segunda-feira, 12, as estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) este ano passaram de retração de 3,43% para queda de 3,48%. Há um mês, a perspectiva era de recuo de 3,37%. 

Há duas semanas, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística informou que o PIB no terceiro trimestre recuou 0,8% ante o segundo trimestre e cedeu 2,9% ante o terceiro trimestre do ano passado. Foi a sétima queda consecutiva do PIB brasileiro. Em uma reação aos números, muitos economistas citaram a perspectiva de que a economia brasileira volte a crescer apenas a partir de 2017. Em suas comunicações mais recentes, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC destacou que o conjunto de indicadores divulgados sugere “atividade econômica aquém do esperado no curto prazo”.

Para 2017, o Focus mostra que a percepção também piorou. O mercado prevê para o País um crescimento de 0,70% no próximo ano, abaixo do 0,80% projetado uma semana antes. Há um mês, a expectativa era de 1,13%. Em suas projeções, o Ministério da Fazenda trabalha com uma estimativa de crescimento de 1,0% para o próximo ano.

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No relatório Focus desta segunda, as projeções para a produção industrial também indicaram um cenário difícil. A queda prevista para este ano passou de 6,50% para retração de 6,68%. Para 2017, a projeção de alta da produção industrial foi de 1,05% para 0,75%. Há um mês, as expectativas para a produção industrial estavam em recuo de 6,06% para 2016 e alta de 1,11% para 2017. Há duas semanas, o IBGE informou que a produção industrial em outubro caiu 1,1% ante setembro e desabou 7,3% em relação a outubro do ano passado.

Já a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para este ano permaneceu em 45,20% no Focus. Há um mês, estava em 45,42%. Para 2017, as expectativas no boletim Focus foram de 50,70% para 51,00%, ante projeção apontada um mês atrás de 50,10%.

Indicadores da semana
A semana é de agenda fraca, mas dois indicadores são destaque. Na quarta-feira (14), às 17h (horário de Brasília) o Federal Reserve divulga a decisão da reunião do Fomc sobre os juros nos EUA. O mercado já precifica e dá como certo a alta das taxas, mas a expectativa maior fica para o discurso da chair Janet Yellen, que ocorre meia hora depois do comunicado. Especialistas e investidores ficam atentos para qualquer mudança de projeção ou alguma informação sobre o que a autoridade espera para 2017 após a eleição de Donald Trump. Na quinta-feira (15), às 8h30, o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) de agosto será divulgado. O indicador mensal serve como uma prévia do do PIB oficial do país. A expectativa mediana dos economistas da LCA Consultores é de recuo de 0,5% na economia brasileira no período.

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InfoMoney: entrevista com Guilherme Aché
Guilherme Aché é o entrevistado do InfoMoney Fora da Curva de hoje. Ele criou a Squadra Investimentos em abril de 2008, pouco antes da máxima histórica do Ibovespa e do estouro do subprime. Mesmo assim, seus dois fundos de ações rendem mais de 200% desde sua criação – enquanto o Ibovespa ficou praticamente de lado. Durante a entrevista, ele explica o grande caso de sucesso do seu fundo, a Equatorial – e por que ela ainda está barata na Bolsa. Discípulo assumido de Warren Buffett, Aché responde quais ações brasileiras o Oráculo de Omaha colocaria em sua carteira. Clique aqui para ver a entrevista completa.

Noticiário corporativo
Do lado das empresas, destaque para o anúncio de distribuição de juros sobre o capital próprio de R$ 0,47140 por ação pelo Itaú Unibanco, a aprovação do Cade para a venda de fatia da Petrobras no campo Xerelete Sul à Total, a captação de R$ 250 milhões da Magazine Luiza em recursos por meio de emissão de títulos de dívida e a elevação do rating da Suzano pelo Moodys, de Ba2 para Ba1.

Marcos Mortari

Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.