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Ibovespa Futuro despenca 1,5% com “tragédia grega” anunciada; dólar tem alta

O índice futuro segue o movimento negativo das bolsas internacionais e opera em forte queda a um dia do vencimento da dívida grega

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SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro abre em forte queda nesta segunda-feira em meio à crise da Grécia. Se no fim de semana ainda havia esperança de que o país conseguisse um acordo com seus credores internacionais, a chance hoje, a um dia do vencimento de uma dívida de 1,6 bilhão de euros, é mínima. Com o iminente default, a permanência dos gregos na zona do euro também fica severamente ameaçada. 

Às 9h33 (horário de Brasília), o contrato futuro do índice para agosto caía 1,56%, a 53.900 pontos. Enquanto isso, o dólar futuro para julho subia 0,22%, a R$ 3,141. 

Os juros dos títulos da dívida grega encostam em 14%, em suas máximas históricas, depois do país decidir implementar um controle de capitais, fechando bancos e restringindo saques a 60 euros por dia. No dia 5 de julho, o país terá referendo para a população decidir se aceita as medidas de austeridade impostas pelos credores. 

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Mesmo a frase do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, afirmando que o “Grexit” nunca irá acontecer, os mercados hoje já começaram o dia em “sell-off”. Na Ásia, o Nikkei teve baixa de 2,88%, Shangai caiu 3,29% e o Hang Seng caiu 2,61%. Já pela Europa, o índice FTSE 100 recua 1,73%, o DAX cai 3,17%, o CAC 40 despenca 3,50%, o FTSE MIB mergulha 3,91%, o IBEX 35 tem perdas de 3,75% e o Stox 600 já cai 2,23%. A situação para os futuros dos índices norte-americanos é parecida. O futuro do Dow Jones cai 1,01% ao passo que o futuro do S&P recua 1,05%. 

“A chance de um acordo até o começo do fim de semana parecia de 50%, mas agora estamos com zero e uma grande dose de incerteza adicional surgiu com o anúncio do referendo grego, o congelamento da linha de liquidez emergencial do BCE (Banco Central Europeu) e o esperado atraso no pagamento ao Fundo Monetário Internacional (FMI) esta semana”, dizem os analistas do Royal Bank of Scotland (RBS) em relatório enviado aos clientes nesta manhã.

O maior risco para diversos especialistas é de contágio para outros países da zona do euro, que podem sair depois da Grécia, como Portugal, Espanha e Itália. O risco, no entanto, é menor do que há alguns anos. “Primeiro porque os bancos europeus já reduziram bastante sua exposição à Grécia. Depois, porque outras economias consideradas vulneráveis do bloco, como Espanha, Portugal e Irlanda, estão caminhando na direção de colocar suas contas em dia e retomar o crescimento”, diz o economista Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria em entrevista à BBC.

Para mercados emergentes como o brasileiro, o risco trazido pela crise da Grécia é o surgimento de uma forte aversão ao risco entre os investidores internacionais, prejudicando principalmente os emergentes. O real, por exemplo, deve se desvalorizar, com uma corrida por ativos mais seguros como os títulos da dívida norte-americana. 

O analista da Spinelli, Elad Revi, diz que esta situação gera incertezas em escala global. “Quanto ao que afeta diretamente o Brasil, pensemos que, no caso de, de fato, a Grécia ‘defaultar’, o fluxo de capital mundial se volta diretamente ao que chamamos de porto-seguro, então, Franco Suiço, Ouro, EUA por exemplo. Brasil, infelizmente não está nesse conjunto, logo, sai capital estrangeiro daqui; por essa e outras ‘n’ razões claro. Saindo capital daqui afeta diretamente bolsa e câmbio em um primeiro instante”, explica.

No entanto, ele diz que o risco da Grécia sair da zona do euro efetivamente é complexo demais para ser calculado. Revi lembra que por mais que se monitore a situação do país todos os dias, há sempre uma novidade, como o referendo, que surpreendeu até aos credores. 

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Apesar de toda a negatividade no cenário de hoje, o analista independente do blog WhatsCall, Flávio Conde, diz que a sua recomendação é não vender. “A gente vai viver uma semana atípica com um mini pânico por causa da Grécia que vai juntar com a corrupção no Brasil. É preciso aguentar”, explica, apostando em correções nas próximas semanas. 

Cenário doméstico
Também tinha algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 oscilou de uma retração de 1,45% para uma de 1,49%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 9% este ano. Para a Selic, as projeções foram elevadas de 14,25% para 14,5%. 

Na agenda de hoje, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, viajou aos Estados Unidos e garante estar bem após internação por conta de uma embolia pulmonar. Quem também está nos EUA é a presidente Dilma Rousseff (PT), que se reúne com o presidente norte-americano, Barack Obama, para assinar uma série de acordos comerciais. Sua viagem chegou a ser adiada na manhã de sábado para que ela se reunisse com ministros depois que eles foram citados na delação premiada do executivo da UTC, Ricardo Pessoa, como envolvidos no escândalo de corrupção descoberto pela Operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal. 

Já no noticiário corporativo, segundo informações da Agência Estado, uma mensagem distribuída em celulares de sindicalistas da Petrobras vazou, na sexta-feira, informações do plano de venda de ativos da Petrobras, antes da empresa se posicionar oficialmente ao mercado, o que deve ocorrer só hoje. Segunda a mensagem, a “Liquigás, Gaspetro, Transpetro e algumas sondas e poços terrestres serão desinvestidos”.

O aguardado plano de negócios da empresa para o período de 2015 a 2019 vai traçar o novo cenário da companhia para os próximos anos, após queda brusca do preço do petróleo e dos desdobramentos da Operação Lava Jato. Segundo o Valor, na sexta-feira, após mais de dez horas de reunião, o conselho de administração pediu ajustes na proposta de cortes, que deve ficar entre 35% e 40%, sendo que a área de exploração e produção vai ficar com até 80% dos investimentos programados no período. Os ADRs (American Depositary Receipts) da petroleira negociados no pré-market da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) caíam 1,91%, a US$ 9,23.

O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura.