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SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro abre em baixa nesta segunda-feira (24), em um dia de pânico profundo nas bolsas internacionais, com a Ásia no olho do furacão negativo que arrasa os mercados hoje. As fortes desvalorizações do yuan trouxeram indefinição ao cenário global e fizeram com que a bolsa de Xangai despencasse 8,46%. Ao mesmo tempo, as cotações de commodities recuam às mínimas em 16 anos. No cenário interno o mercado avalia os desdobramentos da crise política depois que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, pediu a investigação da campanha da presidente Dilma Rousseff (PT)
Às 9h17 (horário de Brasília), o contrato futuro do índice para outubro caía 4,49%, a 44.000 pontos. Já o dólar futuro para setembro sobe 1,82% a R$ 3,574. Os futuros dos índices norte-americanos Dow Jones e S&P 500 recuam 4,06% e 3,78% respectivamente.
No fim de semana, o governo chinês disse que vai permitir a fundos de pensão que comprem ações. A especulação sobre corte de compulsórios para estimular a economia não se confirmou.
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Em meio ao “sell-off” global, as commodities também vêm forte desvalorização. O minério de ferro spot com 62% de pureza no porto de Qingdao afundou 5,03% a US$ 53,28. Com isso, os ADRs da Vale (VALE3; VALE5) recuam 7,34% a US$ 4,40. Já o petróleo cai 4,47% com o barril do Brent operando a US$ 43,47 e o WTI (West Texas Intermediate) tem queda de 3,58% a US$ 39. Ao mesmo tempo, o ADR da Petrobras (PETR3; PETR4) despenca 11% a US$ 4,69.
Também tinha algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 oscilou de uma retração de 2,01% para uma de 2,06%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções caíram de 9,32% para 9,29%.
Cenário externo
A segunda-feira já começou bastante negativa para os mercados globais. As bolsas asiáticas e europeias despencam em meio ao sell off global, agravado pelo tombo dos papéis chineses, que intensificou a fuga de ativos mais arriscados em meio a temores de desaceleração econômica global encabeçada pela China. Xangai teve baixa de 8,46%, a maior queda percentual diária desde 2007.
O índice MSCI que reúne ações da região Ásia-Pacífico exceto Japão caía 5,46%, abaixo da mínima de três anos. Hang Seng teve queda de 5,17%, enquanto Nikkei despencou 4,61%.
Ativos vistos como um porto-seguro, como títulos de governo e o iene, apresentaram ganhos em meio à instabilidade nos mercados financeiros. O gatilho para as turbulências veio sob a forma da forte desvalorização do iuan chinês, que alimentou temores sobre o estado da segunda maior economia do mundo.
“Os mercados estão em pânico. As coisas estão começando a parecer com a crise financeira asiática no fim da década de 1990. Especuladores estão vendendo ativos que parecem ser os mais vulneráveis”, disse o chefe de pesquisa do Shinsei Bank, Takako Masai.
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Bolsas de valores em todo o mundo, do Japão à Indonésia, foram duramente atingidas pela queda das ações chinesas desde a abertura nesta segunda-feira, após Pequim não anunciar nenhum grande estímulo no fim de semana para sustentar as ações, como era amplamente esperado após a queda de 11 por cento da semana passada.
O sell off se estendeu pela Europa, que vê as principais bolsas do continente caírem cerca de 3%. Por outro lado, a Alemanha vê consequências limitadas da desaceleração econômica da China para sua economia, a maior da Europa, disse uma porta-voz do Ministério da Economia nesta segunda-feira.
“Estamos monitorando os desdobramentos na China com muita atenção. As consequências imediatas para a economia da Alemanha, no entanto, devem ser limitadas”, disse a porta-voz.
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No cenário do continente, líderes da oposição grega fizeram progresso zero neste domingo nos esforços para tentar formar uma nova coalizão, apesar dos apelos internos e externos por eleições rápidas para que o país possa lidar com crises econômica e humanitária simultâneas.
O sell off se estende no mercado de commodities: o minério de ferro negociado no porto de Qingdao tem baixa de 5,02%, a US$ 53,08, enquanto o brent é negociado com queda de 3,78%, a US$ 43,74.
O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura.